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A entressafra no segmento de venture capital se alastra. Segundo o RR apurou, a chinesa Didi está revendo seus investimentos no Brasil. A ordem é pisar no freio e reduzir os aportes no país, seja em novos negócios ou nas companhias em carteira. O recuo já se reflete nas empresas investidas. No mês passado, a startup de transporte urbano 99 fez uma série de demissões. Pelo tamanho dos investimentos, a inapetência dos chineses é mais um sinal de alerta no mercado de venture capital no Brasil: a Didi já aportou mais de US$ 300 milhões em empresas brasileiras.
A tragédia Yanomami é apenas a ponta do iceberg. Segundo o RR apurou, o ministro da Controladoria-Geral da União, Vinícius de Carvalho, articula com o TCU a realização de uma devassa mais ampla nos gastos do governo Bolsonaro com populações indígenas em todo o país. A intenção é ir além da auditoria instaurada às pressas pelo Tribunal de Contas da União em janeiro, concentrada basicamente nos recursos destinados às aldeias Yanomami. Políticas de saúde, envio de vacinas, construção de escolas, segurança, programas de apoio a atividades econômicas de subsistência, notadamente pesca e agricultura, etc. O governo Lula quer destrinchar todas essas cifras. Com a devassa, a CGU pretende produzir provas para criminalizar a gestão Bolsonaro pela situação de vulnerabilidade dos povos indígenas. A ideia é municiar o STF. O ministro do STF Luis Roberto Barroso já determinou abertura de investigação contra Bolsonaro e autoridades da sua gestão por possível crime de genocídio contra a comunidade Yanomami, processo este que pode ser estendido a outros territórios indígenas do país.
O alvo principal é Jair Bolsonaro. Mas há flechas apontadas também para seus colaboradores diretos. De acordo com a mesma fonte, CGU e TCU pretendem fazer uma investigação transversal, destrinchando não apenas a execução orçamentária da Funai, mas também a destinação de verbas de outros órgãos com impacto direto sobre as condições sociais nos territórios indígenas. Entram nesse rol, por exemplo, os Ministérios da Saúde, da Família e do Desenvolvimento Social e a Funasa (Fundação Nacional da Saúde). Vai sobrar até para o ex-vice-presidente da República, general Hamilton Mourão. Um dos focos da investigação será o Conselho Nacional da Amazônia Legal. Uma das atribuições do CNAL, comandado pelo general Mourão, era fiscalizar e combater ilícitos ambientais e fundiários em toda a Região, que concentra 424 Territórios Indígenas, ou o equivalente a 98% da extensão de todas essas áreas de proteção no país.
O episódio da fraude da contabilidade das Americanas será usado como um dos motes da campanha do governo para a revisão do limite de participação acionária na Eletrobras. Lula já iniciou os trabalhos, afirmando que vai defender com unhas e dentes o direito da União aumentar sua participação no capital votante da antiga estatal. O Estado soma uma montanha de recursos esterilizados, mas não tem poder de decisão. E é proibido de comprar uma única ação em mercado além do teto estatutário. Hoje, a União detém cerca de 40% do capital da empresa, mas apenas 10% das ações com direito a voto.
O modelo de capitalização adotado para a privatização da Eletrobras incluiu uma pílula de veneno, que restringe exatamente a 10% o total de ações com direito a voto que cada investidor pode deter. As decisões sobre a gestão da empresa são tomadas no Conselho de Administração, constituído pelos “acionistas de referência”. A 3G Radar, que tem entre seus controladores Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, através da associação com a 3G Capital, é acionista de referência da Eletrobras. Trata-se do maior detentor de ações preferenciais, com 10,8%. Ou seja, no atual modelo, hipoteticamente, caso firmasse parceria com o Banco Clássico, controlado pela controversa família Abdalla – uma instituição que possui patrimônio avaliado em pouco mais de R$ 5 bilhões e possui 5% das ações ordinárias preferenciais da ex-estatal –, e mais alguns fundos estrangeiros, a 3G Radar mandaria na Eletrobras.
Não há nada que impeça o trio de operar na compra e venda das ações, estando em posição privilegiada. Um exemplo de como funcionam essas operações se deu pouco depois da privatização. No dia 13 de fevereiro de 2021, Lemann e seus sócios venderam ações da companhia. No dia 25 de junho, recompraram. Nesse jogo de estica e encolhe, que se repetiu várias vezes, os “acionistas preferenciais”, hoje sob suspeição do mercado, reduzem um pouco sua quantidade de ações, e aumentam depois, e vice-versa, buscando sempre manter no mesmo patamar sua participação no capital votante. Um jogo simples, conhecido por iniciantes em operações com valores mobiliários. Questionada, a 3G informa “que não há qualquer acordo ou contrato regulando o exercício do direito de voto ou a compra e venda de valores mobiliários de emissão da companhia da qual a signatária seja parte”.
Lula, pelo que já disse, não concorda com o modelo em que o poder de decisão do Estado permanece diluído, independentemente da sua disposição em aumentar sua participação no capital da empresa. Uma solução para desbloquear a pílula de veneno está sendo pensada no BNDES. Lembrai-nos que foi no banco, sob o governo Lula, que o falecido Carlos Lessa, então presidente da instituição, montou uma engenharia de compra, através da BNDESPar, das ações da Vale. À época, com esse movimento, impediu a venda da mineradora para investidores externos. Por enquanto, o 3G, seja Capital seja Radar, de uma forma esperta, é quem dá as cartas.
A interminável novela da liquidação do Bancos Santos terá mais um capítulo nas próximas semanas. Segundo o RR apurou, 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo deverá julgar até o fim de março o agravo de instrumento interposto por Edmar Cid Ferreira. O ex-banqueiro pede a impugnação do acordo entre a massa falida do banco e o Grupo Caoa no valor de R$ 440 milhões. O pano de fundo é o antigo contencioso entre Cid Ferreira e o empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, morto em agosto de 2021. O banqueiro alega que a dívida da Caoa com o banco era muito maior, da ordem de R$ 1,6 bilhão. Não é a única briga do homem que quebrou o Banco Santos. Outro alvo constante de Cid Ferreira é o administrador da massa falida, Vânio Aguiar, a quem já acusou de enriquecimento ilícito e de fechar acordos danosos aos credores da instituição financeira.
O RR apurou que, um grupo de credores da Cultura, notadamente editoras, está se mobilizando com o objetivo de bloquear o patrimônio pessoal do empresário Sergio Herz, acionista majoritário da rede de livrarias. Não é uma tarefa simples: a lei brasileira prevê essa medida apenas quando o próprio acionista ofereceu bens de sua propriedade como garantia a créditos, o que não ocorreu nesse episódio, ou em caso de fraude. Nesta segunda hipótese, há um precedente por onde os credores pretendem caminhar. Em 2019, a pedido do Banco Original, dos irmãos Batista, a Justiça de São Paulo suspendeu a transferência de dois apartamentos de Herz para sua esposa. A doação, ressalte-se, ocorreu apenas 21 dias antes da Cultura entrar com pedido de recuperação judicial. Na semana passada, a Justiça decretou a falência da rede de livrarias, deixando no prelo mais de R$ 285 milhões em dívidas.
Corre a boca miúda dentro do Senado que o PSD, de Rodrigo Pacheco, já abriu as portas para a filiação de Romário. O Baixinho passou a ser visto como adversário pela ala bolsonarista do PL, seu partido. Ainda que Romário não tenha revelado publicamente sua escolha, todos dão como certo que ele votou no próprio Pacheco na eleição para a Presidência do Senado, preterindo o ex-ministro Rogério Marinho, candidato do PL e do ex-presidente Jair Bolsonaro. O eventual vira-casaca do ex-jogador teria um peso razoável na divisão de forças no Senado, consolidando o PSD como a maior bancada da Casa. O partido de Pacheco passaria a ter 17 senadores, contra 11 do PSL – por uma dessas ironias, o número da camisa que consagrou o Baixinho.
O carnaval da ministra da Cultura, Margareth Menezes, vai ter duas faces. De um lado, será a celebração da cantora em um cargo merecido. Margareth é ativista de diversos grupos culturais na Bahia e traz a representação do seu gênero e da sua cor. Por outro lado, haverá o patrulhamento do camarote da ministra, em Salvador, com questionamentos sobre patrocinadores e valores. Uma alternativa será suspender o camarote. Difícil. Outra, que parece ainda mais improvável, seria abdicar de qualquer sponsor. Seja como for, salve Margareth!
Desde a última sexta-feira, há um forte zunzunzum no mercado de que o Casino poderá ofertar em mercado mais um bloco de ações do Assaí. No fim de novembro, o grupo francês se desfez de aproximadamente 140 milhões de papéis, reduzindo sua participação na rede de atacarejo de 41% para 30,5%. Embolsou pouco mais de R$ 2,7 bilhões. Consultado pelo RR sobre uma nova oferta, o Casino não negou com todas as letras. Disse apenas que “não confirma” a informação. No mercado, ressalte-se, as atenções estão voltadas para o próximo dia 28 de fevereiro, data em que se encerra o lockup de 90 dias previsto na oferta anterior. Ou seja: já no dia 1 de março, o Casino estará livre para realizar uma nova venda em bolsa.
A dobradinha entre os Ermírio de Moraes e a CPP Investments na área de energia pode se estender para o setor de saneamento. O RR apurou que o fundo canadense estuda assumir o controle da Iguá Saneamento, da qual já é acionista, com 14,91%. Na operação, levaria junto o Grupo Votorantim, seu sócio na Auren Energia. Ambos comprariam ações da IG 4 Capital, atual controladora da Iguá. A gestora de recursos detém 58% do capital, por meio dos FIPs Iguá e Mayim. No setor há um forte burburinho de que a IG 4 estaria trabalhando com dois cenários: a redução da sua participação ou a venda integral das ações em seu poder.
A Copenhagen Infrastructure Partners prepara sua entrada no Brasil. A gestora dinamarquesa, dona de uma das maiores carteiras de ativos em energia verde do mundo, tem se movimentado para se associar a projetos em geração renovável no país, notadamente usinas eólicas e solares. De acordo com informações apuradas pelo RR, há conversas com um grande grupo brasileiro do setor, que reúne um portfólio da ordem de 40 GW, somando-se plantas já em operação ou em fase de desenvolvimento.
O Copenhagen Infrastructure Partners tem por regra investir em negócios no nascedouro, do zero. Seus números são hiperlativos. Ao todo, são mais de US$ 20 bilhões em investimentos globais, abrigados sob dez fundos de investimento. Por enquanto. O Copenhagen está lançando seu Fund V, ou seja, a quinta carteira da sua série principal de fundos. A meta é captar até US$ 15 bilhões, igualando-se ao Brookfield Energy Transition, até o momento a maior captação global já feita para projetos em energia verde.
Com parcela majoritária de seus negócios concentrada na Europa e nos Estado Unidos, o Copenhagen Infrastructure Partners começa a esticar seus tentáculos para novos mercados, notadamente Ásia e América Latina. No ano passado, associou-se a um projeto para a construção de um complexo eólico na cidade de Barranquilla, na Colômbia. Os dinamarqueses estão investindo também na produção de hidrogênio e amônia verde no Chile.
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