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Península espreita a porta de saída da Sanar
15/04/2025A nova rodada de captação da plataforma de educação médica Sanar deve servir de porta de saída para alguns investidores da empresa. O que se diz no mercado é que a Península, family office dos herdeiros de Abilio Diniz, é a maior interessada na realização de uma oferta secundária de ações, que lhe permitiria se desfazer da sua posição acionária. Procurada, a gestora não se pronunciou. O clã Diniz entrou no capital da healthtech em 2022. Sua participação está pendurada na Altitude Ventures, braço de venture capital da Península, um negócio, aliás, que parece estar murchando – ver RR (https://relatorioreservado.com.br/noticias/herdeiros-de-abilio-diniz-puxam-o-freio-nos-investimentos-em-venture-capital-2/). A Sanar pretende levantar R$ 200 milhões na operação, entre uma colocação primária e outra secundária.
Quo vadis, Donaldus? II
15/04/2025O maior risco para a economia dos Estados Unidos reside hoje no crescimento acelerado da dívida pública. Em 1969, a dívida somava US$ 366 bilhões. Em 2000, alcançou US$ 5,6 trilhões. Durante a crise financeira de 2008, saltou para cerca de US$ 10 trilhões. Em 2020, atingiu US$ 27,7 trilhões e, em 2025, estima-se que ultrapasse US$ 35 trilhões, o equivalente a mais de 120% do PIB norte-americano. Esse aumento foi impulsionado por gastos com guerras (como as do Iraque e Afeganistão, além, mais recentemente, a da Ucrânia), programas sociais (Medicare, Social Security), estímulos econômicos (como na crise de 2008 e na pandemia de 2020) e reduções fiscais sem a contrapartida de corte de gastos (como no Brasil). Todos os presidentes, independentemente de sua coloração política, têm contribuído para tal crescimento.
A trajetória ascendente da dívida gera preocupações cada vez maiores com respeito à sua sustentabilidade, em especial porque os juros que incidem sobre ela consomem fração crescente do orçamento federal. Paralelamente, cresce também o risco eventual de um calote e de seus efeitos devastadores sobre a predominância histórica do dólar como moeda de reserva internacional.
Mas será que Trump desconhece problemas de tamanha magnitude? Evidentemente que, malgrado sua ignorância em matéria econômica, o homem de negócios que já pediu várias vezes recuperação judicial para suas empresas sabe que é impossível conviver com uma dívida que se avoluma qual bola de neve. No entanto, como é típico dele, recentemente questionou – sem provas – não apenas o tamanho da dívida federal, mas também os métodos usados para calculá-la, alegando que o DOGE de Elon Musk tinha descoberto fraudes potenciais. Além disso, declarou que o país “agora não é tão rico. Devemos US$ 36 trilhões… porque deixamos todas essas nações se aproveitarem de nós”. Mais uma vez uma distorção extraordinária da realidade e a escolha dos inimigos externos para justificar suas medidas radicais.
No entanto, por trás desse palavreado agressivo, Trump vem efetivamente buscando reduzir a dívida pública de três maneiras.
A primeira consiste em, tomando emprestado a motosserra de Javier Milei, permitir que Musk ataque o déficit orçamentário mediante a amputação de agências governamentais e programas de cunho social, embora já venha crescendo o mal-estar interno com os resultados de tais cortes. Mais significativo é o fato de que, tendo anunciado que eliminaria US$ 1 trilhão do orçamento, Musk há poucos dias admitiu que essa cifra ficaria mais próxima de US$ 150 bilhões, quantia decepcionante à luz da estimativa de US$ 2 trilhões de déficit no ano em curso.
A segunda está implícita em seu suposto papel de “pacificador”, uma vez que os esforços para encerrar os conflitos herdados da administração Biden têm como objetivo real reduzir os brutais gastos militares do país. Nessa linha de raciocínio, Trump tem inovado de forma assustadora para os aliados e clientes do país. Por exemplo, busca receber de uma Ucrânia devastada o pagamento pelas despesas com armamentos incorridas pelos Estados Unidos ao longo do conflito, caracterizando-as como um empréstimo! A outra forma, já sugerida no caso da Coreia do Sul, implica cobrar tais despesas dos países defendidos pelas forças militares dos Estados Unidos, na essência transformando-as em tropas de mercenários quando antes eram o último bastião dos valores ocidentais.
E a terceira é aquela que ganha as manchetes com o vai e vem na área de comércio internacional analisado no artigo anterior. Nesse caso, podemos aqui evitar o debate técnico sobre o eventual vínculo entre déficit orçamentário e déficit comercial, o qual existe, mas depende também de vários outros fatores. O importante é reconhecer que as medidas atabalhoadas de Trump – ao impor tarifas que aumentariam em tese as receitas governamentais e reduziriam os gastos com importações, favorecendo assim a redução da dívida pública –, tiveram um efeito tétrico nas bolsas de valores de todo o mundo e eliminaram de vez a confiança no atual ocupante da Casa Branca.
O que é menos sabido, e mais grave, é que essas incertezas começam a abalar a confiança nos bônus do Tesouro norte-americano e, indiretamente, no dólar. Os chamados “treasuries”, sempre vistos como portos seguros, como os papéis mais livres de risco em todo o planeta, mostram sinais de fraqueza sobretudo diante das indicações de que seus maiores detentores, Japão e China, vêm se desfazendo de parcelas significativas dos títulos mantidos como reserva estratégica. Na medida em que, no corrente ano, o Tesouro deve emitir entre US$ 10 trilhões e US$ 15 trilhões desses títulos para financiar os déficits previstos, a demanda global por eles será crucial a fim de determinar para onde vai o imperador Donaldus. Toda a atenção é pouca!
Jorio Dauster é colaborador especial do Relatório Reservado
Alexandre Birman busca um novo figurino societário para a Azzas
15/04/2025Segundo informações filtradas pelo RR, interlocutores do empresário Alexandre Birman mantêm conversações com a Vinci Partners. As tratativas envolvem uma possível associação para a compra da fatia acionária de Roberto Jatahy na Azzas 2154, holding criada a partir da fusão entre Arezzo e Soma. O enlace está na iminência de ser rompido por conta de divergências entre Birman e Jatahy – ver RR.
De acordo com a mesma fonte, outros fundos também foram contatados por Birman, mas o movimento de aproximação com a Vinci chama a atenção por um ponto específico: a gestora de Gilberto Sayão já tem negócios na área de moda. É acionista da Inbrands, que reúne grifes como Richards, Ellus, Salinas e VR. A dupla presença da Vinci poderia vir a ser um facilitador para, em um segundo momento, uma associação entre a própria Azzas e a InBrands.
Ainda que, no setor, há quem diga que, nesse caso, na ânsia de resolver um problema Birman corre o risco de criar outro. A Inbrands atravessa uma situação financeira complexa, com dívidas, perda de receita e recorrentes prejuízos. Seus dois principais acionistas, Nelson Alvarenga Filho e Américo Fernando Breia, têm, inclusive, conversado com possíveis interessados na compra do controle, conforme informou o RR.
Procuradas, Azzas 2154 e Vinci não se pronunciaram. De toda a forma, antes de vislumbrar qualquer nova possibilidade de associação, Alexandre Birman tem um M&A para desfazer. A relação conturbada entre o empresário e Roberto Jatahy, os dois principais acionistas da Azzas, é sabida por todos dentro e fora da companhia.
Fontes próximas à empresa garantem que Birman quer ver o atual sócio longe. A questão é acertar o preço dessa saída. A participação de Jatahy soma 4,4% do capital total. A olho nu, pode parecer pouco, mas a Azzas tem seu controle pulverizado. Entre outros poderes, essa posição acionária é o suficiente para dar a Jatahy o comando de toda a operação de moda feminina do grupo.
Juros nas alturas e alavancagem obrigam Ânima a mudar sua matemática financeira
15/04/2025A ordem na Ânima Educação é cortar os custos no osso. Em parte, trata-se de uma medida preventiva: o desafio da empresa é preservar caixa diante da projeção de uma receita líquida estagnada ou até mesmo em queda neste ano. Na área de educação, ciclos de juros altos são gatilhos automáticos para o aumento da inadimplência e do cancelamento de matrículas. Que o diga a própria a Ânima. A companhia já sentiu os efeitos da Selic nas alturas no ano passado, quando seu faturamento subiu apenas 1,8% – o pior desempenho desde 2019. Outro fator que tira o sono dos dirigentes da empresa é o nível de alavancagem, sobretudo em um cenário de juros elevados. Em 2024, a Ânima conseguiu reduzir a relação dívida líquida/Ebitda de 3,25 para 2,8 vezes. O índice, no entanto, ainda é desconfortável. A maior parte das debêntures emitidas pela companhia têm covenants que disparam com a relação dívida líquida/Ebitda de três vezes.
Sueca H&M terá loja no Rio de Janeiro em 2026
15/04/2025O RR apurou a sueca H&M está em conversações com a Multiplan para abrir sua primeira loja no Rio de Janeiro, provavelmente no Barra Shopping, em 2026. A rede varejista de moda vai iniciar suas operações no país ainda neste ano, com um ponto de venda em Campinas, no Shopping Parque Dom Pedro, e dois em São Paulo – nos shoppings Iguatemi e Anália Franco, este último pertencente à própria Multiplan. A chegada da H&M ao Brasil promete chacoalhar o varejo de vestuário. O grupo é um gigante global do setor, com mais de quatro mil lojas em 70 países e receita anual próxima de US$ 25 bilhões. Já há alguns anos os suecos ensaiam sua entrada no mercado brasileiro, mas, por muito tempo, a investida ficou no “quase”. Agora, é para valer: a chegada ao país faz parte de uma estratégia de expansão dos negócios na América Latina. A H&M prepara-se neste momento para desembarcar também no Paraguai e em El Salvador. Na região, a marca varejista já tem lojas no México, Peru, Uruguai, Costa Rica e República Dominicana. Procurada pelo RR, a Multiplan não se manifestou.
Desgastado, Carlos Fávaro já fala em trocar Senado por Câmara
15/04/2025Ao que tudo indica, participar do governo Lula não tem feito muito bem à carreira política de Carlos Fávaro, ministro da Agricultura. Fávaro já trabalha a possibilidade de um downgrade nas eleições de 2026. Em conversas reservadas com aliados mais próximos, tem mencionado a hipótese de abrir mão da sua candidatura à reeleição para o Senado e concorrer a uma vaga na Câmara. Na verdade, é o Senado ou o próprio eleitorado que parece estar abrindo mão de Fávaro. No PSD, seu partido, há quem considere bastante alto o risco de o ministro não se reeleger. A passagem pelo gabinete de Lula agastou a relação entre Fávaro e o agronegócio, sua principal base política. A candidatura à Câmara seria um movimento pragmático, que aumentaria consideravelmente a probabilidade de Fávaro permanecer no Congresso ao fim do governo Lula. Ainda que com uma vitória eleitoral com gosto de derrota.