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No varejo farmacêutico, há uma boa dose de ceticismo em relação à reestruturação da Ultrafarma, do empresário Sidney Oliveira. Há cerca de duas semanas, a companhia anunciou que fechará suas sete farmácias e concentrará sua operação em uma nova “megaloja-conceito”. Quando e onde essa megaloja será aberta, não se sabe. Até agora, a empresa não revelou o local e o prazo do projeto, o que ajuda a alimentar dúvidas no setor. Pode até haver um excesso de má vontade entre os demais players do varejo de medicamentos, mas, no mercado, a percepção é que, em vez de uma reorganização efetiva de seu modelo de negócio, a Ultrafarma estaria adotando apenas procedimentos cosméticos para responder circunstancialmente a pressões de ordem fiscal, regulatória e reputacional. Em agosto do ano passado, cabe lembrar, Oliveira foi preso sob a acusação de participar de um esquema de pagamento de propina a auditores da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo e de ressarcimento indevido de créditos de ICMS.
A Ultrafarma se notabilizou nas últimas décadas por uma política agressiva de preços, com descontos superiores à média do varejo farmacêutico, o que sempre levantou ilações de seus concorrentes. A investigação deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) no ano passado colocou foco sobre a empresa e suas práticas. No setor, há dúvidas sobre a capacidade da Ultrafarma de manter a estratégia de preços que adotava antes da ofensiva do MP-SP. O RR encaminhou uma série de perguntas à empresa. A Ultrafarma limitou-se a responder mediante release encaminhado a toda a mídia, no qual confirma o projeto de concentrar sua “operação física em um único espaço de grande porte, que será instalado na Zona Norte de São Paulo, com mudança prevista para acontecer em curtíssimo prazo. Com cerca de 3 mil metros quadrados, a nova superloja contará, além da tradicional venda de medicamentos e serviços, com uma Ótica Ultrafarma e uma farmácia de manipulação”. Perguntada especificamente sobre seu modelo de negócios, sua política de preços e as acusações sobre sua participação em um suposto esquema de propinas, a companhia não se manifestou.
Algumas coisas talvez não mudem mesmo. Segundo informações que circulam no mercado, Sidney Oliveira já confidenciou a pessoas próximas que pretende manter a compra de horários em emissoras de TV abertas para veicular programas próprios, historicamente o principal pilar da estratégia de marketing da Ultrafarma. Rede TV e SBT sempre concentraram a maior parte dessas verbas. Por sinal, conforme dito pela própria companhia no release encaminhado à imprensa, foi em um jantar na casa de Íris Abravanel, viúva de Silvio Santos, com a presença de Luiza Helena Trajano e Luciano Hang, “conhecido como “Véio da Havan” (Sic), que a ideia de fechamento das farmácias e abertura de uma megaloja-conceito “começou a tomar forma”.
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