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A venda da participação da Cosan na Vale vai além de uma “mera” operação de portfólio. No mercado, a decisão está sendo interpretada como a evidência mais forte de que Rubens Ometto praticamente virou as costas ao projeto de investir no setor de minério de ferro. Em 2021, a Cosan anunciou, com a devida pompa, a criação da JV Mineração, joint venture com o empresário Paulo Brito, fundador da Aura Minerals.
O plano original previa o início da produção em Parauapebas (PA) neste ano, com a extração de dez milhões de toneladas. No entanto, sem a interseção societária com a Vale, o empreendimento não para em pé. A posição acionária da Cosan na mineradora era uma peça estratégica em toda a engrenagem, fundamental para viabilizar a logística, leia-se o uso da estrada de ferro de Carajás.
Sem a Vale, o quebra-cabeças se desmonta. No setor, já se fala, inclusive, da disposição da Cosan de passar adiante o projeto de construção do Porto de São Luis, terminal de uso privativo, comprado junto à
CCCC (China Communications Construction Company), em 2021, por R$ 720 milhões.
Em fevereiro do ano passado, surgiram notícias de que a própria Vale estaria interessada em comprar o empreendimento, o que foi negado pela companhia. Procurada pelo RR, a Cosan não quis se pronunciar. Rubens Ometto pensou grande, como de hábito: mina, ferrovia e um terminal próprio, tudo amarrado a uma participação acionária na maior produtora de minério de ferro do mundo.
No entanto, de lá para cá, a realidade mudou. Premida pelo aumento da sua dívida de curto prazo, a Cosan vem se desfazendo de ativos para trazer sua alavancagem a níveis mais confortáveis. Além da posição na Vale, o grupo já se desfez de distribuidoras de gás e avalia novos movimentos, como a venda de uma fatia da Moove, seu braço de lubrificantes – conforme informou o RR.
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