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Falta de verbas compromete atividades da Anatel
13/08/2025O diretor geral da Anatel, Carlos Baigorri, vem tentando junto à equipe econômica uma suplementação orçamentária. A agência não tem recursos para investimentos prioritários. Um dos casos mais prementes é a contratação de um novo data center. A estrutura atual está saturada e defasada, com riscos de interrupção dos sistemas de gestão e fiscalização das redes de telecomunicação do país. Atividades importantes da Anatel, como o bloqueio a sites de apostas ilegais e combate a operadoras piratas de TV por assinatura, podem vir a ser afetadas. Até mesmo ações mais simples, como o acesso ao serviço de internet e a conectividade de usuários externos ao ambiente da agência, estão sob ameaça.
Sucessão em agência da OEA para o setor agrícola entra no radar de Trump
13/08/2025Um evento historicamente de menor relevância na agenda do multilateralismo nas Américas está ganhando peso na esteira do bombardeio tarifário de Donald Trump. Trata-se da sucessão na diretoria geral do Instituto de Cooperação para a Agricultura (IICA) – a eleição está marcada para o próximo mês de novembro.
O órgão é o braço técnico e diplomático da OEA (Organização dos Estados Americanos) para o setor agrícola, perpassando desde questões de ordem comercial a temas igualmente delicados, como estratégias nacionais para segurança alimentar e mudanças climáticas.
Segundo informações filtradas do Itamaraty, o Brasil deverá apoiar a candidatura do engenheiro agrônomo Muhammad Ibrahim, da Guiana. Ibrahim defende bandeiras como cooperação multilateral, transformação rural sustentável e ações de Estado compartilhadas para garantir o suprimento alimentar na região. São propostas que não vicejam na lavoura de Trump.
De acordo com uma fonte do Ministério das Relações Exteriores, os Estados Unidos, habitualmente alheios à eleição do IICA, têm dado sinais de que pretendem influenciar na sucessão do argentino Manuel Otero, que deixará o cargo no início de 2026 após dois mandatos.
Já surgem, inclusive, evidências públicas nessa direção, vide recentes declarações do híbrido de ruralista e diplomata Kip Tom, uma das principais vozes do setor agrícola nos Estados Unidos.
No mês passado, durante o II Encontro de Federações Agrícolas das Américas, em São José da Costa Rica, Tom disse textualmente que o IICA é “organismo mais bem preparado da região para defender os interesses do setor agropecuário”. Sobretudo se forem os interesses dos Estados Unidos…
Vale esmiuçar o personagem em questão. Kip Tom é representante da oitava geração de um dos mais tradicionais e poderosos clãs do agronegócio norte-americano. Desde os anos 1830, sua família domina a produção de sementes e de grãos no estado de Indiana.
No primeiro mandato de Donald Trump, Tom foi embaixador dos Estados Unidos na ONU, junto à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), ao Programa Alimentar Mundial (PAM) e ao Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). É um notório defensor da política “American First” e de medidas protecionistas para os agricultores norte-americanos (“Os Estados Unidos devem proteger suas terras agrícolas de adversários estrangeiros, notadamente a China”).
O governo Trump tem uma política muito clara em relação a tratados e organismos multilaterais. Das duas uma: ou os controla ou os enfraquece. Neste segundo caso, foi assim que deixou o Acordo de Paris, a Unesco, a OMS, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, a Unesco e a Organização Mundial da Saúde.
O Instituto de Cooperação para a Agricultura tem poder decisório restrito e representatividade decrescente — como, aliás, a própria OEA, uma instituição cada vez mais enfraquecida, a exemplo das organizações internacionais de forma geral.
Ainda assim, trata-se de uma instância de discussão multilateral por onde passam temas sensíveis para os Estados Unidos. Entre os interesses do governo Trump no IICA estão moldar normas sanitárias, fitossanitárias e ambientais e regras de importação e exportação; desmontar discussões sobre eventuais barreiras a produtos agrícolas norte-americanos; e minar ou – por que não dizer? – sabotar qualquer iniciativa de composição multilateral nas Américas que seja um contraponto aos Estados Unidos.
Em última e principal instância, evitar que os BRICs, em especial a China, aumentem sua área de influência sobre o agronegócio na região. O Brasil, maior potência agroambiental das Américas, é uma peça que tem seu peso nesse tabuleiro. Principalmente agora que se tornou um dos maiores alvos da diplomacia da chantagem de Donald Trump.
Para o país, seria importante arregimentar outros apoios na região à eleição de Muhammad Ibrahim. Ainda não está claro se os Estados Unidos vão apresentar uma candidatura própria ou trabalhar um nome de oposição a Ibrahim.
O certo é que, caso consiga instrumentalizar o IICA para impor regras comerciais e padrões sanitários, fitossanitários e ambientais calibrados pela e para o seu agronegócio, na prática os norte-americanos estarão criando novos embaraços a produtos agrícolas brasileiros.
Investidores pressionam Mercado Livre a rever política de frete grátis
13/08/2025O Mercado Livre enfrenta um dilema. A agressiva política de frete grátis tornou-se alvo de questionamentos por parte de acionistas, entre os quais Blackrock e Morgan Stanley. Se, por um lado, a medida tem impulsionado o crescimento das vendas, por outro, vem trazendo um efeito colateral indesejado, com a redução da rentabilidade. No segundo trimestre deste ano, o lucro líquido caiu 1,5% em relação a igual período em 2024, chegando a US$ 523 milhões. Em maio, o Mercado Livre atualizou suas regras de frete grátis para o Brasil, seu principal mercado, baixando ainda mais o sarrafo. O valor mínimo de compras para receber o benefício caiu de R$ 79 para R$ 19. A estratégia tem endereço certo: conter o crescimento dos grupos chineses, como Shopee, Aliexpress e Shein, no Brasil. A questão é saber por quanto tempo será possível esticar essa corda e, mais do que isso, suportar a crescente pressão dos investidores, que temem nova queda dos resultados ao longo deste semestre. Ressalte-se que há um pano de fundo neste enredo: não é de hoje que os acionistas anseiam pela retomada do pagamento de dividendos. Desde 2018, o Mercado Livre não distribui lucro entre seus acionistas.
Planos de saúde se insurgem contra nomeação de Damous para a ANS
13/08/2025A indicação de Wadih Damous para a diretoria geral da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) enfrenta forte resistência entre as empresas de planos de saúde. Segundo uma fonte do mercado, operadores do setor vêm se articulando junto ao Congresso na tentativa de barrar a nomeação. Em sua trajetória, Damous jamais teve qualquer atuação na área de saúde. Além disso, a relação entre as companhias de medicina de grupo e Damous traz rusgas da sua gestão à frente da Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça, cargo que ocupa desde o início do atual mandato de Lula. Como quase toda regra tem sua exceção, o que corre à boca miúda é que a indicação de Damous para o comando da ANS contaria ao menos com a simpatia de uma empresa do setor, a Amil, de José Seripieri Filho, que tem notória proximidade com o presidente Lula. O RR fez seguidas tentativas de contato com a Amil, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Em tempo: Wadih Damous será sabatinado hoje na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado.