Uma nova carta embaralha o jogo societário no Pão de Açúcar

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Uma nova carta embaralha o jogo societário no Pão de Açúcar

  • 2/12/2025
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A governança do Pão de Açúcar é um pêndulo inquieto. Dois meses após a família Coelho Diniz se tornar a maior acionista e tomar o manche da companhia das mãos do Casino, um novo movimento aumenta a tensão societária na rede varejista: a entrada em cena de Silvio Tini, um dos maiores investidores ativistas do mercado de capitais no Brasil. Tini já adquiriu 3,5% do Grupo Pão de Açúcar (GPA) e segue comprando ações em bolsa, segundo uma fonte próxima a ele. Não apenas: estaria também buscando uma aproximação de outros importantes minoritários do Pão de Açúcar, a exemplo de Ronaldo Iabrudi e Ricardo Roldão, dono da Roldão Atacadista. Ambos detêm, respectivamente, 3% e 1,85%. A intenção de Tini seria montar uma composição com poderio suficiente para pleitear ao menos uma vaga no Conselho e participação ativa na gestão da rede varejista. O RR entrou em contato com a Bonsucex Holding, de Tini, e os Coelho Diniz, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Os Coelho Diniz observam cada passo do novo sócio com prudência e uma boa dose de preocupação. A julgar pelo seu track records, Silvio Tini não entrou no Pão de Açúcar para ser satélite de ninguém. O histórico mostra um investidor que não se contenta com papel figurativo na governança, vide, por exemplo, Alpargatas e Rossi Residencial, na qual trava uma disputa com a família Rossi, acionista controladora. Desde já, a potencial coalizão societária que Tini articula junto a outros minoritários desponta como um antagonista à família Coelho Diniz. Trata-se de uma possível ameaça ao jogo de forças e à hegemonia do clã na administração do Pão de Açúcar. Com 24,6% do capital, a família mineira, dona da rede supermercados de mesmo nome, costurou toda uma articulação e passou a ser majoritária dentro do board, posição que até então cabia ao Casino. Sim, nesse tabuleiro ainda há os franceses. O grupo segue em busca de um comprador para a sua participação no GPA, de 22,5%. É o pêndulo dentro do pêndulo: trata-se de uma fatia acionária relevante, capaz de fazer a governança do Pão de Açúcar se movimentar para um lado ou para o outro.

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