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Ao contrário do que dizia Karl Marx, a s vezes a história se repete, e não necessariamente sob a forma de farsa. Que o diga o Carlyle, um dos maiores private equities do mundo. Cerca de dois anos após arquitetar a fusão da Ri Happy com a PB Kids, a gestora de recursos está prestes a replicar no próprio varejo a operação que deu origem a maior rede de lojas de brinquedos do Brasil. Dono de 60% da Tok & Stok, o Carlyle estaria mantendo negociações para a compra de seu maior concorrente, a Etna. A companhia pertence ao empresário Nelson Kaufman, também proprietário da rede de joalherias Vivara. De acordo com uma fonte envolvida no negócio, a Etna estaria avaliada em aproximadamente R$ 600 milhões. A cifra equivale a uma vez e meia o seu faturamento anual. Segundo a mesma fonte, Kaufman permaneceria na empresa, como acionista minoritário. Procurada pelo RR, a Tok & Stok disse apenas que “não confirmaria a informação”. Tanto na estratégia quanto no modelo, a investida sobre a Etna guarda enormes semelhanças com o script adotado pelo Carlyle no varejo de brinquedos. Se, na ocasião, o private equity usou a Ri Happy, da qual já era acionista, como ponta de lança para um projeto de consolidação do setor, desta vez este papel caberia a Tok & Stok. Ato contínuo, o fundo norte-americano se valeria da condição de acionista majoritário das duas redes varejistas para costurar sua fusão, trazendo a reboque os respectivos sócios minoritários – no caso da Tok & Stok leia-se o casal Regis e Ghislaine Dubrule, donos de 40% do capital. Esta engenharia societária resultaria na criação da maior rede de lojas de móveis e artigos de decoração do país. A dupla Tok & Stok e Etna soma quase 60 pontos de venda e uma receita anual superior a R$ 1,2 bilhão. Em tempo: reforçando ainda mais o tom de remake entre as duas operações, há quem aposte que o Carlyle escalará o executivo Hector Nunez para comandar o processo de integração entre a Tok & Stok e a Etna. Presidente da Ri Happy/PB Kids, Nunez desempenhou o mesmo papel na associação entre as duas redes. No caso da Etna, a negociação com o Carlyle pode colocar um ponto final na crônica de uma venda mais do que anunciada. Dentro da empresa, é notório que há tempos Nelson Kaufman procura um sócio ou mesmo um controlador para a rede varejista. Kaufman não esconde dos colaboradores mais próximos o desejo de se dedicar exclusivamente ao seu principal negócio, a Vivara. Além disso, a eventual venda da Etna traz embutida uma certa confissão de fracasso. Apesar de todos os esforços neste sentido, a companhia nunca conseguiu competir de igual para igual com a Tok & Stok. Seu faturamento equivale a um terço da receita da concorrente.
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