Arquivo Notícias - Página 54 de 1963 - Relatório Reservado

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Capitânia monta plataforma para consolidar shoppings no Nordeste

12/02/2026
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É tudo ao mesmo tempo agora na Capitânia. Em meio a uma reestruturação societária, com a saída de Arturo Profili, um de seus fundadores, a gestora estica seus tentáculos na área de real estate. Abriu conversas com investidores estratégicos do setor de shopping centers — com foco especial no Nordeste — para ampliar a base de cotistas do Midway Mall FII e criar musculatura financeira para uma nova rodada de aquisições. Segundo interlocutores próximos às tratativas, a gestora tem apresentado o fundo como uma plataforma de consolidação regional, voltada à compra de shoppings de médio e pequeno porte, em mercados com baixa concorrência e forte dependência de consumo local.
O plano é usar o Midway Mall, adquirido por cerca de R$ 1,6 bilhão, como ativo âncora de um veículo capaz de capturar ganhos de escala, diluir custos operacionais e elevar poder de barganha com lojistas e fornecedores. A estratégia passa por atrair investidores institucionais e family offices com ativos próprios, interessados em aportar shoppings ao fundo em troca de cotas — movimento que reduziria desembolso de caixa e aceleraria a expansão. Na mira estariam centros comerciais em capitais e cidades médias do Nordeste, como Paraíba, Pernambuco, Ceará e Alagoas, além de polos regionais no interior da Bahia e do Rio Grande do Norte. O foco recai sobre ativos com ABL entre 15 mil e 35 mil m², tíquete médio acessível e potencial de reancoragem. Estimativas de mercado indicam que esse segmento movimenta negócios na faixa de R$ 300 milhões a R$ 800 milhões por ativo, dependendo do estágio de maturação.
Fundada em 2015, a Capitânia administra cerca de R$ 20 bilhões em ativos, com atuação concentrada em crédito estruturado, real estate e ativos estressados. A gestora ganhou escala nos últimos anos ao combinar estratégias de renda recorrente com operações oportunísticas, mantendo presença relevante em fundos imobiliários, crédito privado e veículos dedicados a situações especiais.

#Capitânia #Nordeste

A última dança de Alberto Griselli na TIM Brasil?

12/02/2026
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A compra do controle da I-Systems, anunciada ontem pela TIM Brasil – e antecipada pelo RR na última terça-feira -, pode ter sido a última grande operação sob o comando de Alberto Griselli. Corre em petit comité no setor de telefonia a informação de que a Telecom Italia prepara mudanças na gestão da subsidiária brasileira, com a possível saída de Griselli do cargo de CEO. A troca estaria relacionada a divergências entre o executivo e o chairman da TIM Brasil, Nicandro Durante. Há relatos também de ruídos com o CEO global do grupo italiano, Pietro Labriola, segundo uma fonte próxima à companhia. Curiosamente, ao assumir a presidência da operadora no Brasil, Griselli substituiu o próprio Labriola. As discordâncias estariam relacionadas a decisões estratégicas e à gestão financeira, de acordo com a mesma fonte. Nos últimos dois dias, o RR fez várias tentativas de contato com a TIM Brasil, por meio de sua assessoria, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Também pesaria contra Griselli um histórico de relações turbulentas com integrantes da diretoria. Durante sua gestão como CEO, importantes executivos deixaram a TIM Brasil. Um exemplo emblemático é Renato Ciuchini, que ocupou a vice-presidência de Inovação entre 2022 e julho de 2025. Línguas ferinas de dentro da própria TIM dizem que Ciuchini era uma liderança capaz de desafiar a renovação do mandato de Griselli pela matriz. Consta que o CEO da TIM Brasil prefere governar com colaboradores mais low profile, que não trisquem seu protagonismo. É o caso da diretora financeira, Andrea Palma Marques, e da diretora jurídica, Fabiane Reschke, bastante próximas a Griselli.

Em tempo: caso sua saída se confirme, Alberto Griselli, no cargo desde janeiro de 2022, deixará para seu sucessor uma empresa maior do que aquela que recebeu. Entre 2021 e 2025, a receita da TIM Brasil saiu de R$ 18 bilhões para R$ 26,6 bilhões, alta de 47%. No mesmo período, o Ebitda, por sua vez, subiu de R$ 8,7 bilhões para R$ 13,5 bilhões, um salto de 55%. O lucro da companhia praticamente dobrou: de R$ 2,2 bilhões em 2021, último ano pré-Griselli, para R$ 4,3 bilhões em 2025.

#TIM

Em meio a prejuízos, Femsa reavalia futuro da Oxxo no Brasil

12/02/2026
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A solidão societária da Femsa na operação da Oxxo no Brasil seria apenas um rito de transição. Segundo informações filtradas pelo RR, os mexicanos avaliam vender parte ou mesmo integralmente o controle da rede de lojas de conveniência. A Femsa se viu forçada a assumir 100% do capital com a decisão da Raízen, sua sócia, de deixar o negócio – informação antecipada pelo RR. A Femsa trouxe a operação para o Brasil sonhando alto, com a meta de abrir cinco mil lojas. Parou em pouco mais de 600. Consta que a rede varejista tem operado no vermelho desde 2022 – somente nos anos de 2023 e 2024, as perdas acumuladas passaram dos R$ 410 milhões. Nos últimos três anos, o grupo mexicano e a Raízen tiveram de aportar cerca de R$ 150 milhões para cobrir os prejuízos e sustentar os investimentos em expansão. A joint venture entre Cosan e Shell, que já tem seus próprios problemas, desistiu de enxugar gelo. E a Femsa também não está mais disposta a tampar as fissuras no dique com os próprios dedos. Consultado, o grupo mexicano não retornou.

#Oxxo

Incentivos à solar e eólica expõem Planalto a pressão cruzada

12/02/2026
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O governo está como uma concha na disputa entre o rochedo e o mar em meio à celeuma dos subsídios às fontes incentivadas de energia. De um lado, é imprensado por investidores e desenvolvedores do setor elétrico, que cobram a manutenção da previsibilidade regulatória que sustenta projetos bilionários em solar e eólica. Entre os interessados estão grupos como Casa dos Ventos, Voltalia, Enel Green Power, Neoenergia e plataformas apoiadas por fundos como a Brookfield Asset Management e a Actis. No lado oposto, está o Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou irregularidades na portaria publicada pelo Ministério para regulamentar a MP 1212/2024, que estendeu prazos para a entrada em operação de usinas incentivadas com subvenções.

Os grupos privados alegam que estruturaram investimentos considerando descontos nas tarifas de uso da rede, que podem chegar a 50% para fontes incentivadas, reduzindo significativamente o custo de escoamento da energia e impactando diretamente a taxa interna de retorno (TIR) dos projetos. Hoje, o Brasil já soma mais de 40 GW de capacidade instalada em energia solar e cerca de 30 GW em eólica. Boa parte desses empreendimentos foi estruturada no mercado livre de energia, onde a competitividade do preço final depende, em larga medida, da manutenção dos incentivos tarifários. Alterações abruptas no regramento podem afetar contratos de longo prazo (PPAs) já firmados, pressionar covenants financeiros e elevar o custo de capital em novas captações.  Ocorre que o TCU apontou que a interpretação adotada poderia gerar distorções e ampliar subsídios além do previsto em lei, com reflexos na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo que é rateado entre consumidores.

#Energia

Produtores de leite temem virar pó com acordo entre Mercosul e UE

12/02/2026
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A relação entre produtores de leite e o governo Lula vive um novo ponto de fervura, na esteira do acordo Mercosul-União Europeia. Vocalizando os pecuaristas, a Frente Parlamentar da Agricultura cobra do ministro Carlos Fávaro medidas para mitigar eventuais impactos negativos do tratado para o setor. Entre as propostas que têm sido levadas a Fávaro estão a criação de um fundo de equalização de renda para produtores afetados por surtos de importação; ampliação de linhas de crédito do Plano Safra com juros subsidiados para modernização de instalações, genética e ganho de produtividade; reforço à política de preços mínimos e à aquisição pública de leite e derivados via Conab e programas sociais; e gatilhos automáticos de salvaguarda caso volumes importados superem determinado patamar.

Entre outros efeitos, os pecuaristas temem que a ampliação de cotas para leite em pó e queijos europeus, combinada à redução tarifária gradual, acentue a concorrência sobre um segmento que já opera com margens comprimidas. Ressalte-se que o setor já tem um histórico recente de fricções com o governo. Desde 2023, produtores e entidades como a CNA e a Abraleite vêm pressionando o governo por medidas de contenção às importações, especialmente de leite em pó da Argentina e do Uruguai. Em 2024, foram protocolados pedidos de investigação antidumping. Em 2025, houve protestos regionais e audiências públicas cobrando salvaguardas. Estados como Paraná e Santa Catarina aprovaram normas para limitar a reconstituição de leite em pó importado.

#Mercosul

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