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A Anvisa vai autorizar nos próximos dias as primeiras importações de produtos derivados da cannabis do Uruguai, destinados a uso medicinal. Segundo informações filtradas da agência reguladora, a compra no país vizinho será condicionada à prescrição por profissionais médicos com CRMs válidos. É só o primeiro passo. A Anvisa já estuda liberar as importações de outros países. No ano passado, o mercado de medicamentos à base de cannabis movimentou cerca de R$ 130 milhões, essencialmente de produtos fabricados no país.
Gleisi Hoffmann tem defendido o nome do ex-governador de Minas Gerais Fernando Pimentel para comandar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o Conselhão, cuja recriação já foi publicamente anunciada por Lula. Ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio de Dilma Rousseff, Pimentel tem bom trânsito junto a diversos setores abrigados sob o guarda-chuva do CDES, tais como o empresariado, entidades da sociedade civil e movimentos sindicais. Uma contraindicação seria o fato de o ex-governador carregar máculas da Lava Jato: chegou a ser condenado a dez anos. Mas, assim como o futuro presidente da República, posteriormente a própria Justiça anularia a condenação.
A colunista Malu Gaspar, de O Globo, trouxe uma das possibilidades de quem poderia substituir Jair Bolsonaro na passagem da faixa presidencial a Lula: um grupo de pessoas que representaria a diversidade do povo brasileiro, ou seja, um indígena, um negro, uma mulher, um trabalhador urbano e outro rural, além de um estudante. Pode ser que role. Mas há um detalhe nessa hipótese que cala fundo no coração de Lula. Trata-se da sugestão de Gleisi Hoffmann de que a mulher do grupo seja a primeira dama Janja. Gleisi é amicíssima de Janja.
Lula quer emponderar a esposa o máximo possível. A participação de Janja no governo e em eventos simbólicos seria a forma de demonstrar respeito, reconhecimento e admiração pelas mulheres. Afinal, elas foram suas principais eleitoras. Em tempo: Janja já está incumbida da organização de toda a cerimônia de posse. O que dizer? Amor, distinção do papel da mulher e empoderamento da companheira do lar são boas mensagens para o início de mandato. Bem melhor do que a simbologia da passagem da faixa por um carrancudo e raivoso Jair Bolsonaro
Onyx Lorenzoni tem garantido a aliados que vai sair da política para se dedicar aos negócios da família, entre os quais um hospital em Porto Alegre. Quem o conhece, no entanto, tem certeza de que a promessa de Lorenzoni é da boca para fora. Coisa de quem ainda tenta digerir a derrota nas eleições ao governo gaúcho ou – ainda mais provável – valorizar seu passe dentro do PL. No momento, Lorenzoni está em baixa. Será, inclusive, substituído no comando do diretório do partido no Rio Grande do Sul pelo deputado federal Giovani Cherini.
US$ 40 milhões por ano e mais uma série de benefícios, notadamente em relação a royalties sobre as vendas. Segundo o RR apurou, é a partir desse piso que a direção da CBF já começou a discutir a renovação do contrato com o Nike. E ressalte-se o “piso”, porque essa cifra ainda pode subir em função do desempenho da seleção na Copa. O atual acordo vence apenas em 2026, mas o presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues, exige novos termos. Até porque quer dar suas tintas autorais a um acordo firmado no já remoto ano de 2007. E com um agravante, ao menos de imagem: o contrato em vigor com a Nike foi fechado pelo então nº1 da entidade Ricardo Teixeira, uma época em que sabidamente o compliance da CBF foi chutado para escanteio.
Segundo o RR apurou há pouco, a proposta de spinoff da Aesop com a posterior abertura de capital da empresa começa a ganhar força na Natura. De acordo com a mesma fonte, a emissão de ações seria feita na Bolsa de Nova York, com uma oferta de até 30% do capital. Estudos iniciais apontam que a companhia poderia captar algo entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões com o IPO da marca de cosméticos de origem australiana, comprada em 2013. Ou seja: para efeito de valuation, 100% da Aesop estariam precificados em uma faixa entre R$ 9,9 bilhões e R$ 11,5 bilhões. Significa dizer que a subsidiária responde por mais de metade do atual valor de mercado da Natura (R$ 17 bilhões), depreciado pelos fracos resultados dos últimos meses – no intervalo de um ano, a queda acumulada do papel chega a 57%. Consultada pelo RR, a Natura não se manifestou.
A cisão e o IPO da Aesop seriam o ponto de partida para uma reestruturação ainda mais profunda da Natura. Fabio Barbosa, que assumiu a presidência do grupo, em junho, em um momento delicado, e sua equipe estudam também soluções para a Avon. As hipóteses sobre a mesa incluem o encerramento das atividades em países como Rússia, Ucrânia e África do Sul, operações vinculadas à Avon International, conforme o RR antecipou
Há uma guerra intestina envolvendo o comando do Sebrae Nacional. O atual presidente, Carlos Melles, quer continuar no cargo e disputa o posto com seu diretor de administração e finanças, Eduardo Diogo. Não se trata de um duelo de tapas e beijos. Mas de tiro, porrada e bomba. O contencioso entre ambos é aberto a todas as entidades que formam o Conselho do Sebrae. Melles já teve sua candidatura lançada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Diogo cabala apoios.
A corrida pelo cargo é aceleradíssima, porque o presidente nomeado pelas entidades estatutárias pode ser destituído pelo futuro governo. Destituir um presidente eleito pelas entidades de classe é certamente mais difícil do que retirar um mandatário eleito pelos trâmites normais. O PT tem apreço pela presidência do Sebrae. Não custa lembrar que Paulo Yamamoto, o assessor mais próximo de Lula, já esteve à frente da instituição. O presidente da Assembleia Legislativa do Rio, André Ceciliano, quer o cargo, e é provável que tenha o apoio do PT. O sociólogo Luiz Barreto Filho, que já foi presidente do Sebrae, corre por fora.
O RR cansou de defender que as receitas extraorçamentárias não fossem integralmente transferidas para o pagamento da dívida interna bruta – ou dívida interna líquida conforme parece ser, corretamente, o critério preferido pelo futuro do governo. Uma parcela maior ou menor desses valores, a discutir, seria alocada como receita variável para os investimentos. Nos primeiros governos do PT e nas gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro, esse expediente não foi utilizado. O investimento em ambos os mandatos foi descendo ladeira abaixo, até alcançar o ridículo percentual de menos de 2% dos gastos discricionários. Ora, o orçamento tem de ser cumprido, mas é possível buscar recursos extraordinários em outras fontes e alocar na infraestrutura, ciência e tecnologia e no complexo industrial de saúde, entre outros setores carentes e prioritários.
O comitê de transição do PT incorporou a medida em seu cardápio fiscal. Será um expediente “fura teto”. Como o futuro governo não tem maior apreço pelas privatizações, a iniciativa nasce menos ambiciosa. Das desestatizações viria parcela expressiva dos recursos para os investimentos, no novo modelo de “extrafiscalidade”. Mas o governo tem um caminhão de concessões já contratadas e muitas a realizar, além de uma manifesta disposição de mexer nos mais de R$ 340 bilhões em incentivos fiscais, parte deles torrados em iniciativas que mais servem para o aumento da concentração de renda no país do que qualquer outra coisa. É correto separar dinheiro novo imprevisto de um orçamento fechado e que deve e tem de ser cumprido tanto para abater, em parte, a dívida pública quanto servir ao interesse nacional. É preciso reparar insuficiências graves que atravancam o desenvolvimento do país.
O mundo dá mesmo muitas voltas. Por um capricho do destino, o futuro da Oi deverá ficar nas mãos do governo do PT – onde nasceu o projeto da “supertele” brasileira, idealizado por José Dirceu ainda na gestão Lula. O fim ou não da recuperação judicial (RJ) da Oi depende basicamente da posição do Banco do Brasil e da Caixa, ou seja, na última linha, de uma decisão do governo brasileiro. Nestas últimas semanas da gestão Bolsonaro, não tem muita conversa. Segundo o RR apurou, a disposição da direção dos dois bancos federais, credores da companhia, é uma nova ofensiva na Justiça para brecar o levantamento da recuperação judicial nas atuais condições. Ambos alegam que a operadora não estaria cumprindo cláusula do plano de recuperação judicial que prevê o uso de recursos provenientes da alienação de ativos móveis para quitar dívidas quirografárias. Travam, portanto, uma queda de braço com o Ministério Público do Rio, que quer encerrar a RJ.
No seu crepúsculo, um raro aceno pró-meio ambiente do governo Bolsonaro. O Brasil deverá formalizar amanhã sua adesão a um acordo global para a proibição do comércio de diferentes espécies sob risco de extinção, entre os quais os sapos-de-vidro e rãs-de-vidro. O pacto será um dos legados da Cúpula das Espécies Ameaçadas, que está sendo realizada no Panamá. A lista completa das espécies protegidas pelo acordo deverá ser fechada hoje até o fim do dia. A delegação brasileira quer incluir também a tartaruga de água doce.
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