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Ao se sentar diante de Marco Rubio, talvez na próxima sexta-feira, dia 17, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não estará frente a frente com o inimigo, como tenta fazer crer a narrativa bolsonarista. Segundo informações filtradas pelo RR, além do encontro reservado e fora da agenda oficial que ambos tiveram em julho, em Washington, Vieira e Rubio têm mantido interlocução regular desde o início da crise do tarifaço.
Mais do que isso: os contatos entre ambos passam longe da belicosidade atribuída a Rubio nas fábulas de Eduardo Bolsonaro e seu escudeiro Paulo Figueiredo. O chanceler brasileiro e o secretário de Estado norte-americano carregam uma sólida e cordial relação institucional que começou a ser construída durante o período em que Vieira ocupou o posto de embaixador em Washington, entre 2010 e 2014. À época, Rubio, então um senador menos radical, presidia a Subcomissão para Assuntos do Hemisfério Ocidental e Narcóticos.
Nessa função, além de conduzir os assuntos dos Estados Unidos junto à OEA (Organização dos Estados Americanos), estabeleceu diálogo permanente com a diplomacia dos países latino-americanos.
Em 2012, houve um estreitamento do contato entre Mauro Vieira e Marco Rubio quando dos preparativos para a visita da então presidente Dilma Rousseff a Washington. Na ocasião, Rubio chegou, inclusive, a emitir um comunicado saudando a viagem de Dilma e trabalhou no Congresso dos Estados Unidos pela aprovação de uma lei que fomentasse o turismo entre os dois países.
Em 2023, com Vieira já à frente do Ministério das Relações Exteriores, Rubio – curiosamente ao lado de dois senadores democratas, Tim Kaine e Jeff Merkley – apresentou um projeto de lei propondo uma cooperação com o Brasil para o combate ao crime organizado na Amazônia.
Ao designarem Mauro Vieira – ladeado por Geraldo Alckmin e Fernando Haddad – e Marco Rubio para conduzir as negociações em busca de uma possível solução para o tarifaço, o Palácio do Planalto e a Casa Branca sinalizam aonde querem chegar.
Em diplomacia, esse tipo de relação e de conhecimento pessoal ajuda. Não é sinônimo de consenso, mas as conversas já começam com algum grau de confiança mútua e reconhecimento recíproco das linhas vermelhas de cada um.
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