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Energia
Transição energética não parece ser exatamente o que move os interesses do Claifund (China-LAC Industrial Cooperation Investment Fund) no Brasil. Segundo o RR apurou, o fundo chinês, criado para financiar investimentos de longo prazo na América Latina e no Caribe, vem prospectando termelétricas a gás no país. Um dos seus alvos seria a térmica GNA II, localizada no Porto do Açu, em São João da Barra, no norte fluminense, que tem entre seus acionistas a também chinesa SPIC (State Power Investment Corporation). Trata-se da maior termelétrica a gás natural do Brasil. Inaugurada em 2025, tem 1,67 GW de capacidade instalada
Ressalte-se que, no início deste ano, o Claifund comprou as participações da Shell e da Mitsubishi Power na termelétrica Marlim Azul, em Macaé, tornando-se sócio do Pátria Investimentos na usina. O movimento reforçou a leitura de que o apetite do fundo no Brasil passa menos pela pureza do discurso verde e mais por ativos de energia firme, com contratos, previsibilidade de caixa e papel estratégico em um sistema cada vez mais pressionado pela intermitência das fontes renováveis.
O Claifund é financiado por recursos das reservas internacionais da China e pelo China Development Bank. Seu mandato é amplo: infraestrutura, energia, mineração, recursos naturais e cooperação industrial. Cabe lembrar que, há cerca de dois anos, o fundo chinês firmou um acordo com o BNDES para investimentos conjuntos no país. Até o momento, no entanto, a parceria produziu mais sinalizações institucionais do que operações visíveis. Enquanto o discurso bilateral segue embalado pelo vocabulário da economia verde, o dinheiro do Claifund parece seguir em outra direção: térmicas a gás, segurança energética e ativos capazes de entregar energia quando sol e vento não bastam.
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