Arquivo Notícias - Página 284 de 1966 - Relatório Reservado

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Há muitas perguntas ainda sem resposta no rastro das acusações contra a XP

24/03/2025
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Uma das maiores tragédias do “esquema Ponzi” é que ele só é descoberto depois que o mal já está feito. Por esse motivo, todas as precauções são necessárias para que a malfeitoria não ocorra. Até agora, não há qualquer indício de que a XP Investimentos participe, ainda que remotamente, da operação de uma “pirâmide financeira”, conforme a grave acusação da empresa de análises norte-americana Grizzly Research. Até prova em contrário, o banco de investimentos de Guilherme Benchimol é a vítima e não o delinquente do episódio. No entanto, o caso tem despertado alguns questionamentos no mercado. Primeiro em relação aos órgãos reguladores, mais precisamente o Banco Central e a CVM. Existem fragilidades nos mecanismos de fiscalização e controle do sistema financeiro no país? Há alguma porosidade no arcabouço regulatório que facilite a montagem de esquemas de pirâmide financeira e fraudes congêneres? BC e CVM pretendem abrir algum procedimento para investigar as acusações contra a XP? Em casos de irregularidade provinda de empresas internacionais o que fazem os organismos regulatórios – notadamente a CVM, que se autointitula “xerife do mercado”? Por ora, eles parecem dispostos a manter uma prudente distância do assunto. Procurado pelo RR, o Banco Central não se manifestou até o fechamento desta matéria. A CVM, por sua vez, saiu-se como uma resposta protocolar e generalista. Ressaltou que “está, permanentemente, modernizando a regulamentação e supervisão, em função de fatores diversos, tais como estruturas inovadoras, experiência da supervisão, demandas de agentes de mercado e interações com demais reguladores.”. Afirmou ainda que o trabalho de fiscalização ocorre com base em dois pilares: “espontâneo, por meio do Plano de Supervisão Baseada em Risco (SBR), elaborado pelas áreas técnicas; e por demanda, no qual há a fundamental participação do investidor, denunciando irregularidades por ele observadas.” Perguntada se havia aberto algum procedimento relativo às acusações contra a XP, nenhuma palavra.

Mas não são apenas os agentes reguladores que estão em permanente estado de sonolência. Os questionamentos se estendem à própria XP. Causa estranheza a omissão do banco em reagir no território dos supostos meliantes, entrando com processo na SEC e na própria Justiça norte-americana. Seriam medidas recomendáveis no esforço de saneamento dos prejuízos causados à imagem do banco. É bom também que a XP demonstre sua resiliência e credibilidade, informando, por exemplo, que a operação maledicente, digamos assim, da Grizzly não afetou em nada sua clientela; que não houve impacto na manutenção dos investidores. Há uma pergunta basilar que não pode pairar no ar: será que, em alguma medida, a XP foi imprudente e não tomou os cuidados obrigatórios para evitar o surgimento de qualquer suspeita ou ilação contra si e suas operações, por mais estapafúrdia ou irresponsável que possa soar? Existem outras dúvidas derivativas. Até que ponto a faraônica estrutura comercial montado por Guilherme Benchimol não abre brechas para que terceiros perpetrem malfeitos – e eventualmente construam suas pirâmides – aproveitando-se do valioso nome da XP?

A suposta denúncia da Grizzly, no mínimo, joga luz sobre o controverso modelo de vendas do banco, baseado em um exército de agentes autônomos. Mal comparando, na prática é uma grande rede de franquias, como se a XP fosse uma espécie de “Casa do Pão de Queijo dos Investimentos”. Essa malha, formada por mais de 400 escritórios e cerca de 15 mil assessores, já criou muita polêmica entre as próprias instituições financeiras. Em 2020, por exemplo, o Itaú Unibanco lançou uma campanha publicitária, iniciada com um anúncio no intervalo do Jornal Nacional, contra a atuação indiscriminada dos agentes autônomos. Em um dos filmetes, o ator Marcos Veras diz: “A moda aqui em 2019 é ter conta em corretora. Assessor também tá na moda. Insiste o tempo todo, ‘investe nisso, investe naquilo, não tem risco’. Estou me sentido o rei de Wall Street”. O próprio Veras, agora interpretando um investidor no ano seguinte, reaparece na tela respondendo ao incauto personagem: “Aqui em 2020, deu para ver que não tinha risco para ele [assessor financeiro], que ganhava comissão por tipo de investimento. Ainda bem que você deixou seu dinheiro no Personnalité. São especialistas isentos. Aprendeu?” Ao fim, o locutor fecha o comercial com a frase “Em 2020, invista com o Itaú Personalitté. Em 2021, você vai agradecer por isso”. Nem foi preciso dar nomes aos bois. Todos entenderam o recado e a quem ele se endereçava: à XP, a meca dos agentes autônomos. Bem, o Itaú devia saber melhor do que ninguém do que estava falando. Tinha conhecimento de causa. Na ocasião, o banco dos Setubal e dos Moreira Salles era sócio da XP, com a expressiva participação de 49,9% – não por acaso, a campanha causou grande estranheza à época.

O RR enviou uma série de perguntas à XP, que não quis se pronunciar. O fato é que, ao basear seu poderio comercial predominantemente nesse contingente de assessores financeiros, o banco se expôs a eventuais fragilidades. Quanto maior a terceirização e pulverização do efetivo, maiores os riscos. A recomendação de investimentos e consequentemente a gestão dos recursos foram se afastando cada vez mais do banco. Talvez os agentes autônomos tenham ficado autônomos demais. Há de se ressaltar também a atual complexidade da indústria de fundos, com seus Long & Short, High-Frequency Trading (HFT), Overlay Strategy e Smart Beta. O Gladius FIM CP IE e o Coliseu FIM CP IE, por exemplo – os dois fundos da XP acusados pela Grizzly de estarem no centro de um esquema de pirâmide – são produtos “market makers”. Como tal, têm a função de dar liquidez a operações com derivativos feitas por clientes. Não é simples decifrar toda essa sofisticada engrenagem, que eventualmente acaba por abrir fendas para operações heterodoxas.

A Grizzly Research está longe de ser um árbitro isento e, ao que parece, não tem um background que lhe permita posar de certificadora de gestoras de recursos. A firma de análise nova-iorquina opera na modalidade conhecida como “short seller”. Empresas com esse perfil costumam cavoucar os indicadores financeiros de companhias abertas, levantam eventuais ameaças ou problemas de performance e apostam no mercado na queda das ações. Depois, publicam relatórios de research apontando para tais vulnerabilidades. Então, é só esperar que o papel desabe para lucrar com as operações realizadas. Bem, no mercado há quem considere que empresas como a Grizzly têm seu valor, por expor riscos que outros analistas desprezam ou desconhecem. Maniqueísmos à parte, talvez fosse o caso de se discutir até mesmo uma regulação mais rígida para eventuais manipuladores do mercado travestidos de casas de análise de investimento.

Em todo o caso, ainda que as acusações da Grizzly contra os Gladius e o Coliseu sejam absolutamente infundadas, o simples surgimento de inferências e suspicácias atinge o principal ativo da XP: seu capital reputacional. Há coisas que, do ponto de vista simbólico, não devem acontecer de jeito algum, como um advogado ser preso ou engenheiro ver a casa onde mora desabar por um erro de cálculo. Instituições financeiras não podem ter sobre si a mais tênue dúvida acerca da sua credibilidade. Uma vez que a denúncia, mesmo que falsa, vem à tona, a XP não tem como controlar a fantasia alheia. Aliás, o assunto foi divulgado em mídias pelo mundo afora. E não faltam ingredientes para que ele seja alimentado. Menção a pirâmides financeiras e a esquema Ponzi automaticamente remetem a uma das maiores fraudes financeiras da história, que levou à condenação de Bernard Madoff a 150 anos de prisão. Ao menos a XP conta com a solidariedade de seus concorrentes. Conforme o Valor Econômico informou na última quinta-feira, a área de pesquisa do BTG que cobre o setor financeiro elaborou uma análise em que classifica a tese da Grizzly como infundada.

 

 

 

 

A nova aposta da KTO na Série A do Brasileirão

24/03/2025
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A plataforma de apostas KTO está flertando com o Juventude, que disputará a Série A do Campeonato Brasileiro. Em jogo, a possibilidade de ser o patrocinador master do clube gaúcho. Hoje, o Juventude – a exemplo de todos os demais times da primeira divisão -, estampa em sua camisa a marca de outra empresa de bets, a Stake, um contrato estimado em R$ 15 milhões. Ressalte-se que, no fim do ano passado, a KTO tentou uma aposta mais ousada. Ofereceu R$ 60 milhões, a cada um, para ser o patrocinador master do Grêmio e do Internacional, mas as conversas não avançaram.

#Juventude #KTO #Série A

Desavenças entre acionistas contaminam gestão da Azzas 2154

24/03/2025
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Executivos da Arezzo e da Soma respiram aliviados com as notícias sobre o iminente rompimento da fusão entre as duas empresas, somente oito meses após a associação. Quem participa do dia a dia da gestão da Azzas 2154, a holding prestes a ser desfeita, classifica o ambiente corporativo como insalubre, por conta dos rotineiros embates entre os empresários Alexandre Birman e Roberto Jatahy. Segundo uma fonte, as discussões acaloradas em reuniões se tornaram comuns.

De acordo com a fonte do RR, Birman e Jatahy passaram a desautorizar decisões um do outro, deixando executivos do grupo sem saber a quem atender. Um exemplo da dessintonia: março já caminha para o fim e até o momento o plano de investimentos da companhia para 2025 não estaria totalmente fechado. E o mais provável é que o desenlace societário se dê no mesmo diapasão, com rusgas e desentendimentos.

Conforme informou o Valor Econômico, Birman tem procurado fundos de private equity para comprar a participação de Jatahy na Azzas 2154. Jatahy, por sua vez, já deixou claro que só sai com um prêmio de controle nas alturas. Procurada, a Azzas não se manifestou até o fechamento desta matéria.

 

#Arezzo #Azzas 2154

Falta molho à operação do Eataly Brasil

24/03/2025
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O Eataly Brasil enfrenta dificuldades por todos os lados. Há informações de atrasos a fornecedores, o que já estaria provocando a falta de produtos nos restaurantes e lojas do complexo gastronômico paulista. Para um negócio de varejo, o desaparecimento de mercadorias das prateleiras é quase como um tiro na jugular. Não custa lembrar que a empresa enfrenta uma ordem de despejo do imóvel que ocupa na Avenida Juscelino Kubitschek.

A Caoa Patrimonial, dona do imóvel, alega inadimplência no pagamento do aluguel. O Eataly, no entanto, se mantém no local por força de uma liminar. Há ainda um litígio com os proprietários da marca nos Estados Unidos. A franqueada brasileira perdeu o direito de usar o nome Eataly, e o caso é objeto de um processo de arbitragem.

Hoje, a gestão do negócio está nas mãos do fundo Wings. Até o ano passado, a operação brasileira pertencia à SouthRock, do investidor Ken Pope. O que explica muita coisa. A SouthRock detinha também a gestão do Starbucks e Subway no Brasil.  Perdeu ambas e agora enfrenta um processo de recuperação judicial.

#Eataly

BNDES pode ser a faísca que falta para hub de hidrogênio verde baiano

24/03/2025
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O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, do PT, está buscando o apoio do BNDES para a implementação do hub de hidrogênio verde no estado. No entendimento do governo baiano, o projeto precisa de uma fagulha de recursos públicos para sair do papel. Na paralela, há conversas também com grupos chineses, como a Sinopec, e árabes. Os assessores de Rodrigues trabalham com a estimativa de investimentos da ordem de R$ 50 bilhões. A portuguesa Galp deve dar a partida ainda neste ano, com a implantação de uma planta piloto de hidrogênio verde em Camaçari.

#BNDES

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