COP30: risco de ataques "piratas" a embarcações mobiliza Marinha e PF

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COP30: risco de ataques “piratas” a embarcações mobiliza Marinha e PF

  • 18/09/2025
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Além de todo o aparato de proteção dos chefes de Estado e da presença das Forças Armadas nas ruas de Belém, há entre as autoridades brasileiras uma preocupação em especial com a segurança dos rios da Região Amazônica durante a realização da COP 30. A Marinha e a Polícia Federal estão montando um esquema reforçado de patrulhamento para evitar o ataque de “piratas”, notadamente a navios que servirão como hospedagem temporária durante o evento, assim como a barcos de apoio carregados de combustível e outros suprimentos.

O foco maior de atenção das autoridades se concentra nos arredores e acessos ao Porto de Outeiro, na Ilha de Caratateua, a cerca de 20 km do centro da capital paraense. Entre outras embarcações, dois transatlânticos – MSC Seaview e Costa Diadema – cada um com capacidade para três mil passageiros, ficarão ancorados no porto.

As abordagens a navios e barcos na Região Amazônica são um crescente desafio às forças de segurança. O principal crime é o roubo de combustível, posteriormente vendido de forma clandestina ou usado para abastecer embarcações do crime organizado. Entre 2020 e 2024, quase dez milhões de litros foram furtados nos rios da Amazônia. Segundo dados do Instituto Combustível Legal (ICL), o prejuízo beira os R$ 100 milhões por ano.

Em contato com o RR, a Marinha confirmou ter um “planejamento específico” para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. A Força Naval informou que “o patrulhamento dos rios da Amazônia Oriental, que engloba a área onde ocorrerá a COP 30, é de jurisdição do Comando do 4° Distrito Naval. Esse Comando está integrado ao Comando Conjunto incumbido de prover a segurança naquele período”.

Para além da COP 30, que neste momento concentra as atenções das forças de segurança do país, há do lado da Marinha um claro esforço de combate a atividades criminosas na extensa e complexa malha hidrográfica da Amazônia. A corporação informou ao RR que o número de Patrulhas Navais (PATNAV) ao longo deste ano já supera em 16% o total de ações realizadas em 2024.

Além do aumento da presença na faixa de fronteira, a Marinha ressalta a realização de outras iniciativas: “Operação interagência na fronteira noroeste do país com uma ação no alto rio Juruá de forma conjunta com a Polícia Federal e o Grupo Especial de Operações em Fronteira do Governo do Estado do Acre; e operação combinada de controle fluvial na região da Tríplice Fronteira, junto com as Marinhas da Colômbia e do Peru”.

No campo das Operações Conjuntas e Interagências, a Marinha realizou a Operação Ágata – Comando Conjunto APOENA, “que neste ano teve o Com9DN como Comandante Operacional, coordenando tropas da Marinha do Brasil, Exército Brasileiro, Força Aérea e representantes de 10 agências governamentais dos níveis federal e estadual”.

Segundo a Força Naval, a Operação resultou no “prejuízo total de aproximadamente R$ 225 milhões ao crime organizado, destacando-se a neutralização de 34 dragas de garimpo ilegal na região fronteiriça Brasil-Colômbia”.

Também consultada pelo RR, a Polícia Federal não se manifestou.

#COP30

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