Sucessão provoca fissuras no comando da HP Brasil - Relatório Reservado

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Sucessão provoca fissuras no comando da HP Brasil

  • 24/05/2010
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A sucessão no comando da HP no Brasil se tornou um pote de fel. A recente contratação de Oscar Clarke, tirado da Intel a peso de ouro, gerou uma onda de insatisfação no primeiro escalão da empresa, inclusive abrindo uma janela para possíveis deserções. A escolha frustrou a expectativa de que um executivo da casa fosse o eleito para substituir Mario Anseloni, que deixou a companhia para assumir a presidência da Itautec. Pelo menos assim rezava a tradição nos últimos anos. Em 2006, ao ser alçado ao posto de nº 1, Anseloni já contabilizava oito anos na HP. Seu antecessor, Carlos Ribeiro, permaneceu na companhia de 1976 a 2006 ? nos últimos oito anos, como presidente. Na bolsa de apostas da HP para a sucessão de Anseloni despontavam dois nomes: Claudio Raupp, vice-presidente de sistemas pessoais, e, principalmente, Célio Bozola, vice-presidente da área de Enterprise Services. Bozola ocupava interinamente a presidência da HP Brasil desde janeiro. O executivo não é exatamente um HP de formação; era presidente da EDS, comprada pelo grupo em 2008. No entanto, em pouco mais de dois anos, tornou-se um dos nomes mais influentes na gestão da subsidiária da HP, cuidando da estratégica área de outsourcing. Preterido, Bozola seria forte candidato a seguir os passos de Anseloni e deixar a empresa. Desde que Oscar Clarke assumiu a presidência, no início do mês, o exercício preferido dos executivos da HP é interpretar o significado da escolha de um forasteiro para o cargo. A leitura predominante é que a chegada de Clark vai reduzir consideravelmente a autonomia da subsidiária brasileira. A aposta é que os norte-americanos optaram por um executivo não “contaminado” pela cultura da empresa no país, abrindo caminho para uma ingerência maior da matriz. Um indício de que esta interferência será personificada em Oscar Clarke foi a decisão da matriz de centralizar nas mãos do executivo as áreas de desenvolvimento estratégico e novos negócios. Esta intervenção vem sendo ensaiada nos últimos meses e teria sido, inclusive, uma das principais razões para que Anseloni deixasse o comando da HP Brasil ? descontentamento, aliás, que é compartilhado por outros executivos. Em tempo: além do mal-estar doméstico, Clarke ainda precisa administrar a insatisfação dos parceiros comerciais da HP. No mês passado, a empresa lançou sua loja virtual, para a venda de produtos de varejo e equipamentos a pequenas e médias empresas. A decisão gerou descontentamento entre antigos distribuidores e grandes redes varejistas que passaram a ter a HP como concorrente.

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