Arquivo Notícias - Página 22 de 1962 - Relatório Reservado

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Moelis é promessa de mais estresse na relação entre GPA e credores

26/03/2026
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A contratação da Moelis por credores do Grupo Pão de Açúcar (GPA) adiciona uma carga extra de tensão ao processo de recuperação extrajudicial da rede varejista. Por si só, a presença da boutique norte-americana é um recado de que os detentores de títulos do GPA não estão dispostos a ceder nas negociações com a companhia, espremida por uma dívida de R$ 4,5 bilhões. A Moelis tem um histórico de atuação no Brasil marcado por duros embates, na fronteira do contencioso. O caso mais emblemático é o da Oi. Credores internacionais assessorados pela instituição norte-americana se insurgiram contra o plano apresentado pela companhia. O grupo passou a atuar de forma coordenada para bloquear a proposta original, contestando formalmente seus termos em assembleias e no âmbito judicial. Mais do que isso: chegou a pressionar pela conversão de parte relevante da dívida em capital, com diluição significativa dos acionistas. Na Americanas, a lógica se repetiu. Diante de um rombo contábil que levou a uma recuperação judicial com dívida superior a R$ 40 bilhões, a Moelis entrou como um trator. Contratada por bondholders, foi um dos líderes das tratativas que obrigaram o trio de acionistas de referência – Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles – a aumentar o valor do aporte na companhia de R$ 10 bilhões para R$ 12 bilhões. A Light é outro exemplo representativo. Credores internacionais assessorados pela Moelis questionaram a capacidade da companhia de cumprir o plano apresentado e, sobretudo, a alocação de perdas entre acionistas e detentores de dívida. O ponto de maior tensão foi a discussão sobre o nível de haircut e a conversão de dívida em capital. Parte dos credores, inclusive, passou a defender alternativas mais agressivas, incluindo cenários de intervenção e redistribuição de ativos, caso não houvesse acordo. Maus prenúncios para o GPA.

#Beto Sicupira #GPA #Jorge Paulo Lemann #Marcel Telle

Colapso na transmissão e conflito regulatório desafiam data center de R$ 200 bilhões

26/03/2026
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De um lado, a saturação do sistema de transmissão de energia, um dos tantos gargalos estruturais do Brasil; do outro, um impasse regulatório e um consequente racha na diretoria da Aneel. Essa é a elétrica combinação que surge no caminho do maior projeto em armazenamento da dados da América Latina: a construção do data center da Casa dos Ventos no Ceará, empreendimento de R$ 200 bilhões que atenderá à chinesa TikTok. No último dia 10, a agência reguladora concedeu medida cautelar para assegurar o acesso do complexo à rede transmissora do Sistema Interligado Nacional (SIN), condição sine qua non para o avanço das obras. No entanto, a questão está longe de ser um ponto pacificado na Aneel.

A relatora do processo, Agnes Costa, votou para indeferir o pedido da Casa dos Ventos. Acabou sendo derrotada pelo relator do voto divergente, Fernando Mosna, que foi acompanhado pelos demais diretores. Na prática, com a medida cautelar, a Aneel ganhou tempo para resolver seu próprio dissenso interno em relação ao empreendimento até o julgamento do mérito do processo. Agnes Costa não é voz isolada dentro do órgão regulador. Segundo o RR apurou, a área técnica também faz ressalvas à concessão definitiva do acesso à rede de transmissão. O argumento central é que não estavam presentes os requisitos para a cautelar — em especial o risco imediato e irreversível — e, mais importante, que os pareceres de acesso emitidos pelo ONS não conferem direito adquirido à reserva de capacidade. Na leitura dessa ala, o pedido da Casa dos Ventos antecipou, por via cautelar, um direito que depende da evolução do sistema e de novas regras de alocação. Há ainda um componente técnico adicional. Parte relevante da demanda projetada pelo data center ultrapassa o horizonte contratual atualmente considerado pelo sistema — avançando para além de 2028. Para a área técnica, reservar capacidade hoje para uma carga futura ainda incerta aumenta o risco de ineficiência e pode comprometer o planejamento do SIN.

Em contato com o RR, a Aneel confirmou que “durante a discussão do tema, foi apresentado voto divergente pelo diretor Fernando Mosna que foi acompanhado pela maioria do colegiado”. A agência ressalta que “a decisão concedida tem natureza cautelar. Dessa forma, o processo ainda passará por uma análise de mérito mais aprofundada, não estando, neste momento, garantido o direito líquido e certo do agente. O entendimento definitivo somente poderá ser firmado após essa etapa de análise pela Agência”. Ou seja, ainda tem muita água para rolar debaixo da ponte do data center da Casa dos Ventos.

O projeto em Pecém foi concebido como um campus de data centers de grande escala, com dois empreendimentos principais, cada um composto por até dez data halls (salas de servidores). A etapa inicial prevê um consumo de aproximadamente 300 MW, suficiente para sustentar um data center com cerca de 200 MW de carga de TI, enquanto as fases seguintes podem elevar a demanda total para até 1 GW — patamar que coloca o complexo no mesmo nível dos maiores projetos globais do setor. Para efeito de comparação, a maioria dos data centers corporativos no mundo opera entre 20 MW e 100 MW, enquanto projetos acima de 300 MW são considerados de escala “hiperscale”. Empreendimentos na faixa de 1 GW ainda são raros e restritos a poucos clusters nos Estados Unidos, na China e no Oriente Médio.

O assunto é eivado de tecnicalidades e fios regulatórios que se enroscam. Por trás de tudo está a mudança na legislação efetuada no ano passado, com a publicação do Decreto nº 12.772/2025. O acesso à transmissão deixou de seguir uma lógica passiva e passou a caminhar para um modelo competitivo de alocação de capacidade. Na prática, significa que projetos passaram a disputar espaço em uma rede já saturada — especialmente no Nordeste. A concessão da cautelar, nesse contexto, é vista por segmentos dentro da Aneel como um risco de quebra de isonomia, ao garantir prioridade indireta a um único empreendimento. A cizânia interna é acentuada pelo fato de o órgão regulador ter aberto um arriscado precedente – precedente este, segundo disse a Aneel ao RR, que “somente se consolidará caso, na análise de mérito, a Agência confirme o entendimento adotado na decisão cautelar”. Também consultada, a Casa dos Ventos não se manifestou.

A divergência expõe mais do que um desacordo pontual: revela uma tensão estrutural dentro da agência entre disciplina regulatória e pressão por viabilizar investimentos de grande porte. Em essência, os dois lados têm razão. A questão é: como encaixar um empreendimento dessa magnitude na saturada rede de transmissão do país? Esse é o cerne do impasse regulatório. O desequilíbrio é estrutural. Enquanto a expansão da geração — puxada por eólicas e solares — avançou em ritmo acelerado na última década, a malha de transmissão não acompanhou na mesma velocidade. O resultado é uma concentração de oferta em regiões como o Nordeste, sem a correspondente capacidade de escoamento para os grandes centros consumidores do Sudeste. O Operador Nacional do Sistema (ONS) já sinalizou, em diferentes ocasiões, risco de sobrecarga em trechos críticos da rede, com necessidade de despacho restritivo para garantir a estabilidade do sistema. É o motivo que tem levado o ONS a usar do controverso expediente do curtailment, os cortes da produção de energia eólica e solar que já resultaram, nos últimos três anos, em mais de R$ 3 bilhões em perdas para as empresas de geração. Todo esse enrosco pode ser resumido em uma palavra: Brasil.

#Aneel

Minerva Foods recorre a sócio saudita para blindar exportações da Guerra no Irã

26/03/2026
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A escalada da guerra no Irã mobiliza a cúpula da Minerva Foods. A família Vilela de Queiroz, fundadora da empresa, e o Salic (Saudi Agricultural Livestock Investment Company), hoje o principal acionista, discutem medidas capazes de amortecer o impacto dos conflitos na região. A preocupação é blindar as exportações de carne de frango para o Oriente Médio. Está longe de ser o principal destino das vendas internacionais da companhia – representa cerca de 9% do total. Mas trata-se de um mercado cativo e estratégico, até em função da própria presença da Salic, braço de investimentos agrícolas da família real saudita, no capital. O fundo soberano tem trabalhado diretamente para assegurar a manutenção dos contratos da companhia brasileira na região, segundo informações filtradas pelo RR. Mas, pelo sim, pelo não, a Minerva busca um hedge: paralelamente há um esforço comercial da empresa com o intuito de redirecionar embarques para rotas alternativas ao Estreito de Ormuz. A empresa tem ainda uma carta na manga para ser usada em caso de piora do cenário: a ampliação de linhas de crédito, com o respaldo do próprio Salic, o que daria fôlego no momento em que a guerra no Irã pressiona custos de frete, seguro e capital.

Leite e Caiado disputam a captura política da renegociação de dívidas do agro

26/03/2026
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Os candidatos a candidato à Presidência da República pelo PSD disputam a “paternidade” da redução das dívidas do agronegócio. Os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e de Goiás, Ronaldo Caiado, têm pressionado diretamente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a pautar com urgência a votação do projeto de lei 5.122/2023. A proposta estabelece uma ampla renegociação de débitos de produtores rurais, pecuaristas e, de quebra, piscicultores e pescadores, especialmente dos endividados atingidos por extremos climáticos. Tanto Leite quanto Caiado, representantes de estados em que o agro tem forte peso econômico – e eleitoral -, querem carregar esse trunfo para sua eventual campanha. Uma vez aprovado, o projeto de lei abrirá caminho para a repactuação de até R$ 60 bilhões de créditos em aberto. A proposta prevê a utilização de recursos do Fundo Social do Pré-Sal, de até R$ 30 bilhões, e dos Fundos Constitucionais de Financiamento para cobrir a renegociação das dívidas.

#PSD

Leilão da Ferrogrão é um trem que nunca chega

26/03/2026
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O ministro dos Transportes, Renan Filho, e sua equipe jogaram a toalha em relação ao cronograma da Ferrogrão: a portas fechadas, já admitem que o leilão da ferrovia ficará para 2027 – e olhe lá. A pá de cal vem do TCU. Os sinais enviados pela Corte indicam que não há consenso entre os ministros sobre a viabilidade da modelagem da concessão. No entendimento dos integrantes do Tribunal de Contas, o projeto apresenta riscos relevantes em múltiplas frentes. Entre eles, questionamentos sobre mudanças substanciais no estudo de viabilidade técnica, como a revisão das projeções de demanda, o aumento expressivo dos custos socioambientais e a introdução de aportes públicos cuja base jurídica ainda não está plenamente consolidada. A avaliação interna é que essas alterações descaracterizam o desenho originalmente submetido à análise e exigem revalidação das poucas etapas que já haviam sido cumpridas. É como se o processo tivesse voltado umas três estações. Como se não bastasse o TCU, há também entraves no âmbito do STF. O julgamento sobre a legalidade do projeto no Supremo ainda está pendente. Trata-se de uma ação movida pelo PSOL questionando os impactos do traçado para comunidades indígenas do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará.

#Ferrogrão

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