Governo quer usar COP30 como vitrine para projetos de infraestrutura

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Governo quer usar COP30 como vitrine para projetos de infraestrutura

  • 11/09/2025
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O governo Lula quer aproveitar a visibilidade da COP30, em Belém, para “vender” alguns dos principais projetos de infraestrutura da Amazônia e do Norte do país. A estratégia, conduzida pela Casa Civil em articulação com os Ministérios dos Transportes e dos Portos e Aeroportos, é reenquadrar empreendimentos estratégicos dentro de uma moldura ESG, de modo a atrair o financiamento de bancos multilaterais como Banco Mundial, Banco dos Brics e CAF (Corporación Andina de Fomento).

Segundo o RR apurou, entre outros dirigentes das agências de fomento, o governo já convidou formalmente para a COP o vice-presidente da área de infraestrutura do Banco Mundial, o chinês Guangzhe Chen. A instituição soma cerca de US$ 1,8 bilhão em recursos disponibilizados ao Brasil vinculados a metas de sustentabilidade. O Palácio do Planalto vislumbra a possibilidade de alavancar esse número sob a atmosfera política e diplomática da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas.

Não é um movimento trivial. O desafio do governo é virar pelo avesso projetos historicamente associados a controvérsias ambientais, reposicionando-os como oportunidades de desenvolvimento sustentável a partir de ajustes na sua concepção. As discussões envolvem empreendimentos que somam mais de R$ 50 bilhões.

Entre eles, está a polêmica Ferrogrão, orçada em mais de R$ 25 bilhões, e as concessões das hidrovias do Tocantins e do Madeira, que prometem ganhos logísticos expressivos, mas suscitam questionamentos sobre impactos nos ecossistemas aquáticos e comunidades ribeirinhas.

No balcão, há espaço também para empreendimentos na esfera estadual. É o caso da construção da Ferrovia do Pará, estimada em mais de R$ 10 bilhões. O traçado de 1,3 mil km entre Marabá e o porto de Vila do Conde é a menina dos olhos do governador Helder Barbalho, aliado próximo de Lula. Em 2019, Barbalho chegou a assinar um protocolo de intenções com a China Communication Construction Company para a implantação da ferrovia. Mas tudo ficou no campo das intenções.

O desafio do governo será conciliar o discurso verde com a execução de obras de grande impacto socioambiental. Enquanto o Planalto tenta vender as iniciativas como símbolos de uma nova logística de baixo carbono, pressões de ONGs, Ministério Público e órgãos de controle alertam para o risco de que, sob a embalagem ESG, repitam-se velhos dilemas: desmatamento, deslocamento de comunidades e fragilidades na governança de concessões.

A COP30, nesse sentido, é tanto uma janela de oportunidade quanto um campo minado, em que o Brasil terá de provar se consegue compatibilizar infraestrutura pesada com credenciais climáticas robustas.

#COP30

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