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O governo e grandes grupos da cadeia de proteína animal encontraram no “quintal” dos Estados Unidos uma rota de escape para mitigar o impacto da tarifa de 50% imposta por Donald Trump à carne brasileira. Segundo informações filtradas pelo RR, uma comitiva do Servicio Nacional de Sanidad, Inocuidad y Calidad Agroalimentaria, instância do governo do México responsável por autorizar a importação de alimentos, chegou ao Brasil para iniciar uma inspeção técnica em diversos frigoríficos.
Hoje, 35 unidades de abate têm permissão para exportar carne bovina para o mercado mexicano. No Ministério da Agricultura, a expectativa é que o órgão fitossanitário do México inicie o processo de homologação de até 14 estabelecimentos durante a visita ao Brasil. Com isso, esses frigoríficos deverão ser autorizados a embarcar carne bovina para o mercado mexicano ainda neste ano.
O aumento das exportações de carne bovina para o México é o primeiro e expressivo resultado prático da visita de uma comitiva do governo brasileiro, liderada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, à capital mexicana no mês passado.
Não por coincidência estão sentadas à mesa duas nações vítimas da fúria tributária de Donald Trump. Se o Brasil levou uma tarifa de 50% sobre mais da metade da sua pauta de exportação para os Estados Unidos, o México tem de digerir a alíquota extra de 25% sobre todos os produtos vendidos para o vizinho do norte, à exceção de petróleo e energia.
O estreitamento das relações comerciais entre os dois países, a começar pela agenda do agronegócio, desponta como um movimento de defesa e – por que não? – de ataque ao tarifaço trumpista. É uma estrada de mão dupla. No sentido inverso, o México discute contrapartidas como compensação ao aumento das compras da carne brasileira.
O Brasil deve ampliar as importações de atum daquele país. Há discussões também envolvendo a abertura do mercado brasileiro a frutas, como pêssego, e aspargos mexicanos. É o novo jogo no tabuleiro das relações internacionais.
Ao corroer os canais multilaterais, a política de Trump empurra um número cada vez maior de países a costurar seus próprios arranjos bilaterais, em alguns casos em um ritmo até mais acelerado do que fariam em condições normais de temperatura e pressão.
No caso específico da carne bovina, o Brasil já vinha em uma escalada nas exportações para o México. De janeiro a julho de 2025, os embarques totalizaram 67.659 toneladas, quase três vezes o volume registrado no mesmo período de 2024. Ou seja: uma média de 9,5 mil toneladas por mês.
Com a entrada em vigor das draconianas tarifas norte-americanas, já houve um aumento das vendas em agosto – cerca de 12 mil toneladas. Com o acordo costurado entre os dois países e a homologação dos novos frigoríficos, a estimativa no Ministério da Agricultura é que as exportações de carne bovina para o México cresçam 80% em 2026.
Em alguns cortes específicos, o mercado mexicano poderá se tornar o segundo maior destino do produto brasileiro, ultrapassando os próprios Estados Unidos e ficando atrás apenas da China.
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