Regulação
Keeta entra na mira do Cade após condenação em Hong Kong
O início da operação da Keeta – leia-se a chinesa Meituan – no Brasil tem sido acompanhado com lupa pelo Cade. A chegada da empresa se dá no momento em que o órgão antitruste tem apertado o cerco a práticas anticoncorrenciais no setor de delivery de alimentos. O histórico recente da Keeta na Ásia coloca uma pimenta ainda mais forte nesse caldeirão. Segundo informações apuradas pelo RR, concorrentes da plataforma de delivery notificaram ao Conselho a decisão proferida pela Comissão de Concorrência de Hong Kong contra o grupo chinês na última quarta-feira, dia 12. O órgão obrigou a Meituan a revisar práticas consideradas anticompetitivas em seus contratos com parceiros comerciais. A empresa terá de remover cláusulas de exclusividade, penalidades aplicadas a restaurantes que passassem a atuar em apps concorrentes e restrições para que estabelecimentos oferecessem preços menores em outros canais. Essas práticas, segundo a autoridade local, tinham o potencial de elevar barreiras à entrada, reduzir rivalidade e manter preços artificialmente altos — afetando diretamente restaurantes e consumidores. A decisão coincide com a partida da atuação da Keeta no Brasil, a partir de Santos.
A Meituan, ressalte-se, já havia sido alvo de uma sanção bilionária em 2021, quando foi multada em R$ 2,6 bilhões pelo órgão antitruste da China (SAMR) por práticas semelhantes. Agora, com a expansão internacional da marca e sua estreia no Brasil, o histórico regulatório começa a ser incorporado às análises locais.Em contato com o RR, a Keeta informou que “mantém comunicação estreita com a comissão de Hong Kong e chegou a um acordo mútuo para promover o desenvolvimento saudável e de longo prazo do mercado de entregas de comida e bebida. A autoridade em Hong Kong afirmou que a Keeta foi cooperativa ao abordar suas preocupações e agiu de boa fé, e irá voluntariamente modificar disposições, com alterações que se tornarão legalmente vinculativas posteriormente. A Keeta acredita firmemente que a competição saudável contribui para o crescimento sustentável do setor e continuará a colaborar com a indústria de comida e bebida para o sucesso mútuo, cultivando conjuntamente um ecossistema de mercado diversificado que beneficie todos os consumidores”.
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