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O Grupo Votorantim e a CPP Investments ensaiam sua entrada em um novo setor, o de megabaterias, que deverá movimentar até R$ 50 bilhões nos próximos quatro anos. Segundo informação que circula em petit comité, os Ermírio de Moraes e a gestora canadense, que soma mais de US$ 600 bilhões em ativos, planejam disputar o primeiro leilão de sistemas de armazenamento de energia em baterias, programado pelo Ministério de Minas e Energia para junho. A investida no setor se daria por meio da Auren Energia, na qual Votorantim e CPP são sócios. Pode ser o investimento mais contundente da dupla na área de energia desde meados de 2024, quando a Auren comprou toda a operação da norte-americana AES no Brasil. O certame, que vem sendo estruturado pelo governo e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), deverá contratar cerca de dois gigawatts (GW) de potência em sistemas de armazenamento, capazes de entrar rapidamente em operação para equilibrar a rede em momentos de pico de consumo. Em termos de escala, trata-se de capacidade suficiente para abastecer uma cidade com algo próximo de seis milhões de habitantes. Analistas do setor estimam que os projetos associados ao leilão possam movimentar cerca de R$ 10 bilhões em investimentos. Consultada pelo RR, a Auren não quis comentar o assunto.
A investida nas chamadas megabaterias é mais um passo estratégico da Votorantim e da CPPIB em transição energética. A dupla já tem um expressivo estoque de investimentos no setor. A Auren opera um portfólio diversificado de ativos renováveis, incluindo hidrelétricas, parques eólicos e usinas solares, que somam cerca de 8 GW de capacidade instalada. Os Ermírio de Moraes e os canadenses são sócios também na Floen, um veículo de private equity voltado a investir em transição energética e soluções climáticas. Agora, miram em um mercado com forte potencial de crescimento, o de armazenamento em baterias. Segundo a International Energy Agency (IEA), a capacidade global de baterias estacionárias conectadas à rede alcançou cerca de 124 GW, um aumento de 12 vezes desde 2019. Somente no ano passado foram adicionados 63 GW de novos sistemas, reflexo da expansão acelerada de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica. Projeções da própria IEA indicam que a capacidade global de armazenamento em baterias poderá se aproximar de um terawatt (1.000 GW) até 2030. Como não poderia deixar de ser, esses números são energizados, sobretudo, pelas duas grandes potências do planeta. Nos Estados Unidos, o mercado avança em ritmo acelerado: o país instalou 18 GW de baterias em 2025 e projeta adicionar mais 20 GW neste ano. A China vai ainda mais longe: somente em 2025 incorporou cerca de 37 GW de capacidade de armazenamento, volume superior à soma das novas instalações registradas nos Estados Unidos e na Europa no mesmo período. No plano financeiro, o mercado global de baterias já supera US$ 150 bilhões por ano e tende a ganhar escala ainda maior.
No Brasil, o leilão é visto como o primeiro grande impulso para uma indústria ainda incipiente. O país conta hoje com cerca de 900 MWh de capacidade de armazenamento instalada ou contratada, volume considerado reduzido para um sistema elétrico cada vez mais dependente de geração solar e eólica. O governo espera atrair grandes grupos nacionais e internacionais para o certame. WEG, Axia (ex-Eletrobras) e Huawei estão entre os potenciais interessados.
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