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O nome é Daniella Marques, mas pode-se chamar de Paulo Guedes. Pelo menos do seu ectoplasma a ex-presidente da Caixa desponta, desde já, como ministra da Economia em uma eventual gestão Flavio Bolsonaro. Vai repetir o modelo de czarismo multiministerial do ex-chefe e ídolo. Afinal, Guedes será uma sombra quase pétrea em sua gestão. Uma fonte do RR enfronhada inteiramente na campanha de Flávio Bolsonaro informou que o script do filme “Posto Ipiranga 2 – a missão” já está sendo encenado. A primeira parte foi encaminhada com o vazamento de que a ex-presidente da CEF será a ministra da Fazenda de Flávio, com sua aparição em eventos calculados. O segundo take serão os balões de ensaio de medidas que constarão do programa de governo – que, por sinal, já está pronto, aberto a pequenos arremates, como algumas medidas que empoderem mais a mulher. O programa apresentará mais do mesmo, enfeixado em um bordão bem polarizado, “Consertando a tragédia feita pelo PT para que o Brasil volte a crescer”. Parece até que foi idealizado por Paulo Guedes. O terceiro movimento será o lançamento do programa, aí com Guedes, de braços elevados com Flavio e Daniella, junto à claque do PL e a aliados. Fazendo-se uma associação rasteira, seria como se o jovem Bolsonaro fosse um Lula mequetrefe abraçado a Guedes, um guerreiro do status de José Dirceu, e Daniella meio que metaforizando uma candidata à estagiária de Antonio Palocci, ministro da Fazenda do Lula I. São duas santas trindades de araque das duas candidaturas. A partir daí Daniella vai bater perna sozinha e junto com Flávio. E tome seminários, entrevistas, webinars, redes sociais etc até as eleições. Com o fantasma de Guedes onipresente na campanha.
Nunca o jargão “É a economia, estúpido” será de tanta valia. Flávio não tem tantas mais opções a não ser bater na tecla de que os bons números de Lula são falsos e forjados às custas da destruição do país logo no primeiro mandato. Seu eleitor raiz já acredita nisso. Falta convencer o umbigo dos indecisos e principalmente a classe média, que, mesmo recebendo agrados, tem um ódio atávico do Lula, Em síntese, o trailer do filme na íntegra é que Daniella, na hora da onça beber água, será vista como a reencarnação de Guedes. O próprio ex-ministro já disse publicamente que está cansado e não volta para Brasília em “hipótese alguma”.
Na arquitetura idealizada no entorno de Flavio, a presença de Daniella à frente do Ministério criaria as condições, praticamente por osmose, para que Guedes tivesse ascendência sobre a condução da política econômica. A sintonia entre ambos vem de longa data e precede a coexistência no governo Bolsonaro. Daniella e Paulo Guedes foram sócios na Bozano Investimentos, hoje Crescera Capital. Antes, a economista havia sido sócia da Mercatto, uma das gestoras que se fundiram para formar a Bozano. Posteriormente, já no Ministério da Economia, Daniella chefiou a Assessoria Especial de Assuntos Estratégicos – a única mulher entre os 21 “supersecretários” nomeados por Guedes. Passou ainda pela Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade antes de assumir a presidência da Caixa.
Tamanho entrosamento entre Daniella Marques e Paulo Guedes é um ativo eleitoral para Flavio Bolsonaro – e como tal, já vem sendo usado. Daniella tem participado, conforme o calculado roteiro, de eventos de campanha do “01”, notadamente encontros com líderes empresariais, alimentando a percepção de que se trata de um nome forte para ocupar o Ministério da Fazenda em caso de vitória de Flavio nas urnas. A economista carrega a mesma senha liberal de Guedes para a Faria Lima. Mais do que isso: a mensagem implícita é de que, com Daniella no Ministério, Guedes estará próximo o suficiente para influenciar as diretrizes da área econômica. Flavio tem jogado com essa proximidade, valendo-se do frisson que o ex-ministro causa no imaginário do mercado e de dirigentes empresariais.
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