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27.11.19

O “AI-5” sempre fez parte do kit Paulo Guedes

Once upon a time Ibmec in the 80s… O então diretor técnico da instituição, Paulo Oliveira Nunes Guedes, era a estrela maior de um centro acadêmico povoado por Chicago´s boys – denominação dada aos economistas que trabalharam no ajuste ortodoxo da economia chilena. Pesquisadores e técnicos de diversas gerações iam, ao termino do expediente, sentar ao redor do professor no barzinho que ficava debaixo da rampa de subida para o segundo andar do Museu de Arte Moderna. O papo com Guedes era um espetáculo.

Na época, o Ibmec estava localizado na Av. Beira Mar e era um órgão mais voltado à pesquisa do que a educação e treinamento. Durante todo o último ano da ditadura, Guedes, que nunca foi contrário ao governo totalitário, reclamava do estamento dominante por um motivo prosaico: era contra as políticas econômicas de Mario Henrique Simonsen e Delfim Netto, últimos ministros da Fazenda do regime militar. Sempre com tiradas sarcásticas, de humor agudo, afirmava que, se a ditadura fosse comunista, faria logo um “Gulag” no Nordeste e estava resolvido o problema da hiperinflação. Ou, então, que a redistribuição de renda podia ser feita “incendiando-se todas as favelas”. Ou ainda que os economistas de esquerda, hegemônicos e barulhentos na mídia à época, deveriam “ir todos para o paredão” e serem assassinados, despoluindo o debate econômico no Brasil.

O jovem Guedes podia tudo naqueles idos. Divertido, confundia a todos. Não se sabia ao certo o que era o seu pensamento genuíno ou chistes e caricaturas apenas para marcar posição de forma hilária. O tempo passou e o czar Paulo Guedes revela que há alguma inspiração com os dizeres do passado. Considera o AI-5 viável, aponta o Chile e a Bolívia como exemplos de resistência a manifestações populares, ameaça suspender as reformas estruturais se os protestos não pararem e discrimina jornalistas em função do que eles escreverem sobre o assunto. Paulo Guedes é o mesmo dos anos 80. Só não é mais divertido.

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