Governo e frigoríficos montam novas rotas comerciais para compensar tarifaço de Trump

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Governo e frigoríficos montam novas rotas comerciais para compensar tarifaço de Trump

  • 21/08/2025
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O governo e os grandes grupos frigoríficos do país estão montando um plano de ataque no comércio exterior na tentativa de mitigar o impacto do tarifaço de Donald Trump sobre as exportações brasileiras de carne bovina.

Segundo informações filtradas pelo RR, o vice-presidente Geraldo Alckmin, à frente do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, deverão se reunir com empresas do setor na próxima semana para definir um arco de ações a serem executadas com o apoio do Itamaraty.

A prioridade é a abertura de novos mercados como forma de compensar a queda dos embarques para os Estados Unidos. É o caso do Japão. O governo articula a vinda de uma missão técnica da Animal Health Division, órgão do Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca japonês responsável pelo controle sanitário, para inspecionar frigoríficos brasileiros, condição sine qua non para a retomada das exportações ao país asiático.

O Japão anunciou recentemente a reabertura do seu mercado à carne bovina brasileira após a Organização Mundial de Saúde Animal reconhecer o Brasil como território livre de febre aftosa sem vacinação. O mesmo ocorre em relação à Coreia do Sul e o Vietnã. O próprio ministro Carlos Fávaro deverá liderar uma comitiva aos dois países para acelerar o restabelecimento do comércio de carne bovina. Coreia do Sul e Vietnã revogaram as restrições à compra do produto brasileiro que vigoravam, respectivamente, desde 2012 e 2017.

Além da busca de novas rotas comerciais, qualquer plano de contenção do estrago imposto por Donald Trump passa obrigatoriamente pela China, o principal comprador de carne bovina do Brasil. Nesse caso, o trabalho conjunto do governo e dos players do setor é aumentar o número de frigoríficos habilitados ao país asiático.

Neste momento, as autoridades chinesas analisam uma lista com mais de 50 plantas industriais brasileiras que já teriam atendido todos os requisitos impostos pelos órgãos sanitários locais. Desde o início da gestão Lula, 48 novas unidades de abate receberam autorização de Pequim.

No caso específico da China, há um fator que pode jogar a favor do Brasil. Em meio às facadas tarifárias de Trump, que está fazendo picadinho do comércio internacional, o Brasil vislumbra uma oportunidade de alavancar as exportações de carne bovina na esteira das fricções entre Estados Unidos e China. Desde o início do ano, os chineses já suspenderam a habilitação de mais de 400 frigoríficos norte-americanos.

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