Linde se enche de gás para a compra da IBG - Relatório Reservado

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Linde se enche de gás para a compra da IBG

  • 29/07/2011
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Alvo de um bilionário processo no Cade – no qual é acusada de formação de cartel ao lado da White Martins, Air Liquide e Air Products – a alemã Linde está tentando dissipar a cortina de gás que envolve suas operações no Brasil. Mesmo sob risco de ter de pagar uma multa que pode chegar aos R$ 500 milhões, a companhia pretende mudar sua imagem no país valendo-se de um novo programa de investimentos. Os planos envolvem tanto o crescimento pelo greenfield – que consumirá cerca de R$ 200 milhões para a construção de cinco plantas industriais em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Paraná – quanto a aquisição de ativos. Neste caso, o objeto de cobiça é a IBG, empresa com sede em Jundiaí e controlada pelo empresário Newton de Oliveira. Tratase de um desejo antigo. No ano passado, os alemães teriam feito uma investida sobre a empresa, mas não chegaram sequer a apresentar uma oferta formal. Desta vez, voltam ao pote com sede redobrada. Digase de passagem, os alemães vão mesmo ter de caprichar no dote para ficar com a IBG. A empresa estaria sendo assediada por outras multinacionais do setor, como a francesa Air Liquide. Outro obstáculo é a resistência de Newton de Oliveira. O empresário sabe que tem uma pequena pepita de ouro nas mãos. Sempre que procurado, joga o jogo e diz que o negócio não está a  venda. No entanto, executivos próximos a Oliveira acreditam que sua real intenção seria pedalar o crescimento da companhia e vendê-la mais a  frente em condições bem mais vantajosas. Para a Linde, entretanto, o futuro é agora. A compra da IBG é tratada pelos alemães como um movimento estratégico no tabuleiro do setor. Com a aquisição, o grupo herdaria 15 unidades industriais em nove estados, a maior parte em São Paulo, e vendas anuais na casa dos R$ 130 milhões. No entanto, tão ou mais importante do que a incorporação dos ativos da IBG é o valor simbólico da operação. Com a compra, a Linde tiraria de circulação uma das últimas empresas de controle nacional ainda capazes de fazer diferença no ranking da indústria de gases industriais. A companhia paulista tem um market share em torno de 5%, fatia razoavelmente expressiva em se tratando de um setor no qual as três maiores empresas detém mais de 80% das vendas no país.

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