Mercado
A face dupla do BTG no aumento de capital da Raízen
Nem tudo é o que parece ser no iminente aumento de capital da Raízen. O que se diz no mercado é que os R$ 3,5 bilhões que a Shell promete injetar na companhia não sairão integralmente do seu caixa. Parte relevante dessa equação financeira teria como origem o BTG Pactual. A entrada em cena do banco de André Esteves poderia se dar por duas vias complementares. A primeira seria a subscrição direta de ações no próprio aumento de capital, diluindo parcialmente a exposição econômica imediata dos dois controladores da Raízen. A segunda envolveria a concessão de financiamento estruturado à Shell para viabilizar o aporte, com garantias vinculadas às próprias ações subscritas. Nesse desenho, o BTG não apenas forneceria liquidez, como também poderia estruturar instrumentos conversíveis ou acordos de recompra que, na prática, abririam caminho para uma futura transferência parcial das ações ao banco. Ou seja: na prática, seria uma co-capitalização em trajes de empréstimo. A conferir.
Enquanto isso, o folhetim da capitalização da Raízen tem reviravolta atrás de reviravolta. Ontem, surgiu a informação, publicada pelo Valor, de que a Cosan não acompanhará o aporte. Já Rubens Ometto, dono da empresa, injetaria R$ 500 milhões na Raízen. Não custa lembrar que o BTG é sócio da Cosan. E não um sócio qualquer: no ano passado, investiu R$ 4,5 bilhões para ficar com um pedaço do capital e ajudar o grupo de Ometto a reduzir seu pesado nível de alavancagem. Ou seja: todos os caminhos parecem levar ao banco de Esteves.
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