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Appian Capital avança na produção de níquel no solo e no subsolo brasileiro
12/08/2025Os investimentos da Atlantic Nickel, leia-se a gestora britânica Appian Capital, no Brasil vão ganhar mais profundidade. Literalmente. A empresa pretende transformar a operação a céu aberto na jazida de níquel Santa Rita, em Itagibá (BA), em uma mina subterrânea de longo prazo. Orçado em mais de US$ 330 milhões e com início previsto para 2026, o projeto tem potencial para prolongar a vida útil do ativo em mais de três décadas, colocando a Atlantic Nickel em posição estratégica no fornecimento global de metais essenciais para baterias e mobilidade elétrica. Fontes do setor afirmam que, paralelamente à expansão subterrânea, a empresa estaria avaliando novas frentes de exploração na Bahia e em outros estados com potencial para níquel e cobre, aproveitando a infraestrutura e o know-how adquiridos nos últimos anos. Ressalte-se que a Appian Capital já está diversificando seus negócios em mineração no Brasil. No início deste ano, anunciou investimentos de R$ 2 bilhões na Graphcoa, empresa com depósitos de grafite promissores estrategicamente localizados também na Bahia. O projeto contempla a primeira planta de beneficiamento do mineral no município de Itagimirim (BA), com capacidade inicial 5,5 mil toneladas por ano.
Omã finca raízes no Brasil em busca de suprimento alimentar
12/08/2025Em meio à entropia no comércio internacional provocada pelo surto tarifário de Donald Trump, o Brasil desponta como o potencial fiador da segurança alimentar de mais uma nação estrangeira. O governo de Omã pretende montar uma operação verticalizada no agronegócio brasileiro, com o objetivo de suprir sua demanda interna. Todo o projeto ficará debaixo do guarda-chuva da Solaris, braço do Sultanate of Oman Sovereign Wealth Fund, fundo soberano do país asiático.
A compra da trading Agribrasil e do terminal portuário Tesc, em Santa Catarina, no mês passado, foi apenas a primeira semente plantada. Segundo informações que circulam no setor, o próximo passo previsto é a entrada da Solaris no setor de originação, com a compra de empresas produtoras de grãos ou mesmo por meio de parcerias com cooperativas brasileiras. Há relatos ainda sobre o interesse do governo de Omã em investir em estruturas de armazenagem.
O Brasil tem um enorme déficit nessa área: somando-se todos os silos privados e públicos existentes, a capacidade de estocagem cobre apenas a metade da produção de grãos. O que está em jogo é um movimento de caráter geoeconômico. Guardadas as devidas proporções, Omã está se juntando a países como China e Arábia Saudita, que, por meio de projetos de Estado e seguidos investimentos, vêm buscando no Brasil a garantia do seu suprimento alimentar.
Omã padece de um significativo déficit nessa área. Seu território é um pouco maior do que o Rio Grande do Sul, e mais 80% dele são ocupados por desertos e regiões áridas. As áreas aptas para plantio e pastagens somam apenas 5% da extensão total. Resultado: sua dependência em relação às importações de grãos passa de 85%.
No caso de proteína animal, a produção interna responde por apenas 30% da demanda. Ou seja, é mais do que provável que investimentos ou acordos com frigoríficos brasileiros também estejam no alvo do governo de Omã. Ressalte-se que o Brasil não está sozinho. Por meio da Solaris, Omã tem aportado recursos na compra de terras e na produção de grãos na África, também com o objetivo de assegurar o fornecimento de alimentos — tudo devidamente turbinado pelo Sultanate of Oman Sovereign Wealth Fund, com seu patrimônio de quase US$ 60 bilhões.
Credores já discutem fragmentação dos ativos da Intercement
12/08/2025Os credores que estão prestes a assumir formalmente o controle da Intercement já discutem os próximos passos em relação à empresa. A ideia que ganha força é a venda separada de ativos da companhia. Corre no mercado que o empresário argentino Marcos Mindlin já demonstrou interesse em assumir a Loma Negra, leia-se a operação da cimenteira no país vizinho, que engloba nove fábricas e uma receita anual superior a R$ 3,5 bilhões. Mindlin é um dos maiores credores da Intercement. Por meio da Pampa Energia, adquiriu, ao lado de outros investidores internacionais, os créditos do Itaú e do Banco do Brasil contra a empresa, no valor total de R$ 4,2 bilhões. Ressalte-se a transferência do controle das mãos da Mover, a antiga Camargo Corrêa, ainda terá de ser oficializado em uma assembleia geral de credores, o que, a essa altura, parece mera formalidade.
Planalto teme que ala bolsonarista provoque um curto-circuito na tarifa social de energia
12/08/2025Em meio à temporada de motins e congêneres da base bolsonarista no Congresso, a articulação política do Palácio do Planalto trabalha nos bastidores na tentativa de acelerar a votação da MP 1.300/2025, que trata da reforma do setor elétrico. Mais do que isso, o desafio do governo é evitar mudanças radicais no texto. O temor é que a oposição, energizada pelo clã Bolsonaro, tente desfigurar a nova tarifa social de energia elétrica, prevista na MP. O regime especial visa ampliar o acesso à gratuidade ou a descontos na conta de luz para cerca de 60 milhões de brasileiros. Trata-se de um dos tantos benefícios sociais que deverá sair do forno daqui até a eleição de 2026. No Congresso, a aprovação da tarifa social é praticamente consenso, mesmo entre partidos do Centrão que não compõem a base aliada. No entanto, o clã Bolsonaro tem demonstrado que o interesse público não é exatamente sua prioridade. Para afastar o risco de blecaute na votação do projeto, que precisa ocorrer até 17 de setembro, data-limite para a caducidade da MP, o governo está disposto, inclusive, a aceitar a proposta de apensamento do texto ao de outra MP, a 1.304/2025, defendida pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. Por sinal, depois da motim parlamentar da semana passada, o próprio Motta está precisando dar sinais de força para rechaçar a pecha de que virou um “morto-vivo” ou algo do gênero na cadeira de presidente da Câmara.
FI-FGTS entra no trem pagador da Transnordestina
12/08/2025O retorno do FI-FGTS ao setor de infraestrutura, anunciado na semana passada pelo presidente da Caixa, Carlos Vieira, já tem ao menos um endereço certo: o governo quer usar os recursos do FGTS para viabilizar a implantação da Transnordestina entre Suape e Salgueiro, em Pernambuco. A CSN, responsável pela construção e operação da ferrovia, devolveu o trecho de pouco mais de 540 km à União. O custo total está estimado em aproximadamente R$ 3,5 bilhões. O FI-FGTS entrará no quebra-cabeças que o governo terá de montar para assegurar o funding necessário às obras. Até agora, estão garantidos apenas R$ 450 milhões, previstos no Orçamento geral da União. Bem, garantidos, garantidos mesmo talvez nem isso, a julgar pelos seguidos remanejamentos e contingenciamentos orçamentários.