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Jair Bolsonaro vai terminar seu governo como começou, às turras com a comunidade científica. O RR apurou que algumas das mais prestigiosas entidades da área – como a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e a Academia Brasileira de Ciências – articulam o lançamento de um manifesto conjunto contra a gestão Bolsonaro. O estopim é a Portaria 10.136, do Ministério da Economia, publicada no último dia 18 de novembro. O governo retirou o crédito suplementar do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, transferindo recursos para bancar a Operação Carro-Pipa no Nordeste. Nada contra comprar água para o povo nordestino. Muito pelo contrário. Mas a comunidade científica passou quatro anos tendo o orçamento para o setor seguidamente desidratado.
O ministro Paulo Guedes, seja qual for sua intenção, tem dito a diversos interlocutores que o ex-ministro Nelson Barbosa, pertencente aos quadros da FGV e hoje integrando o comitê de transição, será ministro de alguma Pasta da Economia no governo Lula. Guedes se encontrou com Barbosa para as primeiras conversas voltadas à transferência de todas as informações consideradas relevantes pelo comitê de transição. O papo entre ambos foi descontraído e afável. Guedes colocou o Ministério da Economia inteiramente à disposição para colaborar em todas as demandas. Guedes considera Barbosa o economista mais bem equipado entre os que estão disputando o rally do Ministério da Fazenda e, em segundo lugar, o do Planejamento. Com relação a Fernando Haddad, acha um despropósito a comparação de que o ex-ministro da Educação poderia ter um papel similar ao de Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda. “Há uma diferença abissal entre ambos”, teria dito.
Guedes acha que Haddad conhece somente os rudimentos da economia e não tem a dimensão pública de FHC. Quanto a Persio Árida, o ministro da Economia o detesta, como também detesta o economista André Lara Resende. Ele acha ambos despreparados, desatualizados e com formação acadêmica insuficiente. A recíproca também é verdadeira. A “campanha soft” de Guedes pró-Barbosa é o tipo de apoio que ninguém quer. Imagine só, nas atuais circunstâncias, receber a pecha de ser o candidato do “Beato Salu”.
Não foi ainda dessa vez. A bênção à eventual indicação de Fernando Haddad ao Ministério da Fazenda que deveria ser dada com o almoço de hoje na Febraban não aconteceu. Não que os mercados tenham esfarelado, mas as primeiras reações não foram das mais favoráveis: neste momento, o Ibovespa cai 2,8% e o dólar chegou a R$ 5,39. Ainda assim, até o início da tarde, diversas casas do setor bancário cravavam Haddad para o cargo de ministro da Fazenda do futuro governo Lula. Ele não viria sozinho, mas em duo para condução da política econômica na qual estaria incluso o economista Pérsio Arida, assumindo o Ministério do Planejamento. Se o Planejamento não for empoderado, parece pouco para Arida. A divisão de poder e trabalho terá de ser construída em sintonia fina. Fala-se por exemplo que o BNDES e demais bancos de fomento estariam vinculados a Arida. Ele teria um papel importante na alocação mais eficiente dos recursos públicos. A ver.
Em tempo: um dos assessores mais previsíveis de Fernando Haddad, caso assuma a Fazenda, seria o economista Marcos Lisboa, que já foi secretário de Política Econômica no primeiro mandato de Lula. Ao que consta, no entanto, Lisboa já anunciou que passa essa. Não topa a missão. Queria voos mais altos. O atual secretário da Fazenda do governo de São Paulo, Felipe Salto, seria uma pule de dez para a secretaria do Tesouro. Só que, nesse caso, Salto não está sozinho na disputa. Outro nome no páreo é o de Bernard Appy, economista tributarista autor da PEC 45, que apresenta as diretrizes para a reforma tributária e está mofando no Congresso. Appy, ressalte-se, teve passagem importante pelo governo Lula, quando ocupou a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda e a Secretaria Extraordinária de Reformas Econômico-Fiscais. A competentíssima economista Vilma Pinto, diretoria da IFI (Instituição Fiscal Independente), também está cotada para a Secretaria do Tesouro.
Finalmente, teria uma posição de destaque na equipe o professor da Unicamp Guilherme Mello, 33 anos. Mello é uma estrela em ascensão e impressiona pela conjugação de preparo técnico e juventude. Lula acha a maior graça no menino.
A assessora de Nelson Barbosa, Esther Dweck, teve reunião com Vilma Dias, do IFI, nesta semana, para consulta e obtenção de dados fiscais para formulação da política econômica do futuro governo e fundamentar a “PEC do Estouro”. Hoje, Esther Dweck convocou os participantes do grupo de trabalho de Planejamento, Orçamento e Gestão do Gabinete de Transição do Governo Federal para uma reunião virtual, além de convidados para contribuírem no trabalho. Esther Dweck não é fichinha. Foi considerada a economista do ano de 2021 pelo Conselho Federal de Economia. As duas economistas estão com um pé no governo. Dweck, aliás, está com os dois pés, seja com Barbosa, seja com Fernando Haddad.
O Mubadala tem fome de Brasil. O RR apurou que o fundo de Abu Dhabi pretende apresentar uma nova oferta para a compra da Zamp, holding controladora do Burger King e do Popeyes no Brasil. O valor poderá chegar à casa de R$ 8,50 por ação. Ou seja: na prática, embutiria um prêmio de aproximadamente 35% sobre a cotação em Bolsa – o papel foi negociado ontem a R$ 6,30. O Mubadala já fez duas propostas pela empresa – respectivamente de R$ 7,55 e R$ 8,31. Ambas foram recusadas pelos acionistas da Zamp, entre os quais a 3G Capital, de Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles. A segunda investida, no último mês de setembro, acabou em troca de “gentilezas” públicas. O Mubadala retirou a oferta alegando falta de transparência da Restaurant Brands International (RBI), dono das duas bandeiras de restaurantes. O maior acionista da RBI é exatamente a 3G Capital. Segundo a fonte do RR, envolvida nas negociações, o recuo não teria passado de um blefe dos árabes à mesa de negociações. Por ora, os protagonistas desse enredo se fecham em copas: consultados, tanto o Mubadala quanto o Burger King não se pronunciaram.
A insistente investida sobre o Burger King é apenas uma espécie de hors d’oeuvres para um projeto maior. O Mubadala quer ser um consolidador de ativos no setor de fast food no Brasil. Outro alvo na mira do fundo de Abu Dhabi é a IMC (International Meal Company), cujo capital está fragmentado nas mãos de investidores como a UV Gestora, o empresário Carlos Wizard e seus filhos e a Pizza Hut International, entre outros. O grupo opera algumas das maiores cadeias de restaurantes do país, entre as quais Viena, Pizza Hut, Frango Assado e KFC. Em março deste ano, os acionistas da IMC retiraram do estatuto a pílula de veneno, que obrigava qualquer sócio a fazer uma oferta pública pelo restante das ações em caso de compra de 30% do capital. Ou seja: a mudança escancarou uma porta para que um investidor monte uma posição expressiva e até mesmo majoritária no capital da empresa.
O Mubadala olha, com apetite redobrado, para um negócio de expressivas somas. A aquisição da Zamp/Burger King e da IMC colocaria os árabes à frente de um conglomerado com mais de 1,5 mil restaurantes, um faturamento próximo dos R$ 3 bilhões e um Ebitda em torno de R$ 450 milhões – a números de 2021.
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia reforçou o esquema de segurança por conta da presença do ministro Luis Roberto Barroso, que, em instantes, fará uma palestra na sede da instituição, em Salvador – durante o seminário “I Fórum de Cidadania Política – pensando o futuro da democracia no Brasil”. O TER-BA destacou quatro agentes para se juntar à escolta que costuma acompanhar ministros do STF. Ontem, durante o dia, a área de segurança e inteligência do Supremo captou nas redes sociais mensagens trocadas em grupos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro com convocações para protestos em frete ao TER-BA. Os ataques desferidos contra Barroso cresceram depois que ele mandou o já célebre “Perdeu, mané! Não amola” a seguidores de Bolsonaro que lhe azucrinavam em Nova York.
A equipe de transição do governo Lula para a área de Justiça e Segurança Pública está tracejando as primeiras linhas de um plano de combate ao crime organizado especificamente em regiões de fronteira. Nesse caso, o PT deverá beber na fonte do próprio PT. Uma das ideias é a criação de um programa nos moldes do Enafron (Estratégia Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras), instituído no primeiro mandato de Dilma Rousseff e que acabaria perdendo fôlego nos anos seguintes. Por ora, como tudo na equipe de transição, as discussões são embrionárias. Mas, de acordo com a fonte do RR, um dos pilares desse “Enafron versão 2023” seria a implantação de uma força especial de segurança dedicada exclusivamente ao trabalho de investigações e de ações de campo em áreas de divisa. Essa corporação reuniria agentes oriundos da Polícia Federal e das Polícias Militares e Civis, guardadas as devidas proporções em um modelo similar ao da FNS (Força Nacional de Segurança), que reúne agentes de segurança das polícias estaduais. Ela atuaria lado a lado com as Forças Armadas.
As discussões em torno do tema têm sido conduzidas pelo próprio Flavio Dino, principal candidato a ministro de Justiça e responsável pelo tema “fronteiras” na equipe de transição, e pelo ex-presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, que responde pela “subpasta” de milícias e crime organizado. Entre os integrantes do Comitê de Transição circula, inclusive, um relatório de 236 páginas elaborado em 2016, uma tentativa do então presidente Michel Temer de revitalizar o próprio Enafron – à época, quem estava à frente da Pasta da Justiça era o hoje ministro do STF Alexandre de Moraes.
Fatos recentes compartilhados pelo Ministério da Justiça e pela Polícia Federal com o comitê de transição têm alimentado entre os auxiliares de Lula o senso de urgência em relação ao tema. Um exemplo: investigações da área de Inteligência da PF indicam a participação do Exército de Libertação Nacional no assassinato de quatro garimpeiros em Roraima, no último mês de agosto. A referida organização é um braço da extinta (?) FARC que fincou raízes na Venezuela e já tem ramificações em território brasileiro.
A Ecorodovias estuda a melhor rota para financiar sua mais recente empreitada, o Lote Noroeste Paulista, arrematado em setembro. Uma das ideias que ganha corpo é a emissão de debêntures incentivadas de infraestrutura. A conta é alta. A Ecorodovias, da família Rego Almeida, terá de investir cerca de R$ 10 bilhões em um pacote de rodovias que soma mais de 600 km em São Paulo.
Há um zunzunzum no mercado brasileiro de healthtechs de que o fundo canadense Innovacorp está em busca de ativos no Brasil. o venture capital tem participações em 23 empresas, a maior parte na América do Norte. Costuma focar em startups que desenvolvem softwares para o setor de saúde, da indústria farmacêutica a hospitais.
O governo Bolsonaro está empenhado em acabar com os bloqueios nas estradas. Só que na Bolívia. O Itamaraty abriu conversas com autoridades bolivianas na tentativa de destravar o fluxo de caminhões nas rodovias que interligam os dois países. Representantes do Ministério da Infraestrutura também participam das discussões. Entre os principais atingidos estão pesos-pesados da área logística, como a Fedex TNT, que tem uma atuação expressiva na região. Outra empresa afetada é a Agesa, um condomínio de transportadoras que opera o maior porto seco e principal estrutura de despacho aduaneiro do Centro-Oeste. O ponto alfandegário movimenta por dia cerca de R$ 45 milhões.
Estima-se que o prejuízo para transportadores de carga brasileiros já tenha superado a marca de R$ 1 bilhão. As paralisações em algumas das principais rotas – como Corumbá-Puerto Quijarro – se arrastam desde outubro em razão de protestos contra o governo do presidente Luiz Arce. Na semana passada, os líderes da mobilização, notadamente o Comitê Cívico Arroyo Concepción, permitiram a passagem de caminhões e carretas por apenas dois dias – depois de 27 dias consecutivos de bloqueio.
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