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Por via oblíqua, o presidente Donald Trump acabou dando uma rasteira também no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, virtual candidato ao mandarinato do Brasil, caso Jair Bolsonaro se torne realmente inelegível. Primeiro, porque por um desígnio do destino vestiu a carapuça do boné com os dizeres “Make America Great Again” (MAGA), praticamente às vésperas do incidente diplomático. Segundo, porque as sobretaxas trumpianas atingem 60% dos industriais no estado que governa. Ou seja, seu público-alvo com maior poder de fogo. E mais: terá que combater o grande aliado, Donald Trump, já que está no corner junto a sua base empresarial de apoio. Leia-se quase todo o setor industrial do país.
A delicadeza do assunto é enorme. Tarcísio é um dos mais agudos vocalizadores de que Bolsonaro foi injustiçado, o que é uma espécie de eufemismo do “caça às bruxas” trombeteado por Trump. Terá que se equilibrar na corda bamba entre criticar as sobretaxas sem sequer mencionar os desaforos do presidente dos EUA ao governo brasileiro e, especialmente, ao STF. Terá que pular um preâmbulo de cinco parágrafos contra a soberania do Brasil, coisa para um Houdini dos trópicos.
A estratégia de Tarcísio para fazer a mágica já começou: vai criar um gabinete paralelo ao do Governo Federal para discutir com empresários quais ações podem mitigar o desaforo de Trump. É bom reparar quais empresários vestirão um chapéu de dois bicos, ou seja, pedindo a benção a Tarcísio e também ao Vice-Presidente Geraldo Alckmin, que criou um foro idêntico. Fica o desconto para o pragmatismo que caracteriza a burguesia. Freitas certamente vai conduzir sua indignação para a ensandecida restrição tarifária, alegando que os dizeres e forma de expressão de Trump não são as suas, mas do presidente norte-americano. Ele continua apoiando Bolsonaro e não acredita que ele tenha participado de nenhum ato desabonador da sua conduta. O que seriam palavras diferentes para dizer a mesma coisa. No mais, vai falar o mínimo possível sobre a atitude do presidente dos EUA em intervir nas decisões do governo brasileiro. Qualquer escorregão, sua potencial candidatura à presidência do Brasil ou mesmo a reeleição para o governo de São Paulo vão virar farinha. Aliás, farinha do mesmo saco que contém Jair, Eduardo, Flávio e, em um patamar muito superior na hierarquia da extrema-direita, ele, ele mesmo, o presidente Donald Trump.
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