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Quem será o “Carlos Piani” da Copasa?
Com a Equatorial prestes a se tornar o acionista de referência da Copasa, o mercado já especula quem será o eleito para comandar a terceira maior empresa de saneamento do Brasil. O que se ouve nos bastidores é o que o nome dos sonhos do grupo seria o de Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do estado de São Paulo. Natália é hoje uma das autoridades mais influentes na agenda de concessões e obras públicas do país. À frente da Secretaria, foi personagem central na montagem da arquitetura regulatória, política e financeira que permitiu a privatização da Sabesp, da qual a própria Equatorial é investidora de referência. Em um paralelo quase automático, caberia a Natália uma missão similar à de Carlos Piani, o todo-poderoso CEO da Sabesp. Piani assumiu o cargo logo após a entrada da Equatorial no capital da empresa paulista, liderando um processo de choque de gestão, disciplina de capital e drástica mudança de cultura corporativa. Nada muito distante do que terá de ser feito na Copasa. No entanto, entre o desejo da Equatorial e a realidade há uma considerável distância, ainda mais em ano eleitoral. A contratação de Natália é vista como uma operação de altíssima dificuldade política. Ela ocupa uma posição estratégica no governo Tarcísio de Freitas, com status de “supersecretária”. Além disso, acumula o cargo com a coordenação da campanha de Tarcísio à reeleição.
Na bolsa de apostas para comandar a Copasa, outro nome citado no mercado nos últimos dois dias é o de Luciane Godinho Domingues, diretora de Regulação e Gestão de Energia da Sabesp. Antes de assumir o cargo, Luciane foi diretora de M&A e Novos Negócios da própria Equatorial entre 2017 e 2024. Ou seja: é uma “executiva da casa”. Independentemente de quem venha a ser o escolhido pela Equatorial, o fato é que o futuro CEO da companhia mineira terá de conduzir uma profunda reorganização empresarial. Para começar, a Copasa precisará investir bem mais do que os R$ 3 bilhões desembolsados no ano passado para acelerar obras de esgoto, tratamento e expansão da rede e atingir as metas do marco regulatório do saneamento. Sua cobertura de esgoto está em 80%, abaixo da exigência de universalização até 2033, com 99% de água e 90% de coleta e tratamento de esgoto. Outro desafio será reduzir as perdas operacionais. Hoje, o desperdício de água da empresa mineira gira em torno de 35%. Trata-se de um índice inferior à média do mercado nacional (40%), o que não chega a ser exatamente um feito dado o baixíssimo padrão de eficiência do saneamento brasileiro – o benchmark internacional é da ordem de 15%. Mais uma vez, a inevitável comparação mora ao lado: a Sabesp opera com perdas abaixo de 30%.
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