Repactuação das ferrovias da Vale é um trem fora dos trilhos

Infraestrutura

Repactuação das ferrovias da Vale é um trem fora dos trilhos

  • 9/04/2026
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O novo ministro dos Transportes, George Santoro, terá pouco menos de oito meses para tentar resolver um impasse que seu antecessor, Renan Filho, com todo o suporte político, não conseguiu em mais de três anos: destravar as negociações com a Vale para a repactuação das concessões da Vitória-Minas e da Estrada de Ferro de Carajás. Segundo informações apuradas pelo RR, não houve qualquer avanço nas últimas rodadas de conversas conduzidas por Renan. Há divergências de valores e de interpretação contratual das duas concessões. O ponto de partida da disputa remonta à renovação antecipada das concessões, concluída em 2020, quando a Vale pagou R$ 11,8 bilhões de outorga para operar as ferrovias até 2057. O governo atual sustenta que esse valor foi subavaliado e trabalha com estimativas de que seria possível extrair algo próximo de R$ 30 bilhões adicionais nessas revisões contratuais. Nas negociações mais recentes, a tentativa foi encontrar um meio-termo. A Vale já antecipou R$ 4 bilhões como sinal de boa-fé e discutia um novo desembolso de aproximadamente R$ 7 bilhões, o que levaria o pacote total a cerca de R$ 11 bilhões adicionais. Ainda assim, o governo considera o valor insuficiente diante das revisões de cálculo feitas pela área técnica.  O impasse não se limita à outorga. Há divergências relevantes sobre os investimentos associados às concessões. A Vale assumiu, por exemplo, a obrigação de construir um trecho da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), com custo estimado em cerca de R$ 2,7 bilhões, peça-chave para viabilizar o corredor Fico-Fiol. A empresa, no entanto, tentou reduzir sua participação ou substituir a execução por indenização — chegou a colocar na mesa uma compensação da ordem de R$ 1,3 bilhão, rejeitada pelo governo.

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