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A dissonância cognitiva de Donald Trump
16/04/2025Dissonância cognitiva é um fenômeno muito comum entre administradores que dependem de eleições e de aprovação popular. É um quadro mental em que convictas ideias pessoais têm de ser contrariadas por dúbias ações públicas, para não se perder o poder já conquistado. Em geral, leva a seguidas incoerências políticas, agravadas pelo stress do autoconhecimento, que destroem a imagem e o capital eleitoral construído durante anos de esforço pessoal.
Essas dissonâncias foram muito comuns em grandes pensadores de viés esquerdista, que eleitos, precisavam criar empregos com imediatas e constrangidas ações dentro do mercado capitalista. Agora, elas são substituídas por descontraídas e imediatas ações de viés populista, no maior de todos os mercados, os EUA.
As tarifas trumpianas começaram no Século XVIII, nos pobres EUA de então, para proteger sua insípida indústria da poderosa indústria inglesa, a mais competitiva do mundo. Em 2025, elas são dissonâncias cognitivas de um presidente recém-eleito, poderoso empresário que sempre gritou pelo livre mercado, no qual construiu um império econômico sem paralelo na história de políticos bem-sucedidos. Ele sabe que tarifas nacionais são para impedir um livre mercado internacional.
Dissonâncias cognitivas levam a incoerências, que assustam povos coerentes, levam a inesperadas perdas financeiras de aliados financiadores, a surdas brigas entre eles, à perda de confiança de aliados históricos em outras guerras históricas, à queda nas pesquisas internas de opinião, e depois… à perda de votos. E sempre à mais devastadora e unânime concordância, a da História.
Alceni Guerra é colaborador especial do Relatório Reservado
Planalto prepara barricada contra lavajatista no TRF-2
16/04/2025Entre juristas próximos ao Palácio do Planalto, notadamente do grupo Prerrogativas, a recente votação do Ministério Público Federal para a vaga de desembargador no TRF-2 foi vista como uma provocação ao governo. Dos seis procuradores mais votados, quatro tiveram importante atuação na Lava Jato – Stanley Valeriano, Eduardo El Hage, Felipe Bogado e Paulo Sérgio Ferreira Filho. Todos são notórios dentro do MPF pela renhida defesa da operação até hoje. Há ainda uma quinta candidata, a procuradora Neide Cardoso, que não atuou diretamente na Lava Jato, mas, interna corporis, é tida como alguém alinhada aos quatro procuradores. Diante desse quebra-cabeças desfavorável, já há, por meio de emissários do governo, articulações junto a desembargadores do TRF-2 para que o nome de Luciana Gadelha entre na lista tríplice que será encaminhada ao presidente Lula. Dos seis procuradores mais votados no MPF para a vaga de desembargador, Luciana é a única sem colorações lavajatistas.
Nova capitalização da Aegea opõe GIC e Itaúsa
16/04/2025A Aegea enfrenta as dores do crescimento. A vitória no leilão de saneamento do Pará, na semana passada, aumentou a pressão sobre a companhia no que diz respeito à necessidade de reforço da sua estrutura de capital. Esse é um assunto sensível interna corporis. Entre os sócios – GIC, fundo soberano de Cingapura, Itaúsa e Equipav – há um consenso de que a empresa precisa levantar um volume expressivo de recursos para fazer frente à crescente exigência de investimentos em suas concessões.
O que não existe é convergência em relação à forma. De acordo com informações filtradas pelo RR, o GIC – um colosso soberano com mais de US$ 800 bilhões em ativos e detentor de 19% do capital votante da companhia – é favorável a um novo aporte dos acionistas ainda neste ano, mais substancial do que o realizado em março. Há cerca de um mês, os três investidores injetaram R$ 420 milhões na Aegea. Dessa vez, a cifra ultrapassaria a marca de R$ 1 bilhão.
Ocorre que a ideia de uma nova capitalização em um curto espaço de tempo não teria a simpatia da Equipav e, sobretudo, da Itaúsa, donos, respectivamente, de 71% e 10% das ações ordinárias. O GIC quer aumentar sua participação na Aegea. A capitalização seria também um oportuno instrumento adotado pelos asiáticos para eventualmente forçar a diluição da fatia acionária dos demais sócios.
Mas, estratégia por estratégia, a Itaúsa também tem a sua. A holding da família Setúbal reza por outra cartilha: quer o IPO da Aegea, mesmo que a operação possa demorar algum tempo devido às condições adversas do mercado. E não esconde o seu voto de ninguém.
No fim do ano passado, em entrevista ao Valor Econômico, o diretor-presidente da Itaúsa, Alfredo Setubal, defendeu a abertura de capital da Aegea em bolsa. No mercado, o que se diz é que a Itaúsa enxerga o IPO como uma porta para reduzir ou mesmo se desfazer integralmente da sua posição acionária na Aegea. Ou seja: ao contrário do GIC, os Setúbal não estariam dispostos a colocar mais dinheiro novo, mas, sim, a realizar o que já investiram. Procurada pelo RR, a Aegea não quis comentar o assunto.
Também consultada, a Itaúsa não se manifestou. A capitalização de março, ressalte-se, ocorreu antes do leilão de saneamento do Pará. Por mais que a participação da Aegea no certame já estivesse precificada no aporte, o resultado da licitação ficou acima do esperado e trouxe uma nova realidade para a empresa. É hora de fazer contas e mais contas.
A Aegea arrematou três dos quatro blocos ofertados pelo governo paraense. Com isso, assumiu um pacote de investimentos superior a R$ 15 bilhões, além do pagamento de R$ 1,4 bilhão em outorgas. Esse valor se soma aos mais de R$ 66 bilhões em desembolsos obrigatórios assumidos pela companhia em suas demais concessões, no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Piauí.
Até o momento, a Aegea tem buscado funding essencialmente em operações de debt, mas tudo tem limite. Essa estratégia trouxe como um inexorável efeito colateral a escalada do nível de alavancagem. Entre dezembro de 2023 e dezembro de 2024, a relação dívida líquida/Ebitda saiu de 3,7 para 4,3 vezes. E segue em curva de alta.
Kwai entra na mira da AGU por vídeo falso com Lula, Alckmin e Haddad
16/04/2025
A melhor aposta? CPI das Bets não vai dar em nada
16/04/2025Os senadores Jorge Kajuru (PSB-GO) e Romário (PL-RJ) articulam com Davi Alcolumbre, presidente da Casa, a prorrogação da CPI das Bets, prevista para ser encerrada no próximo dia 30. É uma aposta de risco. Kajuru e Romário, respectivamente presidente e relator, tentam ganhar tempo na expectativa de evitar o que hoje é praticamente inevitável: que a CPI termine como um rotundo fracasso. Até o momento, não há notícia de que a Comissão Parlamentar tenha levantado qualquer fato novo relevante sobre fraudes nas bets esportivas. Por ora, trata-se de uma colcha de retalhos de suspeitas e acusações já conhecidas. Quando terminar, talvez a CPI das Bets seja mais lembrada pelo conflito de interesses do seu relator. A Superbet é o principal patrocinador da recém-lançada Romário TV, no Youtube. Assim como do América, clube presidido pelo ex-jogador.