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Os movimentos de aproximação entre os governos Lula e Trump parecem não sensibilizar a indústria de máquinas agrícolas no Brasil. O setor tem adotado medidas contracionistas como resposta aos impactos do tarifaço dos Estados Unidos sobre a cadeia do agronegócio.
Que o diga a John Deere, líder do mercado no país. Os norte-americanos discutem, intramuros, cortes em seus planos de investimento no Brasil. Segundo informações filtradas pelo RR, um dos projetos colocados em stand-by é a expansão da fábrica de tratores de Montenegro (RS).
No ano passado, a companhia comprou dois terrenos contíguos à unidade para a ampliação da produção e da área de armazenagem, como parte de um desembolso total da ordem de R$ 230 milhões. Nos corredores da empresa, fala-se à boca miúda em mais uma leva de demissões no Brasil — no mês passado, foram dispensados 150 funcionários da fábrica de Horizontina (RS).
Consultada pelo RR, a John Deere confirma que “conduziu, em 17 de setembro, uma readequação no quadro de funcionários da unidade de Horizontina (RS)”. Segundo a empresa, “a medida foi tomada para adaptar o volume de produção à demanda atual do mercado”. Perguntada especificamente sobre cortes de investimento e a possibilidade de novas demissões, a John Deere não se manifestou.
A John Deere não está sozinha no movimento de marcha a ré. Há informações no setor de que a norte-americana AGCO reavalia a expansão da sua fábrica em Jundiaí. Mais contundente ainda pode ser a reação da indiana Mahindra. Corre no mercado que o grupo cogita adiar o projeto de construção de uma fábrica de tratores em Dois Irmãos (RS), orçada em R$ 100 milhões.
Diante das incertezas que cercam o agro, não parece ser a melhor hora para triplicar a produção no Brasil dos atuais três mil para mais de nove mil tratores por ano. Também procuradas, AGCO e Mahindra não se manifestaram até o fechamento desta matéria.
O mês de agosto foi de desgosto para a indústria de implementos agrícolas, trazendo um indesejável tira-gosto dos efeitos do tarifaço. Após nove meses consecutivos de alta, as vendas de máquinas caíram 8% na comparação com o mesmo mês em 2024.
O próprio setor já reviu a projeção de crescimento na comercialização de tratores, colheitadeiras etc. para este ano, dos 20% iniciais para algo próximo de 14%. Pode e deve piorar caso a “química” entre Lula e Trump fique só nas palavras.
Os fabricantes já trabalham com projeções de queda das vendas no primeiro semestre do ano que vem, caso o tarifaço sobre produtos agrícolas brasileiros persista. Até porque “química” por “química”, as sobretaxas norte-americanas e a manutenção da Selic nas alturas têm praticamente o efeito de um agente-laranja sobre o agro.
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