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Negócios
Derrotada no Cade, Petlove ensaia ofensiva judicial contra fusão Petz–Cobasi
27/01/2026A Petlove não se dá por vencida. Segundo informações apuradas pelo RR, os advogados da empresa avaliam entrar na Justiça contra a fusão entre a Petz e a Cobasi. A ação judicial poderá contemplar cenários distintos: revisão dos termos do acordo junto ao Cade, obrigações suplementares mais rigorosas ou, no limite, a anulação da aprovação do negócio. Procurada pelo RR, a Petlove não quis se pronunciar. A judicialização do caso surge como último expediente após as derrotas sofridas no âmbito administrativo. O Cade negou o recurso da Petlove contra o M&A. A companhia contesta as condições impostas pelo próprio órgão antitruste para a aprovação da fusão. Petz e Cobasi serão obrigadas a vender 26 lojas em São Paulo, na prática uma punição que terá, com o perdão da imagem, o tamanho de uma pulga para a dupla: as unidades em questão respondem por pouco mais de 3% do faturamento combinado das duas redes de pet shops. Além disso, a Petlove alega que os termos do acordo permitem a transferência dos ativos a um ou mais compradores por meio de contratos distintos, o que abre a possibilidade para que a venda das lojas se dê em momentos diferentes. Ou seja: Petz e Cobasi ainda poderão pagar o pedágio aplicado pelo Cade em “prestações”.
Destaque
Ameaça de take over paira sobre as negociações entre Petz e Cobasi
29/09/2023As negociações para o M&A entre a Petz e a Cobasi, as duas maiores redes de pet shops do Brasil, se transformaram em um jogo de cão e gato. Nos bastidores, as tratativas têm sido marcadas por movimentos sinuosos e uma certa dose de tensão. Nas últimas semanas, segundo o RR apurou, as conversas esfriaram pelo lado da Cobasi.
Para todos os efeitos, o motivo seriam divergências em relação à participação societária dos atuais acionistas das duas empresas na futura companhia. A família Nassar, controladora da Cobasi, não abre mão de uma posição majoritária. Por sua vez, o empresário Sergio Zimerman, fundador, CEO e maior investidor individual da Petz, com 27,5%, reluta em ter sua fatia diluída.
No entanto, há outra questão que traz uma voltagem adicional às negociações. Na Petz, o temor é que o recuo da Cobasi não passe de um blefe, uma camuflagem. A preocupação de Zimerman é que a concorrente esteja ganhando tempo para preparar uma oferta hostil pela companhia em bolsa. Há circunstâncias que facilitariam essa investida.
A Petz tem o controle pulverizado em mercado. E seu estatuto não prevê pílula de veneno, o que a deixa em uma posição vulnerável para uma proposta não solicitada – apenas a título ilustrativo, seu valor de mercado hoje é de R$ 2,1 bilhões. Ou seja: no tal jogo de cão e gato, a própria Petz se vê na incômoda posição de possível caça.
Existe ainda um terceiro e importante ator neste enredo: a Kinea Investimentos. O braço de private equity do Itaú Unibanco, dono de 8% da Cobasi, é apontado no mercado como um dos principais artífices do M&A. A gestora tem participado ativamente das conversações. É mais um motivo de atenção para a Petz, que enxerga uma postura um tanto quanto dúbia na Kinea. O private equity tanto pode ser um facilitador da fusão, incluindo a hipótese de um aporte de recursos na nova empresa, como um aliado da Cobasi em uma eventual tentativa de aquisição hostil. Procuradas pelo RR, Petz e Kinea não quiseram se manifestar.
A Cobasi, por sua vez, diz que “apesar de ter havido no passado conversas entre as companhias, não houve evolução e interesse para um acordo.” Perguntada especificamente sobre uma possível oferta não requisitada pela Petz, a companhia não se pronunciou sobre o tema.
Entre sístoles e diástoles, as conversas entre a Petz e a Cobasi ocorrem desde o fim do ano passado, quando esta última comprou a Mundo Petz e acirrou a concorrência pela liderança do segmento. O que está em jogo é a criação de um grupo com mais de 450 lojas, faturamento anual próximo dos R4 5 bilhões e uma participação de 15% no mercado de pet shops. Para efeito de comparação, a Petlove, a concorrente mais próxima da dupla, ficaria a léguas de distância, com uma receita da ordem de R$ 1 bilhão.