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O BTG desponta como um personagem-chave em uma dos maiores e mais controversas recuperações judiciais em curso no agronegócio brasileiro. Bancos credores do Grupo Safras trabalham com a possibilidade de conversão de dívidas em participação acionária. Entre as instituições financeiras, há um entendimento de que os controladores do conglomerado, Pedro Moraes Filho e Dilceu Rossato, têm pouca margem de manobra para a repactuação do passivo de R$ 1,8 bilhão.
Segundo a fonte do RR, o BTG seria o maior interessado na transformação de debt em equity e na consequente entrada no capital da companhia. Ao que parece, o banco enxerga um cavalo encilhado passando à sua frente. E, nessas horas, como bem se sabe, a casa bancária de André Esteves costuma usar esporas bem afiadas. Há uma notória sinergia entre o Safras, um dos maiores grupos de originação, processamento e armazenamento de grãos do Brasil, e a Engelhart Commodities Trading Partners (ECTP).
Trata-se da trading de commodities agrícolas do BTG. Sediada em Londres, a empresa movimenta mais de oito milhões de toneladas de grãos por ano. Em 2024, protagonizou uma das maiores emissões de Certificados de Direito Creditório do Agronegócio (CDCAs), levantando R$ 8,5 bilhões.
Ressalte-se que já existe um ponto de interseção entre o Safras e a Engelhart. Mais do que isso: uma amarra que aumenta a dependência do conglomerado agrícola em relação ao BTG. Uma das maiores unidades de processamento de soja do Safras, localizada em Cuiabá, opera quase que exclusivamente para a Engelhart. São fios que vão atando um lado ao outro e colocando o BTG em uma posição privilegiada em relação às decisões sobre o futuro da companhia agrícola.
Consta, inclusive, que recentemente o banco concedeu ao Safras uma carta de crédito “standby” no valor de US$ 6 milhões tendo como garantia um imóvel de acionistas da empresa. Procurado, o BTG não quis comentar o assunto. O RR enviou também uma série de perguntas ao Grupo Safras e fez seguidos contatos, por meio de sua assessoria de imprensa, mas a empresa não retornou até o fechamento desta matéria.
O processo de recuperação judicial do Grupo Safras está longe de ser algo simples. Trata-se de um imbróglio rumoroso, cheio de idas e vindas. Em maio, a juíza Giovana Pasqual de Mello, da 4ª Vara Cível de Sinop (MT), autorizou o pedido de RJ. Menos de duas semanas depois a desembargadora Marilsen Andrade Addario, do Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJ-MT), acolheu liminar de credores e determinou a suspensão do processo por irregularidades na documentação apresentada pelo grupo empresarial.
O Safras recorreu ao STJ, mas a Corte manteve a decisão da desembargadora. Paralelamente, o grupo tem sofrido outras derrotas na Justiça, incluindo o arresto de bens por credores. A própria unidade de Cuiabá que atende à Engelhart/BTG está no meio de um contencioso. A Carbon Participações conseguiu uma decisão judicial para assumir a gestão da fábrica. A Carbon administra a massa falida da Olvepar, empresa que era dona da planta e a arrendou para a Allos Participação.
Segundo a companhia, posteriormente a Allos teria subarrendado a instalação para o Grupo Safras sem autorização da Justiça. O Safras tenta recuperar a posse na Justiça.
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