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Acervo RR
O tradicionalíssimo Grupo Luiz Severiano Ribeiro, patrimônio do cinema nacional, vai virar ianque. Ao menos no que depender do script traçado pela UCI, uma das maiores redes de salas de exibição do mundo. Os norte-americanos prometem um orçamento hollywoodiano para comprar a Kinoplex, cadeia de cinemas controlada pelos herdeiros de Severiano Ribeiro. A associação daria origem ao segundo maior grupo exibidor do país, com mais de 370 salas. No modelo idealizado pela UCI, os Severiano Ribeiro deverão ficar com uma fileira de poltronas na nova empresa, mantendo uma participação minoritária no capital. Procuradas, Kinoplex e UCI não se pronunciaram. O apetite da UCI em relação ao Kinoplex é proporcional ao desencanto com a sua operação no Brasil. Entre os próprios executivos do grupo, o consenso é que só existem dois roteiros possíveis: ou a empresa parte para um grande projeto de expansão e consolida uma operação no país com escala e rentabilidade condizentes com seu porte global ou, então, é melhor exibir uma sessão de “Bye, Bye, Brazil” e, logo depois, desligar seus projetores. Não obstante seu poderio financeiro, a situação do grupo no Brasil não seria das mais confortáveis. De acordo com fontes ligadas aos norte-americanos, a rentabilidade da operação estaria abaixo do padrão mundial. Muitas salas ainda seriam deficitárias. Além disso, o crescimento da rede no país não andou no ritmo imaginado pelos norte-americanos. Segundo o plano original, o grupo esperava chegar a 2013 com quase o dobro do atual número de salas. Hoje, são 147 cinemas, o que dá a UCI a terceira posição do setor. Para ela, é o mesmo que ser o último colocado. Isso porque a briga para valer pelo topo do mercado exibidor no Brasil está restrita a apenas três concorrentes. E os norteamericanos nunca conseguiram ameaçar seus dois grandes competidores, a própria Kinoplex, com mais de 230 cinemas, e o Cinemark, líder absoluto do setor com cerca de 450 salas. Ao se associar aos Severiano Ribeiro, a UCI reduziria consideravelmente esta distância. Em tempo: o Cinemark deve enxergar além da tela. Não por coincidência, justo no momento em que os norte-americanos se aproximam da Kinoplex, a rede aprovou a abertura de mais 80 cinemas no país.
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