Nem é o que parece ser no jogo societário do Pão de Açúcar

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Nem tudo é o que parece ser no jogo societário do Pão de Açúcar

  • 29/01/2026
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Na condição de minoritários ativistas do Grupo Pão de Açúcar (GPA), Hugo Fujisawa e Rafael Ferri falam por si ou são mímicos de terceiros? Essa é a pergunta que ricocheteia no mercado. A ofensiva da dupla, com a convocação da assembleia extraordinária de acionistas e a articulação para a indicação de até dois conselheiros, tem alimentado especulações de que ambos, na verdade, estão representando interesses alheios ainda não devidamente mapeados. Essa percepção ganhou ainda mais corpo com a proposta de derrubada da poison pill prevista no estatuto do GPA, formalmente apresentada por Fujisawa e defendida por Ferri. A extinção da pílula de veneno, que será levada à votação na assembleia prevista para 27 de março, permitirá que qualquer acionista tenha mais de 25% do GPA sem a necessidade de realizar uma oferta pública para a aquisição do restante do capital. Essa possibilidade tem suscitado uma segunda pergunta no mercado: Fujisawa e Ferri estariam dublando algum investidor ainda oculto na coxia ou personagens que já estão à vista de todos sobre o palco? Todos parecem estar dentro de uma sala de espelhos em que os reflexos mais confundem do que explicam. Por um lado, a retirada da poison pill possibilitará que qualquer player compre ações, monte uma posição relevante no capital e passe a disputar espaço com a família Coelho Diniz, hoje a principal acionista do Pão de Açúcar, com 24,6% do capital; por outro lado, o próprio clã pode ser o principal favorecido. O fim da cláusula de barreira permitiria aos Coelho Diniz aumentar sua fatia e consolidar sua posição hegemônica na gestão do grupo.

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