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Acionistas da Fundição Tupy articulam coalizão contra ingerências do governo
A Fundição Tupy está tendo seus dias de Vale, ao menos no quesito governança. Fundos estrangeiros e nacionais vêm se articulando nos bastidores na tentativa de blindar a companhia das seguidas interferências do governo, que busca manejar os condões da gestão por intermédio da BNDESPar e da Previ. A reação é liderada pela Charles River. A gestora de Camilo Marcantonio tem buscado a adesão de outros acionistas para alterar o estatuto da Tupy. Já teria o apoio da Trígono Capital, dos investidores Werner Roger e Frederico Mesnik. Um ponto crucial é a mudança das regras estatutárias para a eleição dos integrantes do conselho de Administração e da diretoria. Charles River, Trígono e outros acionistas buscam diluir o peso do governo no board. Uma das ideias é restringir nomes que ocupem cargos públicos ou tenham vinculação partidária. Outra proposta aventada é aumentar o número de conselheiros independentes de dois para três ou até quatro. Os fundos cogitam também requerer a exigência de quórum qualificado no board para temas sensíveis, como alterações de regras de governança (independência, comitês, conflitos) e aprovação de reorganizações com potencial de mudança de controle. O desafio dos investidores é costurar uma “frente ampla” societária capaz de conquistar maior poder de voto e de veto no conselho. Charles River e Trígono, por exemplo, somam apenas 15% do capital. Do outro lado desse campo minado, BNDESPar e Previ detêm, juntas, 57% da Tupy. Procuradas pelo RR, Charles River e Trígono não se pronunciaram.
Se, na Vale, os movimentos mais agudos de ingerência da gestão Lula bateram contra um muro, vide a frustrada tentativa de nomeação de Guido Mantega para o conselho da mineradora, na Tupy a história tem sido diferente. O governo tem usado a BNDESPar e a Previ como aríetes para impor seus interesses na empresa. O caso mais recente se deu no mês passado com a decisão do braço de participações do BNDES de indicar o ministro da Defesa, José Múcio, como seu representante no conselho da Tupy. Em 2023, já havia ocorrido algo similar quando a BNDESPar aninhou no board da companhia Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, Vinicius Marques de Carvalho, titular da CGU, e Carlos Lupi, então ministro do Trabalho. Outro abalo sísmico na governança da Tupy ocorreu em março do ano passado, quando o governo conseguiu emplacar Rafael Lucchesi, então presidente do conselho do BNDES, no cargo de CEO da empresa.
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