Arquivo Notícias - Página 68 de 1964 - Relatório Reservado

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Fundos fazem fila na bilheteria para comprar UCI no Brasil

23/01/2026
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Enquanto o “Agente Secreto” brilha no exterior, a Paramount Skydance quer distância do cinema brasileiro. O grupo mantém conversações com duas gestoras de private equity, uma norte-americana e outra brasileiríssima, para vender a rede UCI no país. São 29 complexos com 240 salas, espalhados por 14 cidades. Trata-se de um negócio com faturamento anual na casa dos R$ 400 milhões. Além do Brasil, a Paramount também colocou à venda seus cinemas na Argentina. O epílogo se deve à reorganização global da companhia, que surgiu em 2025 com a fusão entre a antiga Paramount Global e a Skydance Media.

#Cinema #UCI

Incompetência do Estado é o maior inimigo do sistema financeiro

23/01/2026
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Os problemas do Banco Master, um gigantesco corpo exposto em praça pública, acabam eclipsando o visceral imbricamento entre crime organizado e fintechs. Sim, esses novos micróbios do sistema financeiro são menos perceptíveis e não geram tantas manchetes, mas podem ser considerados mais perigosos devido à enorme dispersão e baixa visibilidade. São germes tremendamente resistentes, não somente pelo efeito pandemia, mas pela tibieza daqueles que deveriam vacinar a economia do seu contágio. A ampla malha de ilicitudes relacionadas às fintechs que contamina toda uma gama de instituições – do ecossistema do varejo a igrejas, postos de gasolina, empresas de transporte, entre tantos e tantos – se deve, e muito, à impunidade decorrente da ausência de cooperação entre instituições de regulação, fiscalização e repressão. Banco Central, CVM, Susep, Coaf, Receita Federal, Ministério da Justiça, Polícia Federal, Ministério Público, Abin, Secretarias de Fazenda e Judiciário, apenas para ficar nos entes principais, têm atuado um de costas para o outro. Em vez de uma operação integrada de Inteligência, o que se vê são organismos autônomos e desconexos. “Independência”, palavra que o próprio BC tanto gostar de evocar, tem limite.

Segundo o RR apurou, as poucas tentativas de um trabalho articulado e transversal têm partido do próprio sistema bancário. Ainda assim, são iniciativas que não conseguem tração, muito em razão da inércia dos próprios órgãos de Estado. É o caso, por exemplo, do acordo de cooperação técnica com o Ministério da Justiça no ano passado. A iniciativa não se restringiu ao óbvio, ou seja, aos próprios bancos. Envolveu empresas de tecnologia e de internet, players do varejo, plataformas digitais. Em suma: as mais diversas camadas de negócio envolvidas, em maior ou menor medida, na oferta digital de produtos e serviços, hoje um território praticamente sem lei, no qual se misturam fintechs de grande porte e golpistas de diversos calibres, sem que muitas vezes se saiba ao certo quem é quem. Ressalte-se que boa parte das fraudes financeiras começa em ambientes como redes sociais, aplicativos de mensagem e telefonia (falsas centrais, números pré-pagos etc). Ou seja: fintech não é sinônimo de contravenção. O problema é distinguir as enormes diferenças que vão além do vernáculo.

A interseção entre crime organizado e fintechs talvez não deva mais ser vista como um problema exclusivamente de ordem regulatória, o que por si só já seria grave. Não é exagero dizer que o uso dessa colmeia de instituições financeiras como lócus de circulação e lavagem de recursos ilícitos tornou-se uma questão de segurança nacional. Quem leu o artigo da jornalista Flávia Barbosa, na edição de ontem de O Globo, vai compreender como todas as instituições do país – todas, ressalte-se – estão sendo manchadas por essa falta de prioridade e cooperação dos organismos de Estado. O que está em curso é a consolidação de uma infraestrutura paralela de financiamento ilícito, capaz de sustentar, ampliar e sofisticar atividades típicas do crime organizado. Capaz, no limite, de financiar conflitos armados. Milícias, facções do tráfico, redes de estelionato e esquemas de lavagem de dinheiro operam hoje com lógica empresarial, amparados por canais digitais que oferecem velocidade, opacidade e pulverização de riscos.

Como em qualquer tema de segurança nacional, a resposta passa, antes de tudo, por Inteligência e comunicação. Crimes financeiros não são um fenômeno isolado: obedecem à mesma gramática do tráfico de drogas, do contrabando de armas e da atuação miliciana. Há cadeia de comando, financiamento recorrente, reinvestimento de lucros e ocupação de territórios — físicos ou digitais. Combatê-los com ofícios trocados entre autarquias, fiscalizações episódicas ou notas técnicas equivale a enfrentar organizações armadas com boletins administrativos. Sem integração de bases de dados, coordenação entre órgãos e capacidade de antecipação, o Estado atua sempre um passo atrás. Relatórios do Coaf, registros do Banco Central, dados fiscais, investigações policiais e processos judiciais seguem trajetórias paralelas, raramente convergentes. Inteligência fragmentada não produz dissuasão; comunicação descoordenada não gera autoridade. Enquanto isso, o crime opera exatamente onde o Estado falha: nas intersecções institucionais, nos vazios de competência e na lentidão decisória. Uma pena, porque o sistema bancário brasileiro lato sensu suou muito para ser considerado um dos mais sólidos do mundo. Mas não estamos falando de bancos e, sim, de outros animais que proliferam na “cauda longa da impunidade” – apud Flávia Barbosa. 

No ano passado, o Banco Central elaborou o primeiro esboço de uma regulação para as fintechs. Melhor do que nada, diria o Conselheiro Acacio. No entanto, ainda são muitas as vulnerabilidades e as brechas para que essas empresas sirvam como instrumentos para golpes e crimes financeiros – conforme o RR já alertou. No mercado, a percepção é que as últimas gestões do Banco Central – talvez por estarem mais focadas em competição do que nos riscos regulatórios e de segurança – têm permanecido anestesiadas diante da proliferação de agentes financeiros que não seguem a rígida regulamentação imposta aos bancos. Já são mais de três mil fintechs no Brasil. Calma! Nem todos são vilões nesse faroeste. Um exemplo da complexidade em questão: há quase mil instituições autorizadas a transancionar recursos via PIX. É quase impossível para o BC fiscalizar esse enxame. Neste ponto, reside uma zona cinzenta particularmente sensível: o acúmulo de papéis do Banco Central como regulador e, simultaneamente, como instituidor do PIX. Na prática, a mesma autoridade responsável por fiscalizar arranjos de pagamento, exigir padrões de segurança e definir protocolos de comunicação é também a criadora, gestora e promotora do principal sistema de pagamentos do país. Mais do que uma sobreposição administrativa, trata-se de um potencial conflito estrutural. O risco não é apenas regulatório, mas também comunicacional: em situações de crise, ataques coordenados ou falhas operacionais, quem decide o que comunicar, quando comunicar e com que intensidade — o regulador imparcial ou o “dono” do PIX?

Esse quadro de fragilidade é agravado pela ausência de um canal estruturado de alerta ao sistema financeiro. Em um ambiente sujeito a ataques coordenados — sejam cibernéticos, sejam de natureza fraudulenta —, inexiste hoje um mecanismo centralizado, rápido e confiável de comunicação de risco. Não há um “nível de alerta” capaz de mobilizar instituições simultaneamente diante de eventuais ameaças. O tema começou a ser tratado no âmbito da área de tecnologia da informação do Banco Central, mas ainda caminha de forma lenta, incompatível com a velocidade das ofensivas criminosas. As principais contribuições em termos de aprimoramento técnico têm saído dos próprios bancos, que investiram mais de R$ 47 bilhões em inovação no ano passado, e não do BC.

A sensação que fica é que o risco criminal inerente às vespas do sistema foi subestimado por órgãos de fiscalização e controle. Durante anos, prevaleceu a leitura de que a ampliação da concorrência e a redução de barreiras de entrada seriam, por si só, virtuosas. O resultado foi um ambiente inchado, heterogêneo e difícil de supervisionar. O combate ao crime não acompanhou essa expansão com a mesma intensidade nem com a urgência necessária.

Um dos pontos centrais ignorados pelo arremedo regulatório do Banco Central é a confusão entre barreira de entrada e supervisão contínua. As medidas anunciadas no ano passado de fato elevaram o capital mínimo exigido e instituíram a necessidade de autorização prévia para funcionamento. Isso, porém, atua apenas na porta de ingresso no sistema. Uma vez dentro, o acompanhamento cotidiano dessas instituições segue rarefeito, fragmentado e, em muitos casos, inexistente. Subir a régua de entrada não equivale a vigiar o jogo em andamento. Sem monitoramento permanente, auditorias frequentes e capacidade de intervenção tempestiva, o risco criminal não diminui — apenas muda de forma e de endereço.

Essa fragilidade se agrava nos elos intermediários da cadeia financeira. Os chamados integradores de sistemas, responsáveis por conectar múltiplas instituições e viabilizar operações para empresas médias e pequenas, tornaram-se um ponto cego da supervisão. São eles, segundo relatos do próprio setor, o “elo fraco” por onde passam ataques, vazamentos e esquemas de fraude. Ao oferecer infraestrutura compartilhada a agentes com menor escrutínio regulatório, esses integradores funcionam como corredores opacos dentro do sistema financeiro digital — espaços ideais para que o crime organizado explore justamente as intersecções entre prestadores, plataformas e usuários finais. Ainda que o Banco Central tenha imposto limites transacionais e exigências mínimas de capital a esse segmento, a fiscalização permanece insuficiente diante da complexidade, escala dessas operações e, principalmente, falta de uma ação cooperativa dos órgãos de Estado.

Outro exemplo de resposta mais simbólica do que efetiva é a tentativa de atacar o problema por meio da nomenclatura. A retirada do termo “banco” ou “banking” do nome de determinadas instituições reduz, é verdade, a assimetria de percepção do consumidor, que tende a associar o rótulo a segurança e solidez. Mas trata-se de um remendo sem profundidade. O “estelionato” não reside no nome estampado na fachada digital e, sim, na governança, nos controles internos, na origem do capital e na rastreabilidade das operações.

Por fim, há o fator talvez mais revelador da tibieza institucional: o gargalo de capacidade do próprio regulador. O Banco Central convive com uma extensa fila de pedidos de autorização e carece de recursos humanos, tecnológicos e orçamentários para dar conta do enxame de novos agentes financeiros que ajudou a criar. Faltam sistemas, falta escala, falta gente. A instituição tem um déficit de aproximadamente três mil servidores. Tanto descaso com o BC, por si só, já é um crime. Aliás, a julgar por esse descaso com a autoridade monetária, independente é o crime.

#Banco Central

Apagões em São Paulo provocam curto-circuito entre Silveira e Aneel

23/01/2026
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Corre em Brasília a informação de que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, estaria trabalhando nos bastidores para eletrocutar o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa. Silveira vem tentando empurrar a crise da Enel em São Paulo para a conta de Feitosa e de uma suposta omissão da agência reguladora. Ou seja: estaria fazendo coro com o governador Tarcísio Freitas e ao prefeito Ricardo Nunes, que pressionam pela cassação da licença da Enel São Paulo. Os seguidos apagões na maior cidade do país – e no território de Freitas e Nunes, dois adversários do governo Lula – colocam mais descarga elétrica na já conturbada relação entre Silveira e Feitosa. Há recorrentes episódios de desavenças entre ambos. Tem faíscas para tudo que é lado: das críticas do ministro a decisões da Aneel relacionadas a reajustes tarifários e à condução de processos sancionadores contra distribuidoras a divergências sobre o ritmo de análise de investimentos em transmissão e sobre a flexibilização de regras para distribuidoras em dificuldade financeira. O conflito também se reflete nas tentativas do ministro de ampliar sua influência sobre a agenda regulatória e resistência da Aneel em aceitar qualquer forma de tutela. A ver as cenas dos próximos capítulos na elétrica Brasília.

#Aneel #Ministério de Minas e Energia

Loggi busca mais munição financeira para ocupar espaço deixado pela FedEx

23/01/2026
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Há um burburinho no mercado de que a Loggi é candidata a realizar uma nova rodada de capitalização. Seria uma oportunidade de buscar novos investidores, que se juntariam a grandes fundos de venture capital que já estão dentro do negócio – casos de SoftBank, Monashees, GGV Capital e Microsoft. A movimentação se dá em um momento frenético do mercado de encomendas expressas no Brasil. Para o bem e para o mal. A FedEx, um dos gigantes mundiais do setor, acaba de anunciar que encerrará suas operações de entregas domésticas no país a partir de fevereiro. Por um lado, a saída de cena da companhia abre espaço para a concorrência, ao “desbloquear” a demanda de e-commerces e operadores logísticos que eram atendidos pelos norte-americanos e agora terão de realocar volumes e contratos de frete nacional; por outro, a desistência escancara a dificuldade de um negócio com margens cada vez mais apertadas. Nos últimos anos, a Loggi expandiu sua operação de forma agressiva, ampliando sua rede de coleta e entrega para mais de quatro mil cidades e implantando centenas de centros de distribuição e pontos de parceria. No entanto, fontes de mercado já sinalizavam, em rodadas de investimentos anteriores, a necessidade da empresa de reforçar sua estrutura de capital. Em setembro do ano passado, a Loggi fechou um financiamento de R$ 102 milhões junto à Finep, sua primeira capitalização desde 2021.

#FedEx #Loggi

Até quando a Telebras vai ficar depender do “cheque especial” do Tesouro?

23/01/2026
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Empossado na última terça-feira, o novo presidente da Telebras, Hermano Albuquerque assume com uma missão prioritária: tirar do papel a alardeada independência financeira da estatal, algo que seu antecessor, André Magalhães não conseguiu. Segundo informações filtradas pelo RR, uma das prioridades da nova gestão será aumentar a venda a terceiros de serviços por satélite na baixa órbita e média. A empresa também deverá fazer um esforço comercial para aumentar o volume de contratos para uso de sua rede de fibra óptica – um backbone de 30 mil km. Nos dois casos, o pulo do gato pode ser a busca de parcerias com players privados, com mais força no mercado.
E assim segue a Telebras, de reestruturação em reestruturação, em uma dízima periódica. No ano passado, a estatal assinou um contrato com o Ministério das Comunicações para se tornar uma empresa independente do repasse de recursos do Tesouro. Ressalte-se que essa autonomia não é tão autônoma assim, ao menos não por ora. A companhia tem uma série de contratos firmados com a administração direta e com outras empresas públicas federais. Trata-se de um suporte sem o qual a Telebras dificilmente conseguirá atingir a meta de duplicar seu faturamento em cinco anos, chegando à casa dos R$ 850 milhões. Além disso, a empresa ainda recebe subvenções. Ou seja: segue usando a conta e a senha do Tesouro. Outro desafio da gestão de Hermano Albuquerque é tirar a companhia do vermelho. É um trabalho lento e gradual. Ao menos, ele recebeu uma empresa menos deficitária do que em anos anteriores. Entre janeiro e setembro de 2025, a Telebras acumulou um prejuízo de R$ 82 milhões, contra R$ 205 milhões em igual período no ano anterior. Em tempo: se os seus principais projetos para a empresa não derem os resultados esperados, para se manter no cargo sempre restará a Albuquerque a possibilidade de apertar o botão vermelho e recorrer ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, responsável pela sua indicação.

#Telebras

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