Arquivo Notícias - Página 66 de 1964 - Relatório Reservado

Últimas Notícias

Mudança global ameaça ressecar investimentos da Heineken no Brasil

27/01/2026
  • Share
A troca de comando na matriz da Heineken acendeu um sinal de alerta entre os executivos da operação brasileira. Informações que chegam à subsidiária dão conta de que o novo CEO, Dolf van den Brink, assumiu com uma tesoura em cada mão e fará rigorosos cortes globais. O grupo adotará uma disciplina de capital mais rígida, com redução de investimentos. Talvez algumas operações da Heineken tenham mais dificuldades do que outras para se enquadrar nos novos tempos. Tudo indica que o Brasil corre esse risco. A era contracionista chega para frear um ciclo de relevantes investimentos no país, que tiveram seu auge com inauguração, em novembro do ano passado, da fábrica de Passos (MG), um aporte de R$ 2,5 bilhões. O momento do mercado interno empurra ainda mais a subsidiária brasileira para a linha de tiro de Amsterdã. Nos últimos 12 meses, o consumo de cerveja no Brasil acumula queda de 6%.

#cervejarias #Heineken #Investimento

Trump, Cuba e Brasil no cassino da geopolítica

27/01/2026
  • Share
De tão tortas que são, as linhas da geopolítica de Donald Trump conectam pontos que, a princípio, não teriam qualquer relação entre si. O que têm a ver, por exemplo, Venezuela, Cuba e o jogo no Brasil? Em teoria, nada; na prática, quase tudo. Ainda que por vias oblíquas, a discussão em torno da reabertura de cassinos em território brasileiro ganha novos contornos com os movimentos hostis de Trump na América Latina – os já realizados e, sobretudo, os que ainda estão por vir. A julgar pelo giro da roleta na região, se o Brasil pretende entrar na rota dos grandes investimentos internacionais no setor, já está passando da hora de o Congresso e o governo tratarem do assunto com a maturidade e a celeridade que ele exige. Sob risco de o país desperdiçar (mais) uma notória oportunidade de atração de capital externo. Basta interpretar as cartas na mão de Trump. Brilhante, como de hábito, o jornalista Elio Gaspari já enxergou o pôquer trumpista algumas mesas à frente – vide o artigo “O nome do jogo é Cuba”, publicado na Folha de S. Paulo e em O Globo no último dia 6: “A Venezuela tem petróleo, e a Colômbia tem um presidente de esquerda, mas a joia da coroa que Trump busca é Cuba. Derrubar o regime dos irmãos Castro é coisa que vários presidentes americanos perseguiram. Um regime comunista a 145 km da Flórida justifica malquerenças, mas, para Trump, um empresário do setor imobiliário, lá está um tesouro, maior do que todos os butins dos piratas que vicejavam no Caribe nos séculos passados”.
A queda do regime castrista – um fruto passado, que ainda se mantém presa à árvore sabe-se lá como – é o sonho de todos os grandes conglomerados que atuam no binômio hotelaria/cassino nos Estados Unidos. O imaginário desses investidores é povoado pela Cuba de Fulgêncio Batista, um grande salão de jogos e de entretenimento dos Estados Unidos. Se o então vice-presidente norte americano Dick Cheney era o braço da indústria petroleira na gestão de George W. Bush, Trump é a cabeça, corpo e membros do setor imobiliário e dos cassinos em seu próprio governo. A derrubada do que ainda sobrou do regime de Fidel e Raul Castro – depois que Nicolás Maduro foi arrancado de seus aposentos, tudo soa como factível – abriria caminho para uma invasão de dólares na ilha e uma das maiores ondas de investimento em turismo na história do Caribe. É aí que o Brasil entra nesse jackpot. Ou não. Quanto mais se posterga a discussão sobre a reabertura ou não dos cassinos, mais o país corre o risco de perder definitivamente o timing para a atração de recursos internacionais. Se Cuba entrar nesse game, talvez não sobrem nem as fichas mais miudinhas para o Brasil.
O que está em jogo, literalmente em jogo, são investimentos de R$ 150 bilhões, a geração de aproximadamente 1,5 milhão de empregos e uma arrecadação tributária da ordem de R$ 20 bilhões. Em tese, trata-se do potencial estimado das 34 licenças federais para a instalação de complexos hoteleiros integrados a cassinos previstas no projeto de lei 2.234/2022 – um empreendimento por estado, à exceção de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, com até três concessões previstas. De todas as proposições relacionadas ao tema que já passaram pelo Congresso, o PL em questão é o mais madura e que mais avançou nos trilhos do Legislativo. Aprovado na Câmara e em tramitação no Senado, prevê não apenas a abertura de cassinos, exclusivamente vinculados a projetos hoteleiros, mas também o funcionamento de bingos e a legalização do jogo do bicho. Em conversa exclusiva com o RR, o senador Irajá (PSD-TO), relator do PL 2.234/2022, vai direto ao ponto ao alertar que o Brasil disputa investimentos em um terreno cada vez mais concorrido. “O Japão, uma cultura extremamente conservadora, recentemente flexibilizou sua legislação para atrair investimentos em resorts integrados. A Tailândia tem atraído bastante interesse. Nova York fez uma grande licença para a exploração três cassinos, com investimento de US$ 9 bilhões”.
O fato é que o Brasil é um território insular na geoeconomia do jogo, como bem ressalta o senador. Ao lado da Arábia Saudita, uma nação muçulmana, figura entre os dois únicos países do G-20 que não autorizam cassinos. O isolamento brasileiro se reflete na própria América do Sul. O Brasil tem apenas a companhia da Bolívia na proibição. “Enquanto isso, nossos vizinhos, Uruguai, Argentina e Chile, já vêm surfando nessa onda já há muito tempo”, diz o parlamentar. E, nesse cenário, há o fator Cuba à espreita. “Essa é uma hipótese pertinente. O tempo dirá. O capital vai onde é mais atrativo”, afirma o parlamentar. O senador Irajá chama a atenção ainda para um paradoxo: “É indefensável ter cassino no celular, acessível a qualquer pessoa, inclusive de baixa renda, e proibir o cassino físico, que é justamente o modelo que gera investimento, emprego e controle. A proibição não elimina o jogo, apenas o empurra para a clandestinidade. “Hoje, 100% desse mercado está ilegal”.
No Brasil, o principal entrave à liberação dos cassinos é de ordem moral, o que se reflete dentro do Congresso. A bancada evangélica se coloca como a frente de resistência à aprovação da proposta. No fim do ano passado, o Senado rejeitou o requerimento para que o PL 2.234 tramitasse em regime de urgência. Haverá um novo pedido nesse sentido? “Precisamos fazer uma avaliação voltando do recesso, para ver como estão os colegas do Senado e, então, tomar essa decisão. A partir dessa análise, veremos se é possível pautar o projeto no início do semestre ou se aguardamos para termos um ambiente favorável”, afirma o senador Irajá. Enquanto isso, Trump segue embaralhando as cartas, girando a roleta da geopolítica e olhando para Cuba, sem sequer precisar de binóculos.

#Brasil #Trump

Derrotada no Cade, Petlove ensaia ofensiva judicial contra fusão Petz–Cobasi

27/01/2026
  • Share

A Petlove não se dá por vencida. Segundo informações apuradas pelo RR, os advogados da empresa avaliam entrar na Justiça contra a fusão entre a Petz e a Cobasi. A ação judicial poderá contemplar cenários distintos: revisão dos termos do acordo junto ao Cade, obrigações suplementares mais rigorosas ou, no limite, a anulação da aprovação do negócio. Procurada pelo RR, a Petlove não quis se pronunciar. A judicialização do caso surge como último expediente após as derrotas sofridas no âmbito administrativo. O Cade negou o recurso da Petlove contra o M&A. A companhia contesta as condições impostas pelo próprio órgão antitruste para a aprovação da fusão. Petz e Cobasi serão obrigadas a vender 26 lojas em São Paulo, na prática uma punição que terá, com o perdão da imagem, o tamanho de uma pulga para a dupla: as unidades em questão respondem por pouco mais de 3% do faturamento combinado das duas redes de pet shops. Além disso, a Petlove alega que os termos do acordo permitem a transferência dos ativos a um ou mais compradores por meio de contratos distintos, o que abre a possibilidade para que a venda das lojas se dê em momentos diferentes. Ou seja: Petz e Cobasi ainda poderão pagar o pedágio aplicado pelo Cade em “prestações”.

#Petlove

PF investiga rede de financiamento por trás da fuga de ex-diretor da PRF

27/01/2026
  • Share

O RR apurou que a Polícia Federal investiga a existência de uma rede de apoio que teria financiado o então foragido ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques. De acordo com uma fonte da PF, há evidências de que Vasques vinha recebendo regularmente recursos de dentro do Brasil, que ajudaram a custear sua breve passagem pelo Paraguai e sua frustrada tentativa de fuga para El Salvador. O ex-nº 1 da PRF foi preso no último dia 26 de dezembro em Assunção quando embarcava para o país da América Central com documentos falsos. A PF trabalha com a hipótese de que não se tratou de uma ação isolada, mas de uma estrutura minimamente organizada, montada para garantir a subsistência de Vasques fora do país e facilitar sua movimentação internacional. Bolsonarista de carteirinha, o ex-diretor da PRF foi condenado pelo STF por 24 anos e 6 meses de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Procurada pelo RR, a Polícia Federal não se manifestou.

#Polícia Federal

TCU aumenta a carga sobre diretor-geral da ANM

27/01/2026
  • Share

Como se não bastasse a oposição das empresas do setor, agora o diretor geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Sousa, tem contra si o TCU. Há uma crescente pressão dos ministros do Tribunal de Contas da União pela substituição de Sousa.  Os integrantes da Corte têm empilhado críticas à administração do órgão regulador, notadamente no que diz respeito à gestão e à distribuição dos recursos da CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais). As cobranças, que antes se limitavam aos bastidores, agora já são feitas, inclusive, à luz do dia. Não reunião plenária o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, disse textualmente: “Meu Deus, tudo o que acontece neste setor mineralógico do Brasil é escandaloso. Todo processo tem faltas”. A agência tem notórios problemas financeiros, que ameaçam até mesmo a realização de leilões de concessões no setor – conforme informou o RR . No entanto, intramuros, os ministros do TCU defendem que as insuficiências operacionais vão além da escassez de verbas e refletem falhas e inconsistências administrativas.

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima