Arquivo Notícias - Página 65 de 1963 - Relatório Reservado

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União Química planeja uma dupla injeção de recursos

28/01/2026
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Em busca de um tonificante para o seu caixa, a União Química trabalha com dois princípios ativos, não necessariamente excludentes. Em paralelo às negociações para a venda de parte do seu capital, que se desenrolam há pelo menos quatro meses, o laboratório farmacêutico avalia uma nova emissão de dívida. Segundo informações filtradas pelo RR, a operação se daria mediante o lançamento de debêntures. O que se diz à boca miúda no mercado é queque potenciais investidores já vêm sendo sondados. Seria a sétima emissão de títulos dessa espécie. Na mais recente, em abril do ano passado, a União Química levantou R$ 750 milhões. Some-se a isso a cifra que o empresário Fernando Marques, controlador da companhia, pretende amealhar com a venda de uma participação minoritária. As conversas com fundos nacionais e internacionais giram em torno de R$ 1 bilhão. A combinação entre emissão de equity e de debt se justifica pelo apetite expansionista do laboratório. A União Química está no páreo para comprar o Medley, um dos maiores fabricantes de medicamentos genéticos do país, colocado à venda pela francesa Sanofi.

#recursos #União Química

Campos Neto precisa ser ouvido. Para o bem da sua própria reputação

28/01/2026
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Enquanto todas as atenções estão voltadas para os problemas do Banco Master, há muito mais vilania do que aquela percebida por leitores ávidos de manchetes espalha brasas. O sistema financeiro virou um vespeiro devido ao aparente descompromisso de atores possivelmente compromissadíssimos. Após passar pela porta giratória que separa o serviço público da iniciativa privada, o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto, vice-chairman do Nubank, é hoje o maior dos favorecidos pela negligência do Banco Central na regulamentação das fintechs. Queira-se ou não, o ex-nº 1 da autoridade monetária, resistindo, inclusive, à pressão dos 10 maiores bancos do país, está no epicentro da onda de suspeições em torno da boa vida dessas engenhosas instituições financeiras. Uma boa vida tão grande que permitiu o entrelaçamento de muitas delas com o crime organizado.

À frente do Banco Central, Campos Neto relutou o quanto pode em regulamentar as fintechs, mesmo com todos os indícios, já àquela altura, que debaixo desse angu financeiro amontoavam-se caroços. A primeira dessas fintechs, instituições que funcionavam como bancos sem serem bancos, foi autorizada a operar em 2018, um ano antes de Campos Neto assumir o cargo. Legado de Ilan Goldfajn, então à frente da autoridade monetária. Mas foi sob a administração de Campos Neto que o enxame começou a ganhar forma e tamanho. Em 2019, quando tomou posse, o Brasil chegou a 533 fintechs. Em dezembro de 2024, quando o bastão passou às mãos de Gabriel Galípolo, eram mais de três mil. Esse número cresceria de qualquer maneira? Talvez. Mas com os devidos antibióticos a colônia de bactérias que acabaria por contaminar a reputação do próprio sistema financeiro poderia ser controlada.

Essas vespas acumularam dinheiro como poucos, pois deitaram e rolaram na assimetria regulatória, que as deixava praticamente livres de compromissos de aportar reservas, seguir resoluções, vender outros serviços como os bancos de verdade etc. Muito apartamentinho de quarto e sala virou fintech, enquanto as casas dos donos eram verdadeiras mansardas. Acumulação de capital não volta; vira concentração de renda, a não ser que seja constatado crime. Hoje não há sequer um cadastro confiável do número de instituições que estão na fronteira de serem fintechs quanto mais na ilegalidade. Talvez venham a virar bancos no nome, com compromissos perfunctórios, conforme ocorreu até agora, devido à estranha desregulamentação do BC.

Em 2020, o RR teve acesso a um relatório encomendado por uma das seis maiores instituições financeiras do país sobre os desafios do sistema bancário na década. Eram 60 páginas, tendo como consultores um ex-diretor do BC e um técnico da CVM. Àquela altura, o segundo maior motivo apontado para a insônia dos bancos que honravam o sistema era a assimetria regulatória das fintechs. Eram os primórdios do “vou me dar bem” elidindo as regras. O uso dessas empresas para práticas ilegais ainda estava na adolescência.

Uma dúvida que ninguém consegue tirar: por que o Nubank – poderia se chamar adequadamente “Nobank” – não foi considerado uma instituição bancária logo na partida? Na verdade, o Nubank nunca quis ser banco e, sim, continuar fintech. Seu período de maior ascensão patrimonial foi durante o período de 2022 e 2024. Um crescimento obsceno. Em maio de 2022, ultrapassou o Itaú como o banco mais valioso do Brasil e com maior número de clientes. Campos Neto estava lá sentado na cadeira de autoridade monetária e bradando que sua principal agenda era aumentar a competitividade bancária. Conseguiu, mas por uma via transversa e controversa, deixando a sanha das fintechs avançar a passos largos.

Roberto Campos Neto exerce hoje os cargos de vice-presidente do conselho de administração e chefe global de políticas públicas do Nubank, função que assumiu em 1.º de julho de 2025. É um craque. Merece as melhores cadeiras no setor privado. Mas numa pandemia financeira como a atual, todo mundo tem de ser ouvido. Principalmente quem deixou a cavalgada das fintechs correr solta. Até para que Campos Neto possa se livrar da pecha de ter sido um árbitro premeditadamente parcial, uma espécie de sócio oculto da fintech titânica, agora banco, da qual é declaradamente o manda-chuva. Por muito, muito menos, comentaristas, fofoqueiros e suspeitos tocaram piano na PF, gravando suas digitais por ocasião da debacle dos bancos Bamerindus, Nacional e Econômico.

#Roberto Campos Neto

Atlas busca aporte internacional para viabilizar projetos de minerais críticos

28/01/2026
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O que se diz em petit comité no setor de mineração é que a Atlas Critical Minerals abriu conversas com fundos de investimento internacionais na busca por um aporte de capital. A venda de uma participação acionária surge no radar com o objetivo de viabilizar os projetos da empresa na exploração de minerais críticos, notadamente terras raras, grafite de alta pureza e outros insumos estratégicos. Em janeiro, a companhia, controlada pelo investidor brasileiro Marc Fogassa, realizou um IPO simbólico na Nasdaq, precificando sua oferta inicial a cerca de US$ 8 por ação e levantando US$ 9,6 milhões. A operação serviu como um termômetro para dimensionar o apetite dos investidores por uma colocação de papéis à vera. Os projetos da Atlas no Brasil se concentram em Minas Gerais e Goiás, com foco em terras raras — essenciais para ímãs de alta performance, veículos elétricos e aplicações industriais estratégicas —, grafite de grau nuclear, titânio, cobre e urânio, além de uma frente de minério de ferro no Quadrilátero Ferrífero, que começou a gerar receita em 2025 e é vista como uma fonte de caixa inicial para sustentar iniciativas de maturação mais longa.

#Atlas

Será que a Ultrafarma tem um remédio para a desconfiança do mercado?

28/01/2026
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No varejo farmacêutico, há uma boa dose de ceticismo em relação à reestruturação da Ultrafarma, do empresário Sidney Oliveira. Há cerca de duas semanas, a companhia anunciou que fechará suas sete farmácias e concentrará sua operação em uma nova “megaloja-conceito”. Quando e onde essa megaloja será aberta, não se sabe. Até agora, a empresa não revelou o local e o prazo do projeto, o que ajuda a alimentar dúvidas no setor. Pode até haver um excesso de má vontade entre os demais players do varejo de medicamentos, mas, no mercado, a percepção é que, em vez de uma reorganização efetiva de seu modelo de negócio, a Ultrafarma estaria adotando apenas procedimentos cosméticos para responder circunstancialmente a pressões de ordem fiscal, regulatória e reputacional. Em agosto do ano passado, cabe lembrar, Oliveira foi preso sob a acusação de participar de um esquema de pagamento de propina a auditores da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo e de ressarcimento indevido de créditos de ICMS.

A Ultrafarma se notabilizou nas últimas décadas por uma política agressiva de preços, com descontos superiores à média do varejo farmacêutico, o que sempre levantou ilações de seus concorrentes. A investigação deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) no ano passado colocou foco sobre a empresa e suas práticas. No setor, há dúvidas sobre a capacidade da Ultrafarma de manter a estratégia de preços que adotava antes da ofensiva do MP-SP. O RR encaminhou uma série de perguntas à empresa. A Ultrafarma limitou-se a responder mediante release encaminhado a toda a mídia, no qual confirma o projeto de concentrar sua “operação física em um único espaço de grande porte, que será instalado na Zona Norte de São Paulo, com mudança prevista para acontecer em curtíssimo prazo. Com cerca de 3 mil metros quadrados, a nova superloja contará, além da tradicional venda de medicamentos e serviços, com uma Ótica Ultrafarma e uma farmácia de manipulação”. Perguntada especificamente sobre seu modelo de negócios, sua política de preços e as acusações sobre sua participação em um suposto esquema de propinas, a companhia não se manifestou.

Algumas coisas talvez não mudem mesmo. Segundo informações que circulam no mercado, Sidney Oliveira já confidenciou a pessoas próximas que pretende manter a compra de horários em emissoras de TV abertas para veicular programas próprios, historicamente o principal pilar da estratégia de marketing da Ultrafarma. Rede TV e SBT sempre concentraram a maior parte dessas verbas. Por sinal, conforme dito pela própria companhia no release encaminhado à imprensa, foi em um jantar na casa de Íris Abravanel, viúva de Silvio Santos, com a presença de Luiza Helena Trajano e Luciano Hang, “conhecido como “Véio da Havan” (Sic), que a ideia de fechamento das farmácias e abertura de uma megaloja-conceito “começou a tomar forma”.

#Ultrafarma

Alcolumbre aponta a arma da CPI contra o Palácio do Planalto

28/01/2026
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) atua nos bastidores para prorrogar por mais 60 dias os trabalhos da CPI do INSS, em um movimento que acirra a guerra de nervos entre o Congresso e o Palácio do Planalto em pleno ano eleitoral. A comissão já reúne assinaturas suficientes para estender as investigações, e caberá a Alcolumbre dar o aval formal ao pedido. No ambiente político, a leitura é de que a manutenção da CPI interessa ao Senado como instrumento de pressão sobre o Executivo. A apuração, que investiga um esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas, tem insistido em avançar sobre áreas sensíveis ao governo Lula. Integrantes da comissão avaliam que a CPI não deve se limitar à burocracia do INSS e mira também relações políticas e empresariais orbitando o poder. Nesse contexto, a investigação passou a triscar os calcanhares do presidente ao tocar em personagens ligados ao seu entorno, incluindo referências recorrentes a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em linhas de apuração que envolvem contratos, entidades e operadores investigados. No Planalto, a prorrogação é vista como um gesto hostil do Congresso, capaz de manter o tema vivo no noticiário durante a campanha eleitoral e, com isso, manter um instrumento de barganha contra o governo. Afinal, não é para isso que serve uma CPI?

#Davi Alcolumbre

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