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As empresas do setor elétrico cansaram de perder dinheiro, queimado pelo sol ou levado pelo vento. Segundo uma fonte do setor, grandes grupos de geração solar e eólica – à frente Alupar, CPFL, Engie e Auren – estão se mobilizando para entrar na Justiça e exigir do governo ressarcimento pelas perdas sofridas em decorrência do curtailment.
O polêmico procedimento adotado pelo ONS, que determina a interrupção de usinas quando há risco de sobrecarga no sistema, já causou mais de R$ 6 bilhões em perdas às geradoras – R$ 3,2 bilhões apenas neste ano. Ao longo de 2025, a Alupar, por exemplo, teve 37% da sua produção de energia solar cortada sem compensação financeira. Por sua vez, a Auren, joint venture entre a Votorantim e a canadense CPP Investments, foi penalizada em 31% do insumo gerado. São as “campeãs” do apagão financeiro.
Procuradas pelo RR, Engie e Auren não quiseram se pronunciar sobre o assunto. Alupar e CPFL não retornaram até o fechamento desta matéria.
Quando a diplomacia fracassa, a guerra se torna, muitas vezes, inevitável. O “conflito armado”, neste caso, é o iminente contencioso entre o governo e um grupo de empresas que fizeram mais de R$ 50 bilhões em investimentos em geração renovável nos últimos três anos e esperavam um tratamento diferenciado.
No entanto, até o momento, as seguidas gestões junto ao Ministério de Minas e Energia e à Aneel na tentativa de revisão das regras do curtailment não avançaram. A Pasta e o órgão regulador parecem adotar a estratégia do “pisca-pisca”. Ora, acendem a possibilidade de uma solução; ora, apagam, com o argumento de que o risco de perda é inerente ao investimento realizado.
Foi o que o próprio ministro Alexandre Silveira disse publicamente na semana passada. Silveira chegou a sinalizar uma saída no meio do caminho. A proposta contemplava a possibilidade de ressarcimento às geradoras sempre que o desligamento das usinas se desse em razão de mau planejamento dos órgãos públicos – e não por falta de demanda por energia.
Parece mais a solução de quem não quer ou não sabe como solucionar. As empresas rechaçam essa hipótese. Enxergam que ela permitiria às autoridades públicas tirar o corpo fora e sempre justificar a interrupção da geração por erro do investidor e não por falha do próprio setor público.
Enquanto os grandes grupos privados e o governo não se entendem, o investimento estaciona. Neste ano, os aportes das empresas de energia devem somar R$ 113 bilhões, contra R$ 112 bilhões no ano passado. É a primeira vez em uma década que os valores devem ficar estagnados.
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