Diplomacia em cena: Brasil e EUA ensaiam o script da trégua

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Diplomacia em cena: Brasil e EUA ensaiam o script da trégua

  • 24/10/2025
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Aos poucos, as tratativas entre Brasil e Estados Unidos avançam no conteúdo e na forma. Segundo o RR apurou, além das possíveis contrapartidas para a redução da sobretaxa imposta por Donald Trump, as discussões entre os canais diplomáticos dos dois países contemplam, desde já, o script mais adequado para as etapas decisivas da negociação, seja a assinatura do protocolo de intenções ou mesmo do anúncio do acordo definitivo. Uma das ideias já aventadas é realização de uma ampla reunião, por videoconferência, capitaneada por Lula e Donald Trump, com a participação maciça do alto escalão dos dois governos, ou seja, o maior número possível de ministros de lado a lado. O evento, ressalte-se, não eliminaria a hipótese de uma cerimônia presencial, com os apertos de mão de praxe entre os dois presidentes da República, para a formalização do tratado. No entanto, a imagem na mesma tela dos gabinetes do Brasil e dos Estados Unidos reunidos em Brasília e em Washington seria uma demonstração da dimensão dada pelos dois países ao acordo. A diplomacia tem seus atos cenográficos.
Como em toda a negociação diplomática, cada passo é medido meticulosamente – vide os cuidados que cercam o prometido encontro entre Lula e Trump no próximo domingo, na Malásia, durante a reunião da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático). Mas é possível inferir que, desde já, os dois governos vislumbram serventias e benefícios nesse roteiro. Seria a oportunidade de ambos cantarem vitória para suas respectivas arquibancadas. Para Lula, seria a consagração do seu discurso de soberania, que ganhou força como contraponto às manobras de Eduardo Bolsonaro junto a Washington por mais sanções contra o Brasil. Trump, por sua vez, exibiria as valiosas moedas de troca obtidas com o acordo, como, por exemplo, o direito preferencial sobre minerais estratégicos brasileiros. De quebra, do ponto de vista simbólico, a reunião em duas capitais conectadas pela tela e com a ampla participação dos respectivos ministros, traduziria uma nova gramática das relações internacionais: a diplomacia como espetáculo híbrido, simultaneamente presencial e virtual, para os salões e para as redes, em que a visibilidade substitui ou se une ao segredo como instrumento de poder.

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