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Geoeconomia
Em meio ao acirramento das tensões no Oriente Médio, espocam no mercado informações sobre o interesse do Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (Salic) em aumentar sua participação no capital da Minerva Foods. O fundo ligado à família real da Arábia Saudita já é o maior acionista individual da companhia, com 30%, à frente dos Vilela de Queiroz, sócios fundadores, que concentram cerca de 22%. Além de questões de ordem geopolítica, qualquer movimento do Salic chama ainda mais atenção pela sua dupla presença no tabuleiro da proteína animal no Brasil. Além da fatia acionária da Minerva, o fundo árabe tem ligações econômicas com a MBRF, de Marcos Molina. O Salic detinha 11% da antiga BRF e trocou as ações por derivativos da nova empresa por ocasião da sua fusão com a Marfrig.
Essa dupla presença confere ao Salic uma posição singular no xadrez da proteína animal brasileira. Ao manter cerca de 30% da Minerva e exposição econômica relevante à MBRF por meio de derivativos, o fundo saudita passa a orbitar dois dos principais polos exportadores de carne do país — bovina, no caso da Minerva, e diversificada (aves, suínos e bovinos), no caso da nova companhia liderada por Marcos Molina. Trata-se de uma vantagem estratégica evidente: amplia o acesso a diferentes cadeias produtivas, dilui riscos operacionais e permite ao investidor capturar ganhos em ciclos distintos de preços e margens.
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