Está aberta a temporada de “caça” ao novo titular do Ministério da Fazenda. E os primeiros estampidos vêm dos lados do PT. Após o próprio Fernando Haddad se colocar na posição de “ex-ministro em atividade”, ao anunciar sua saída do cargo possivelmente até o fim do mês, o partido já botou o bloco na rua na tentativa de assegurar a indicação de um quadro orgânico para o comando da economia. O nome de preferência nas hostes petistas é de causar calafrios no mercado: Guido Mantega. O economista é uma espécie de “Bombril” dos governos petistas, com suas mil e uma utilidades. Já foi presidente do BNDES, ministro do Planejamento e esteve à frente da Fazenda por quase nove anos, percorrendo todo o Lula II e o Dilma I. Mais recentemente esteve em voga pelas manobras do governo para emplacá-lo como CEO da Vale. Dois dados relevantes: Lula gosta e confia nele; o mercado tem uma verdadeira aversão a ele.
Outro nome levantado pelo PT é o de Laura Carvalho, professora da USP e uma das economistas mais influentes do campo da esquerda. Notabilizou-se a partir de 2018, com a publicação do livro “Valsa Brasileira: do boom ao caos econômico”, no qual faz críticas à nova matriz econômica de Dilma Rousseff – ou ao que ela chama de “Agenda Fiesp” – e, sobretudo, às tentativas de ajuste fiscal no segundo mandato da petista e no governo Temer. Dentro do PT, há defensores também da nomeação de Ricardo Carneiro, o que levaria para a Fazenda uma pitada – ou o saleiro inteiro – do pensamento hegemônico da Unicamp. Representante clássico da tradição econômica da universidade, Carneiro tem trajetória ligada à escola estruturalista-desenvolvimentista, com forte influência keynesiana e cepalina.
Em maior ou menor medida, todos os três candidatos agradam a colaboradores mais próximos do presidente Lula, a começar pela ministra Gleisi Hoffmann. São quadros orgânicos e fiéis, que não fariam nada fora do script pré-determinado. A essa altura, sem demérito algum do currículo dos cotados – ou de alguns dos cotados -, o que resta ao sucessor de Fernando Haddad é ser um regra três, cumpridor de um mandato tampão, e não exatamente um formulador da política econômica. O que chama a atenção é um quarto nome que, segundo o RR apurou, vem sendo citado com razoável recorrência dentro do Palácio do Planalto: o da economista Monica De Bolle. Comparativamente aos já citados, seria uma indicação mais ao gosto do mercado. Mas só até a página dois. De Bolle está longe de ser uma liberal ortodoxa. Defende papel ativo do Estado, políticas industriais bem desenhadas e investimentos públicos. É também uma crítica contumaz da obsessão fiscalista.
Bem, nenhuma dessas hipóteses se coaduna com a preferência de Fernando Haddad. O futuro ex-ministro da Fazenda já deixou claro que o seu candidato ao cargo é Dario Durigan, atual secretário-executivo da Pasta, Durigan soma alinhamento político, domínio técnico e lealdade a Haddad. Além de principal peça da engrenagem cotidiana da equipe econômica, tem se notabilizado também por uma participação ativa nas negociações com o Congresso. Nesse sentido, sua efetivação seria um facilitador das tratativas com os parlamentares para a aprovação da regulamentação da reforma tributária, entre outras pautas de interesse do governo. A essa altura, Durigan seria uma saída palatável ao próprio mercado, por afastar qualquer risco de guinadas bruscas na política econômica. A ver apenas se Haddad, fragilizado por tantas batalhas perdidas, terá voz na escolha de seu substituto. Se o copo de Durigan ficar vazio, ou seja, ele não for escolhido para ser ministro, Haddad poderá ao menos preenchê-lo buscando alguma composição que eleve ainda mais o status do secretário-executivo e dê a ele um papel decisivo, independentemente de quem for o titular da Pasta. Sob um certo ângulo, seria como se o próprio Haddad permanecesse no Ministério, tamanho o entrosamento entre ambos e o conhecimento técnico de Durigan de todas as ações da atual gestão. A ver o que atual ministro conseguirá. O próprio Haddad já disse: “O Dario é excepcional. Então, eu faço propaganda. Agora, se vai colar ou não, é outro assunto”.