Arquivo Notícias - Página 268 de 1966 - Relatório Reservado

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Quo vadis, Donaldus? I

14/04/2025
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A frase latina “Quo vadis?” significa “Para onde vais?” e consta de um antiquíssimo relato apócrifo segundo o qual, fugindo da perseguição promovida pelo Imperador Nero, São Paulo encontra Jesus ressuscitado e pergunta para onde ele vai, recebendo como resposta: “Vou a Roma para ser crucificado de novo”. No entanto, com o tempo, a carga religiosa da citação foi se esvaindo e a pergunta passou a ser dirigida a todos aqueles que parecem sem rumo – motivo pelo qual podemos empregá-la nos dias de hoje para indagar aonde quer chegar o imperador Donaldus, que, pelo jeito, mudou seu trono de Roma para Washington.

As dúvidas universais sobre os reais propósitos dessa personificação do presidente norte-americano se tornaram mais agudas em virtude da recente reviravolta ocorrida na questão do tarifaço. Segundo os áulicos de Donald Trump, tratou-se simplesmente de mais uma cartada do mestre, que já obtivera o resultado desejado ao trazer à mesa de negociação dezenas de “ass kissers” (tradução literal vedada para alminhas delicadas), com a óbvia exceção da atônita nação de camponeses que atende pelo nome de China. Mas somente um “imbecil” do porte do czar das tarifas, Pete Navarro, segundo a caracterização pública dele feita por Elon Musk, não veria que o presidente de fato “amarelou” diante dos trilhões de dólares que evaporaram no curso de poucos dias em todas as bolsas de valores do planeta.

E, sem dúvida, quando bilionários como Sam Altman e Musk, embora adversários declarados, vieram a público condenar a festa do Dia da Libertação, não restou alternativa a Trump senão proclamar como vitória uma pausa de 90 dias enquanto aplicava a todos os países uma taxa de 10% (exceção feita, cumpre repetir, do inimigo n° 1). Pior ainda, numa notinha lançada sem fanfarras, uma obscura repartição pública anunciou mais recentemente a eliminação de tarifas sobre celulares e dezenas de outros produtos eletrônicos, incluindo aqueles provenientes da China e com efeito retroativo. Xi Jinping e os tech-bilionários devem ter soltado gargalhadas de abalar os alicerces da Casa Branca!

Não surpreende que os mercados financeiros tenham recuperado ao menos parte do que haviam perdido na semana anterior ao que Tio Sam chama de flip-flop, mas o saldo final está longe de representar um alívio permanente. Em primeiro lugar, porque Trump perdeu definitivamente o que restava de confiança entre amigos e inimigos no mundo todo, mas também no seu próprio país, como já o demonstram as pesquisas de opinião pública. Em segundo lugar, e mais importante, porque a suspensão da aplicação dos tarifaços é, mais uma vez, temporária, permanecendo assim a ameaça mafiosa de que a loja ainda pode ser arrebentada com bastões de beisebol ou decepada a cabeça do cavalo de estimação. Em terceiro lugar, como consequência dos fatores já indicados, porque permanece ou mesmo se agrava o clima generalizado de incerteza que os empresários e financistas odeiam – e que tornam inviável qualquer investimento de peso em qualquer lugar.

Com isso, a reindustrialização dos Estados Unidos pretendida pelo presidente fica ainda mais distante, sendo substituída por ações como aquela tomada pela Apple ao encher enormes aviões de carga na Índia para importar 1,5 milhão de celulares antes da imposição das tarifas que incidiriam sobre aquele país. Imaginem, como é previsível, que outros setores que necessitam de importações maciças façam o mesmo para acumular estoques nesses 90 dias. Só a indústria de roupas importa quase US$ 100 bilhões anualmente de países como Bangladesh, Camboja, Índia, Indonésia e Paquistão, todos mortalmente atingidos pelo tarifaço.

Ora, é bem possível que nesses próximos três meses o valor das compras externas dos Estados Unidos registre um aumento excepcional, mas já podemos também prever qual será a narrativa falsa da Casa Branca: como tais compras terão de pagar o pedágio de 10%, Trump dirá que a receita derivada da aplicação das tarifas teve um crescimento formidável, demonstrando como era correta e brilhante sua estratégia! E não faltarão os aplausos dos vassalos desmiolados.

A chantagem tarifária perturba gravemente todas as cadeias de suprimento em nível global, mas terá impactos de curto prazo na economia real sobretudo dentro dos próprios Estados Unidos devido à suspensão de facto das importações provenientes da China (com as vergonhosas exceções que já surgiram). É óbvio ademais que as incertezas sobre o futuro aumentam a probabilidade de recessão e inflação também em escala planetária. Mas há riscos ainda maiores para os Estados Unidos de que trataremos em outro artigo.

Jorio Dauster é colaborador especial do Relatório Reservado

 

#Donald Trump #Estados Unidos #Política Externa

Crise diplomática ameaça venda de Super Tucanos da Embraer para o Paraguai

14/04/2025
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A crise diplomática entre Brasil e Paraguai pode ricochetear na Embraer. Segundo informação que circula em altos escalões do Itamaraty, o presidente paraguaio, Santiago Peña, ameaça cancelar a compra de seis Super Tucano EMB-314 junto à fabricante brasileira, firmada no início do ano. A suspensão do contrato já foi colocada à mesa pelo Paraguai junto a outras represálias que poderão ser adotadas caso se confirme a suposta espionagem de autoridades locais pela Abin.

A decisão final virá depois de concluída a investigação aberta pelo presidente Peña para apurar a suspeita de uma invasão hacker a órgãos do governo paraguaio atribuída à Agência Brasileira de Inteligência. No Itamaraty, há quem veja alguma dose de blefe nas intimidações. Uma das hipóteses é que o governo do Paraguai estaria aproveitando o episódio para barganhar condições mais vantajosas na renegociação do Tratado de Itaipu. Pode ser. Mas ninguém na chancelaria brasileira está disposto a pagar para ver.

Até porque uma das retaliações brandidas por Santiago Peña já saiu da teoria para a prática: o presidente do Paraguai interrompeu de imediato as tratativas bilaterais que vinham sendo conduzidas para a renovação do Anexo C do Tratado de Itaipu. Não custa lembrar que a hidrelétrica está no epicentro do abalo sísmico diplomático. Segundo o governo do Paraguai, o ataque cibernético teria sido feito pelo Brasil justamente para obter dados sigilosos sobre Itaipu.

Segundo informações filtradas pelo RR, a Embraer vem mantendo contatos com os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Defesa, José Mucio, em busca de apoio do governo para afastar o risco de cancelamento do contrato. A eventual suspensão do acordo representaria um duro revés para a companhia, tanto pelo impacto financeiro quanto pelo valor simbólico da operação.

O negócio de R$ 600 milhões, firmado no início deste ano, foi a primeira venda de aeronaves militares da empresa brasileira para o Paraguai. Contou, inclusive, com o apoio do BNDES, que se comprometeu a financiar o valor integral da encomenda. A negociação com a Força Aérea do Paraguai se dá em meio a um esforço comercial da Embraer para aumentar sua carteira na área de Defesa na América Latina.

Além do Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Uruguai, República Dominicana e, mais recentemente, Panamá compraram o Super Tucano. Procurada pelo RR, a Embraer não se manifestou.

 

#Embraer

Um novo embate societário à vista na Fundição Tupy

14/04/2025
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Um grupo de investidores da Fundição Tupy, encabeçado pela tríade 4UM Investimentos, Charles River e Organon Capital, está arregimentando o apoio de outros minoritários com o objetivo de eleger um representante no Conselho de Administração. Segundo informações filtradas pelo RR, esse bloco já reúne o equivalente a 15% da companhia. É mais um movimento na queda de braço entre acionistas da Tupy e o governo. No início do mês, Previ e BNDESPar, que juntas detêm 53% do capital, forçaram a substituição do CEO da empresa, Fernando Rizzo, pelo economista Rafael Lucchesi, atual presidente do Conselho de Administração do BNDES. A mudança foi recebida pelos minoritários da Tupy como uma interferência direta do governo Lula na gestão da companhia.

#Fundição Tupy

Rui Costa e Alexandre Silveira articulam demissão de presidente do Ibama

14/04/2025
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Há uma forte pressão dentro do governo, liderada pelos ministros da Casa Civil, Rui Costa, e de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pela demissão do presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho. A operação-fritura conta também com a participação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Costa e Silveira miram em Agostinho para acertar em Marina Silva, ministra do Meio Ambiente. Agostinho toca de ouvido com Marina e, ao seu lado, forma uma paredão contra a concessão da licença ambiental para a exploração da Margem Equatorial.

#Ibama

Alcolumbre e Motta não querem saber de amarras para indicações à Aneel

14/04/2025
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Corre à boca miúda no Congresso que os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, trabalham para dinamitar o projeto de lei 4738/24, de autoria do deputado Duarte Jr. (PSB-MA), que propõe novas regras para a escolha dos diretores da Aneel. Entre outros pontos, o PL veda a nomeação de pessoas que tenham mantido qualquer vínculo profissional com empresas do setor elétrico nos dez anos anteriores. A ideia causa urticárias nos partidos da base aliada, por restringir a possibilidade de indicações para a Aneel. O próprio Alcolumbre seria um dos afetados caso a regra estivesse em vigor. Neste momento, o presidente do Senado articula a nomeação de Alexandre Aniz para a agência reguladora. Até janeiro deste ano, Aniz ocupava a diretoria jurídica e de gestão corporativa da Eletrobras.

#Aneel #Davi Alcolumbre #Hugo Motta

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