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Agrogalaxy busca negociação com clientes para brecar uma safra de processos
27/03/2025
Governo estuda medidas para reduzir impacto dos fertilizantes sobre preço de alimentos
27/03/2025O governo está apreensivo com a escalada dos preços dos fertilizantes no mercado global e seu impacto sobre os produtos agrícolas. O assunto vem sendo tratado diretamente pelo Palácio do Planalto junto à equipe econômica e ao Ministério da Agricultura, em meio às discussões para conter a inflação dos alimentos – hoje uma das maiores nódoas da gestão Lula. Algumas ideias espocam aqui e ali.
Uma das propostas é a concessão de subsídios no preço do gás natural comprado por fabricantes de adubo, o que seria uma forma de reduzir, no curto prazo, o custo de produção no Brasil. Há, inclusive, um projeto de lei em tramitação na Câmara (PL 4338/23), que vai nessa linha e prevê a criação do Programa Emergencial para Fabricação de Amônia e Ureia e uma subvenção na compra de gás de até R$ 1,7 bilhão por ano.
Entre as hipóteses aventadas pelo governo está também zerar as alíquotas do PIS/Pasep e Cofins para a importação e venda de fertilizantes e defensivos agropecuários, inclusive as versões biológicas. Por sinal, há outro projeto de lei em andamento na Câmara (PL 2022/22), que traz exatamente essa proposição. Tanto em um caso quanto em outro, sabe-se bem que seriam medidas paliativas, de caráter emergencial, que não mexem no problema estrutural: a brutal dependência brasileira de fertilizantes importados.
Quase 90% do produto consumido vêm de fora. Entre os fertilizantes nitrogenados e potássicos, a dependência chega a 95%. A cotação internacional da ureia, o insumo nitrogenado mais usado nas lavouras brasileiras, acumula alta de 18% nos últimos quatro meses – quase 13% apenas neste ano. O maior desafio do governo é conter, o máximo possível, a transmissão dessa alta para o preço dos alimentos. E, com isso, desarmar uma bomba-relógio que pode explodir no seu colo em 2026, ou seja, em pleno ano eleitoral. Mas tem de ser agora.
Daqui até junho, os agricultores estão formando seus estoques de fertilizantes para a próxima safra de verão. O cultivo será feito por volta de setembro. A colheita, por sua vez, começará em janeiro do ano que vem e, em algumas culturas e determinadas regiões do país, poderão se estender até maio.
É o momento em que o milho, o trigo, a soja e o feijão chegarão ao prato do brasileiro, com um custo final que começa a ser decidido agora, a partir da compra dos insumos agrícolas. Ressalte-se que os fertilizantes representam entre 25% e 40% do custo final de produção agrícola.
A conjunção global não ajuda um país com tamanha dependência de fertilizantes importados como é o caso do Brasil. Há três anos, o mercado sofre o impacto da guerra entre Ucrânia e Rússia, maior exportador mundial do produto. Existe também uma expressiva redução na oferta de ureia pelo Egito e pelo Irã.
Por outro lado, o mundo registra aumento da demanda. A Índia, por exemplo, tem feito desde o início do ano seguidos leilões internacionais para a compra de adubo, sem conseguir atingir os volumes esperados. Em março de 2022, apenas um mês após a guerra entre russos e ucranianos irromper, o governo Bolsonaro lançou o Plano Nacional de Fertilizantes 2050, tendo como meta atingir uma produção interna equivalente a 50% da demanda do agronegócio.
A celeridade do anúncio foi elogiável, pena que sua execução não tem o mesmo ritmo. Três anos se passaram e o plano pouco avançou.
Banco asiático energiza investimentos chineses no setor elétrico brasileiro
27/03/2025Informação que circula no Ministério de Minas e Energia: o Asian Infraestructure Investment Bank (AIIB) mantém entendimentos com grandes empresas chinesas do setor elétrico para financiar projetos em energia renovável no Brasil. Os valores sobre a mesa giram em torno dos US$ 5 bilhões. Uma das tratativas mais avançadas seria com a SPIC (State Power Investment Corporation). A estatal chinesa já investiu mais de R$ 14 bilhões ao longo dos últimos sete anos no país. E, em conversas com autoridades brasileiras, executivos da companhia mencionam novos aportes de até R$ 10 bilhões nos próximos anos. Entre outros negócios, a SPIC controla os parques eólicos Millennium e Vale dos Ventos (Paraíba) e os projetos termelétricos GNA I e GNA II.
Abate de dívidas vira prioridade na Minerva Foods
27/03/2025A Minerva Foods deve dar um tempo na sua agressiva estratégia de expansão por meio de aquisições. As circunstâncias pedem prudência. A ordem é digerir o pacote de ativos comprados junto à Marfrig no Brasil, Argentina, Chile e Uruguai por mais de R$ 5,6 bilhões e, sobretudo, reduzir o endividamento. Ao longo de 2024, a relação dívida líquida/Ebitda saltou de 2,8 vezes para 3,7 vezes. O aumento do passivo, para R$ 15,6 bilhões, foi determinante para a Minerva amargar um prejuízo de R$ 1,6 bilhão no ano passado. Ressalte-se que os notes emitidos pela companhia em 2023, no valor total de US$ 1 bilhão, estabelece covenants de 3,5 vezes o Ebitda. Ou seja: a empresa está ligeiramente acima do teto, com o risco, portanto, de credores ativarem proteções previstas em contrato.
Camarão provoca alergia nas relações entre Brasil e Equador
27/03/2025Há um engasgo nas relações diplomáticas entre o Brasil e o Equador. O governo do presidente Daniel Noboa fez chegar ao Itamaraty ameaças de retaliação a produtos brasileiros, notadamente grãos e carne. Trata-se de uma represália pela decisão do Brasil de suspender as importações de camarão do Equador, em vigor desde dezembro. A medida foi um duplo golpe para os equatorianos.
Primeiro pelo fato de o Brasil ser o principal comprador dos crustáceos produzidos no país vizinho, o equivalente a mais de 40% das exportações. Além disso, um parecer dos Ministérios da Agricultura e da Pesca levantou uma série de inconformidades de ordem sanitária contra os produtores de camarão equatoriano, o que já começa a ter impacto nas vendas para outros países. Para todos os efeitos, o Brasil promete retomar as importações assim que os carcinicultores equatorianos cumprirem as exigências sanitárias.
No entanto, o entendimento do governo equatoriano é que tudo não passa de um teatro que teria como objetivo de atender ao lobby dos próprios produtores brasileiros para brecar a entrada de crustáceos importados. Ressalte-se que, no ano passado, o Brasil teve um superávit na balança comercial com o Equador da ordem de US$ 850 milhões.