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Até onde vai a destemperança de Donald Trump? Ainda aturdidos com a iminência de um novo tarifaço, assessores do presidente Lula estão debruçados sobre diferentes cenários para a escalada de sanções quase terrorista do governo norte-americano. O mais violento golpe, quase um embargo, seria, no limite, que o Brasil viesse a ser excluído do Swift. Trata-se da rede internacional utilizada por mais de 11 mil instituições em mais de 200 países para liquidar pagamentos, transferências bancárias, operações de comércio exterior e transações entre bancos centrais. Seria o caos. Com o expurgo do sistema nervoso do mercado financeiro internacional, por exemplo, os bancos brasileiros ficariam alijados de processar operações internacionais, criando um choque de proporções inéditas para o comércio exterior, o câmbio e os fluxos de capitais. Mesmo que ficasse no território da ameaça, o balão de ensaio já seria uma catástrofe. Esse tipo de punição costuma ser adotado apenas em situações extremas, contra países acusados de ameaçar a segurança global, violar resoluções multilaterais ou praticar agressões militares. O caso mais emblemático é o da Rússia. Após a invasão da Ucrânia, em 2022, União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e aliados decidiram excluir bancos russos selecionados do Swift como parte de um pacote de sanções financeiras. Não consta que o Brasil tenha cometido qualquer ato passível de uma simetria punitiva com uma nação em guerra. Mas também não constava que o PCC e o CV eram organizações terroristas, que o Brasil sofreria uma nova onda de taxação, que trabalhadores brasileiros atuam em condições análogas à escravidão, ou que tenhamos qualquer semelhança com Cuba. Cabe tudo no realismo fantástico de Donald Trump.
Em 2012, bem antes da guerra entre Rússia e Ucrânia, sob forte pressão dos Estados Unidos e da União Europeia, bancos iranianos foram desconectados do Swift como parte das sanções ligadas ao programa nuclear de Teerã. O objetivo era estrangular a capacidade do país de receber pagamentos por suas exportações, acessar financiamento internacional e movimentar divisas. O resultado foi devastador: o comércio exterior iraniano encolheu, a moeda local mergulhou em uma espiral de desvalorização e o sistema financeiro passou a depender de arranjos alternativos, mais caros e menos eficientes.
O caso de Belarus seguiu lógica semelhante. Em 2022, após o apoio dado pelo regime de Alexander Lukashenko à invasão da Ucrânia pela Rússia, a União Europeia determinou a exclusão de importantes bancos bielorrussos da rede. A medida foi adotada em conjunto com congelamento de ativos, restrições comerciais e limitações ao acesso aos mercados de capitais internacionais. Embora o país não tenha sido completamente desconectado do sistema financeiro global, o corte dos principais bancos foi suficiente para elevar os custos das transações internacionais, reduzir o acesso ao crédito externo e aprofundar a dependência econômica de Minsk em relação a Moscou. O Brasil não é o Irã, tampouco a Rússia, nem remotamente Belarus. Talvez seja pior: o Brasil é o Brasil, alvo dos obsessivos e incompreensíveis ataques do governo Trump.
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