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China Co-op mira usinas do Grupo Virgolino de Oliveira
11/07/2025Há um zunzunzum no setor sucroalcooleiro de que a China Co-op, um potentado do agronegócio, tem interesse nas usinas de açúcar e álcool que serão colocadas à venda pelo Grupo Virgolino de Oliveira (GVO). Em recuperação judicial, com uma dívida na casa de R$ 10 bilhões, o GVO pretende leiloar as unidades de usinas de José Bonifácio, Monções e Itapira, no interior paulista. Estima-se que as três somadas valham algo como R$ 2 bilhões. Todas as usinas estão desativadas, o que não chega a ser um impeditivo para a China Co-op. Pelo contrário. Ao que tudo indica, trata-se de uma estratégia dos chineses comprar ativos depreciados no Brasil. Foi assim na aquisição da usina Dracena, firmada no ano passado em parceria com a brasileira Wagro Trade. A planta estava fora de operação há sete anos. Também conhecida como Federação Chinesa de Cooperativas de Abastecimento e Comercialização, a China Co-op é uma das maiores cooperativas agrícolas do mundo. Como quase tudo que vem da China, os números são superlativos. O conglomerado reúne mais de dois milhões de cooperativados e gerou no passado um total de negócios da ordem de US$ 850 bilhões.
Com DNA do BTG, Nio invade território das grandes operadoras de celular
11/07/2025Vivo, TIM e Claro vão ganhar um concorrente com o selo BTG de capacidade de investimento. A Nio, que herdou a operação de fibra óptica da antiga Oi, prepara-se para um salto estratégico que pode redesenhar sua atuação no mercado brasileiro de telecomunicações. A empresa pertencente à V.tal, por sua vez controlada por fundos de investimento do banco de André Esteves, pretende começar sua atuação como operadora móvel virtual (MVNO) até o primeiro trimestre de 2026.
A partir desse movimento e da sua rede banda larga, a companhia vislumbra a possibilidade de montar um ecossistema de conectividade digital, aproveitando sua base de mais de quatro milhões de clientes para integrar soluções fixas e móveis, notadamente para o mercado corporativo. Nesse caso, a aposta no modelo MVNO é mais um meio do que um fim em si próprio. Ou seja: a empresa quer entrar na telefonia celular como forma de fidelizar ou fisgar novos clientes para entrar com um pacote de serviços convergentes. Consultada pelo RR, a Nio não se manifestou.
O que não falta à Nio é fôlego financeiro. O BTG já investiu mais de R$ 10 bilhões no negócio. Outro acionista importante é o Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB), que entrou no capital em 2022 com o aporte de R$ 2,5 bilhões. No radar da empresa, está também a venda de conectividade veicular, como SIMs embarcados para carros conectados. Outra possibilidade seria atuar como MVNE (enabler), viabilizando a entrada de marcas no mercado de telefonia móvel por meio de parcerias white-label.
Isso abriria uma nova frente de receita para a Nio, baseada na prestação de infraestrutura e serviços de suporte para terceiros. Com essa arquitetura flexível, a companhia poderia disputar espaço não só com operadoras tradicionais, mas também com fintechs e marketplaces que buscam integrar serviços móveis em suas plataformas — como já fazem o Banco Inter e a Surf Telecom.
Chinesa Neta está devagar, quase parando no Brasil
11/07/2025Na contramão de conterrâneos mais bem-sucedidos, como a BYD e a GWM, a montadora chinesa Neta mal consegue engatar a segunda marcha no Brasil. A empresa chegou ao país no início deste ano e em pouco mais de cinco meses comercializou não mais do que 50 veículos. A estruturação da rede de concessionárias também está em ritmo mais lento do que o planejado: até o momento há apenas dois pontos de revenda.
No setor, há dúvidas crescentes em relação à própria permanência da Neta no Brasil. A empresa atravessa uma grave crise financeira na China. Sua controladora, Zhejiang Hozon New Energy Automobile, enfrenta um processo de falência, com uma dívida de quase US$ 1 bilhão, parte expressiva junto à fabricante de baterias elétricas CATL. Nos últimos meses, a montadora promoveu demissões em massa e fechamento de concessionárias. Em 2022, a Neta vendeu 152 mil veículos na China. No ano passado, esse número despencou para menos da metade – 64 mil automóveis.
Em tempo: o curioso é que a Neta desembarcou no Brasil com combustível financeiro de sobra. No fim do ano passado, a companhia obteve do BTG uma linha de crédito de R$ 1 bilhão para montar sua operação no país – conforme o RR noticiou. À época, surgiram rumores no setor de que o banco poderia ter uma participação na subsidiária brasileira.
Em contato com o RR, a Neta enfatizou que “confirma a estratégia de expansão gradual, com foco na qualidade operacional e alinhamento à estrutura global. O volume atual de vendas e o número de pontos de revenda estão de acordo com o planejamento estratégico para esta fase inicial no país. Em breve, teremos novidades sobre novas concessionárias em Brasília, São Paulo, Recife, Natal e Florianópolis — todas já em processo de implantação.”
Minas e Energia e Aneel têm novo curto-circuito
11/07/2025Surgiu mais um fio desencapado na relação entre o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa. Na semana passada, Feitosa encaminhou um ofício ao Ministério solicitando o retorno à agência reguladora de servidores cedidos à Pasta, muitos deles ocupando cargos de alto coturno – casos do secretário de Energia Elétrica, Gentil Nogueira; do presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Thiago Prado; e do diretor financeiro de Itaipu, André Pepitone. Para todos os efeitos, a requisição se deu por conta do corte de 25% no orçamento da Aneel. No protocolo, Feitosa cita o “risco iminente” de que as atividades do órgão sejam afetadas de “modo crítico” pela falta de servidores qualificados. No entanto, Silveira e seus assessores enxergam algo mais na medida. Feitosa estaria instrumentalizando a redução das verbas para travar uma queda de braço e mostrar força no embate com Silveira. Ambos têm um histórico de curtos-circuitos. Em agosto do ano passado, por exemplo, o ministro criticou a Aneel de omissão e ameaçou intervir na regulação do setor por conta de atrasos em processos de responsabilidade da agência. O próprio Gentil Nogueira é uma personagem importante nesse roteiro de fagulhas. Consta que Silveira age nos bastidores para derrubar Feitosa e colocar Nogueira no cargo.