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Além do setor de combustíveis, considerado o epicentro do esquema de lavagem de dinheiro do PCC, a Polícia Federal e a Receita estão imersas em outros negócios de fachada da facção criminosa.
Segundo informações filtradas pelo RR, a próxima ponta das investigações a vir à tona passa pelo envolvimento do Primeiro Comando da Capital com o varejo farmacêutico. O alvo da PF são pequenas redes de drogaria ou mesmo pontos de venda únicos, sem filiais, localizados na capital paulista, notadamente na periferia, abertos com a única e exclusiva finalidade de lavar dinheiro.
Estima-se que existam na cidade aproximadamente 760 farmácias “independentes”, ou seja, não pertencentes aos grandes e mais conhecidos grupos do setor. De certa forma, trata-se de um modus operandi similar ao adotado pelo PCC no mercado de combustíveis, no qual a atuação da organização criminosa está majoritariamente concentrada em postos de bandeira branca.
Consultada pelo RR, a Polícia Federal não se manifestou.
Há muitas “drogas” diferentes nesse frasco. O fio da meada puxado pela Polícia Federal envolve práticas criminosas cruzadas que vêm sendo usadas para facilitar a lavagem de dinheiro por meio de drogarias.
É o caso das fraudes ao Programa Farmácia Popular do Brasil. Em fevereiro deste ano, por exemplo, no âmbito da Operação Arthron, a PF identificou 28 farmácias usadas para inflar cadastros do Programa e receber medicamentos indevidamente do Ministério da Saúde. Ressalte-se que todas as drogarias estavam inscritas no Farmácia Popular, o que dava todo um ar de legalidade à operação.
De acordo com informações que circulam na própria Polícia Federal, outro expediente usado pelo PCC é a utilização de receitas falsas ou mesmo com a conivência de médicos para gerar vendas fictícias de remédios de uso controlado de alto custo.
Não é de hoje que a explosão do número de farmácias, especialmente nas grandes cidades, desperta suspeições – ver RR.
Naturalmente, o que mais salta aos olhos é a expansão das grandes marcas, caracterizada, inclusive, por um alto grau de sobreposição geográfica – não é raro ver duas ou até três lojas da mesma bandeira em uma única rua no espaço de 200 ou 300 metros.
No entanto, há também um boom silencioso, que passa despercebido. Das mais de 92 mil drogarias do país, cerca de 80 mil, ou seja 88%, não pertencem às 30 maiores redes do varejo farmacêutico.
Se, por um lado, denota o crescimento de uma atividade econômica que movimenta mais de R$ 110 bilhões por ano, por outro essa pulverização acaba servindo inevitavelmente como camuflagem para práticas criminosas.
Em São Paulo, o PCC monopoliza o crime; no Rio de Janeiro, por exemplo, o inimigo é outro. Em 2022, o Conselho Federal de Farmácia (CRF-RJ) estimava que mais de 1,2 mil drogarias no estado eram controladas pelo crime organizado.
De lá para cá, essa colônia de bactérias se multiplicou.
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