Infraestrutura
Leilão de energia: quem manda o governo mudar as regras do jogo?
Nos bastidores do setor, a súbita mudança de posição do Ministério de Minas e Energia em relação ao leilão de capacidade de energia marcado para março é atribuída à elétrica influência dos irmãos Batista e de André Esteves. Na última terça-feira, o governo anunciou o preço-teto de R$ 1,12 milhão por MW/ano para térmicas existentes e de R$ 1,6 milhão MW/ano para novos projetos a gás, causando um rebuliço no mercado. Para se ter uma ideia do tamanho do baque, os investidores trabalhavam em suas estimativas com o dobro das cifras divulgadas. Pouco mais de 24 horas depois, o próprio ministro Alexandre Silveira veio a público dizer que os valores seriam corrigidos, contornando o curto-circuito. Sabe-se bem de onde saíram as maiores faíscas. A Âmbar Energia, de Joesley e Wesley Batista, e a Eneva, controlada pelo BTG, seriam os dois grandes prejudicados com os valores fixados pela Pasta. No caso da Eneva, que tem portfólio relevante em geração térmica integrada à produção de gás no Maranhão e no Amazonas, a leitura era de que o preço-teto comprometeria a viabilidade de expansão de projetos greenfield e reduziria drasticamente o retorno sobre ativos já operacionais. Analistas chegaram a estimar que, nos parâmetros originais, a TIR de novos empreendimentos poderia cair para a faixa de 6% a 7% reais, abaixo do custo médio ponderado de capital (WACC) do setor. Por sua vez, a Âmbar Energia, da J&F, com forte exposição a térmicas a gás e óleo combustível, também seria diretamente impactada. Parte relevante de sua estratégia depende de contratos de capacidade para garantir receita fixa que complemente a volatilidade do mercado spot.
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