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Acervo RR
O acordo recém-firmado entre os herdeiros de Cecílio do Rego Almeida e a Impregilo, sócios na Ecorodovias, está repleto de curvas sinuosas. A decisão do grupo italiano de vender 19% da concessionária para a CR Almeida, acionista majoritária, é apenas o primeiro quilômetro. Por trás desta operação há uma estrada mais longa, que corta toda a estrutura societária da empresa e deverá reconduzir a família a uma posição de pleno poder na Ecorodovias. Os Rego Almeida teriam fechado um acordo para a compra do restante das ações nas mãos dos italianos – cerca de 10% do capital. Segundo uma fonte do RR que acompanha as negociações na primeira fila, a transferência deverá ser consumada no primeiro trimestre de 2013. Tomandose como base a cifra paga no mês passado pela CR Almeida por 19% da Ecorodovias, esse lote extra de ações está avaliado em aproximadamente R$ 900 milhões. Esta não é uma operação de linhas retas. De acordo com a mesma fonte, a venda dos 10% restantes da Ecorodovias Infraestrutura e Logística é apenas um rito de passagem. Ato contínuo, a CR Almeida faria uma oferta pública para o fechamento de capital da holding, onde estão penduradas as concessões rodoviárias. Esta etapa ainda não seria o fim da estrada. Com 100% do controle nas mãos, a empreiteira abriria as portas da Ecorodovias para um novo sócio, só que, desta vez, em condições bem mais favoráveis. Ao contrário do acordo original com a Impregilo, quando houve uma divisão do controle e da administração, a família pretende não apenas permanecer na condição de majoritária, mas também reduzir drasticamente o raio de ação e os poderes do novo sócio. É como se a CR Almeida criasse uma Ecorodovias zero quilômetro. O que a família mais quer é varrer para o acostamento o modelo que ditou a associação com os italianos na Ecorodovias. Nos últimos meses, o relacionamento com a Impregilo teria se tornado conflituoso, notadamente na aprovação de planos de investimento. A crise europeia acabou jogando a favor da CR Almeida. O grupo italiano se viu forçado a baixar a crista e negociar sua participação para capitalizar suas empresas no Velho Continente. Desta forma, abriu caminho para uma engenhosa operação que, se consumada, permitirá a empreiteira paranaense assumir, sozinha, o volante da Ecorodovias. Novo sócio, só no banco de trás. De repente, é até melhor. Quem conhece bem os Rego Almeida sabe o que é bater de frente com a família. Que o digam os próprios italianos da Impregilo. Procurada pelo RR, a Ecorodovias não quis se pronunciar sobre o assunto.
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